quarta-feira, 21 de junho de 2017

Magda Sigrun - Auto Proclamada Senhora de New Garden, Jardineira de almas, Corruptora de jovens e Domadora de Demônios.





Magda não é uma pessoa, é um acontecimento.


Desde os primeiros dias de New Garden, essa poderosa maga, que alguns estudiosos Herméticos insistem em chamar de Desaurida, termo que ela não aprecia muito, esteve presente.

Originalmente uma Cultista do Extase, Magda diz ter nascido em algum momento da idade média, mas não se recorda muito. Seu sobrenome é o mesmo de uma das valquírias da mitologia nórdica. para uns ela diz que foi e continua sendo uma Valquíria, para outros diz que é apenas um nome,


O estranho é que, nunca se ouviu falar da maga. nem mesmo os proprios magos, arquemagos ou oráculos, nunca souberam de uma Cultista do Extase tão poderosa.


Magda se mostrou pela primeira vez quando da construção de New Garden. Sem cerimônias, confrontou um cabala de mestres que levava consigo um reliquario contendo um poderoso demônio. Matou todos os magos, um por um e tomou para si o reliquario, contendo a alma aprisionada da poderosa succubus Aramel. Magda libertou a succubus, a derrotou em combate e a aprisionou novamente, desta vez em um reliquario feito por ela mesma. Segundo a propria maga, ela usa a succubus para alimentar seus poderosos feitiços e até onde se sabe, esse é o verdadeiro motivo pelo qual ninguém derrotou a cultista/nefandi/Marauder durante os 10 anos de existência da cidade.

Outros magos, porém, dizem que o motivo é que, simplesmente a maga nunca causou nenhum problema a nenhum grupo de seres sobrenaturais da cidade. Eximia diplomata, Magda elegeu aliados poderosos em cada um dos grupos, tendo um relacionamento muito bom com a Camarilla da cidade (alguns dizem com o Sabá também) e não criando problemas ao conselho das 9 tradições, nem ao pequeno Caern Garou da cidade.

Em alguns momentos, Magda parece ser apenas uma força caótica, porém sua meticulosa forma de "governo" coloca em dúvida a ideia de que ela seja realmente louca. Os Cultistas do Extase se dividem, alguns, mais novos dizem que ela enlouqueceu devido ao excesso de abusos e a interação com poderes infernais, já os mais antigos, acreditam que ela apenas alcançou a Ascensão, estando plena de seus poderes.

Magda no entanto, não faz a menor questão de esconder seus segredos, mantendo um santuário aberto e disponível para a visita de qualquer mago ou ser sobrenatural. Sua casa noturna, a suntuosa "DeLust", feita dos restos do infame Lucky Hell, abriga todo o tipo de criaturas exoticas e dizem que não ha nada que a satisfaça mais do que dar abrigo e proteção para criaturas perseguidas ou raras, claro, sempre por um preço.

A única coisa certa sobre Magda é que, ela se denomina senhora e protetora de New Garden, e a té o momento ninguém foi capaz de convencê-la do contrário.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A Dança Nunca Termina

New Garden...


Muitos veem nessa cidade o fio de esperança que Grey Rose nunca possuiu, mesmo com sua imponência e poder, a cidade parecia condenada, morta, apodrecida e corrompida.

Mesmo o mais maligno dos demônios ou dos dançarinos da espiral negra concorda que a velha meretriz era sombria além da conta.

Os seres humanos residentes já nasciam com a semente do mal em suas almas, ainda mais as belas mulheres, que tinham no sangue a mácula do massacre das fadas, séculos atrás.

Mas algo aconteceu e a cidade foi consumida nas chamas verdes do fogo nuclear, deixando muito pouco para trás.

Dos sobreviventes (ou ausentes) surgiu as sementes da esperança. Esforços consjuntos ergueram em pouco mais de 10 anos uma nova e bela cidade. Uma ilha artificial feita de pura engenharia e tecnologia, projetada para ser a nova capital do Mundo.
Prepotências á parte New Garden cresce a passos largos, e a cada dia mais e mais pessoas, de todo o Mundo chegam para buscar uma nova vida. Refugiados encontram na política de povoamento do governo sua terra prometida. Empresas encontram nas novas oportunidades suas minas de ouro.
Mas também, seres antigos encontram aqui novas sombras para se esconderem, novas almas para corromperem, um novo começo para o  fim.

Uma discreta, porém nada fraca capela de Magos se estabelece em um bairro de periferia. Uma lavanderia esconde uma grande e complexa estrutura na película, onde artifices da vontade praticam seus feitiços e ensinam seus aprendizes a sobreviverem á Guerra da Ascensão.


O palco é outro, a Dança do Destino continua, em seu rítimo inconstante e inprevisível, e novos participantes dessa dança arriscam suas vidas, girando eternamente no caminho da iluminação.


Luzes que cegam, sementes esquecidas

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A Guerra dos Vermes XIV: O Fim do Outono



Morrigan não tinha muito o hábito de acordar cedo, mas a ocasião pedia algo diferente, Ela colocaria em prática a próxima fase de seu plano e começaria seu caminho para o Inferno. Ela era toda mudança e assim como seu novo rosto, também seu estilo havia mudado. 
A Nephandi usava ao invés dos vestidos decotados e provocantes, um corpete e uma calça de couro apertada que delineavam ainda mais suas formas. Mostrar menos e insinuar mais? Aquilo seria divertido. O perfume era mais sutil, doce, nada barato e como seu amado Raziel havia pedido, um longo e sedoso cabelo negro escorria pelos ombros nus. Morrigan estava ainda mais bela e mortífera, porém menos óbvia.
Haviam alguns livros na mesa, a Biblioteca Pública de Seattle era um ponto turístico magnífico, um lugar perfeito para um encontro á luz do dia, enquanto seus inimigos vasculhavam a noite. Dark ficaria orgulhoso. Ela estava mudando, inclusive mandara reformar a casa, havia mandado seus escravos restantes para um belo passeio nas ilhas gregas como recompensa. Em uma semana teria um belo apartamento, luxuoso e perfumado. A Rainha de Mafeas não viveria mais no mofo, na decadência e no fedor. Um verdadeiro demônio sabe aproveitar os prazeres do Mundo, e ela não seria exceção.
Miranda parecia confortável, mas não deveria estar. Nos últimos dias fora mantida em uma cela gelada, passara fome e sede e o medo da morte era constante, tanto que ela dormiu apenas algumas poucas horas. A jovem com mexas verdes no cabelo se perguntava onde estariam seus defensores, seus ditos guardiões que permitiram que ela fosse sequestrada. No entanto, ela não podia dizer que havia sido torturada. Não comeu por que não quis, pois havia comida. Morrigan ás vezes conversava trivialidades com ela e soava engraçada. Parecia uma daquelas mulheres poderosas, donas de empresa, imponente e sábia. Miranda não conseguia odiá-la, por mais que tentasse, mas algo dentro dela sabia da verdade, talvez fosse a tal rainha? De qualquer forma, quando ela a levou para o lago termal para um abençoado banho e lhe deu roupas caras e um bom perfume, a Rainha estava calada. "Vamos fazer um passeio querida, apenas isso" foi o suficiente para convencê-la, e ali estavam.
"já esteve aqui antes boneca?" Morrigan folheava um antigo exemplar da Divina Comédia, já lera aquilo milhares de vezes, mas era divertido fingir que aqueles livros eram todos novidade para ela. O óculos de grau, obviamente falso dava um charme ainda maior á Maga, e ela sorria como se conhecesse Miranda há tempos e falava baixo, para não ser expulsa da biblioteca.
"Não...nunca...é...é muito bonita..." Miranda se forçou a falar
"Eu não sei o que você realmente é mocinha, mas ouça, se existe alguma chance de você sair viva dessa história, essa chance sou eu, então por que você não se solta um pouco e me diz alguma coisa útil antes que nossa convidada chegue?" Morrigan disse as palavras olhando por cima das lentes, o tom era sério e Miranda sabia disso. Seu coração disparou.
"Dizem que sou a reencarnação de uma Rainha das fadas, uma tal Walléria, não me lembro de nada, mas sinto que há algum poder em mim...é tudo o que sei" A mudança de comportamento intrigou Morrigan. A Nephandi pegou as mãos de Miranda, tirou os óculos, ajeitando o cabelo no rosto e olhou fixamente nos olhos da jovem.
"Walléria Asfin, Rainha de Arcádia, se está neste corpo, invoco a ti. responda ao chamado de Morrigan Stonehall, Rainha de Malfeas." O rosto de Miranda mudou, uma expressão séria assumiu seu lugar e uma voz mais firme falou.
"Sim, eu estou aqui Morrigan, apenas não me manifesto pois meu corpo não suportaria minha forma Wyrd. Estou fraca, ja sou uma fada morta, é questão de tempo."
"Tão pessimista? E ainda a chamam de Rainha, e buscam por você o tempo todo? Que desperdício...esperava mais..." Morrigan era provocativa, mas a Rainha não parecia incomodada.
"Meu destino ainda será importante para meu povo, mas não da forma que eles acreditam. Meus dias de batalha acabaram, meu corpo se foi, minha alma está em pedaços e o que fala agora são os resquícios da lembrança, de um sonho distante. Não existe mais Walléria, apenas Miranda. O que quer de mim?" Ela soava calma, quase anestesiada.
"Eu? nada...meu trabalho era apenas trazer você para uma velha...amiga...mas pensei que talvez pudesse me ser útil, afinal, hoje em dia os amigos costumam ser menos confiáveis e previsíveis do que os inimigos..." ela se afastou, mas não tirou os olhos da jovem, voltando a folhear o livro. A Rainha ainda continuava lá.
"Se a Rainha da Corte do Inverno tiver minha alma, um mal nunca antes visto entrará no reino outonal, condenará a terra á um deserto árido e nem os deuses, nem as máquinas serão pareo. Se quer me ajudar, me leve para meus guardiões." O rosto mal tinha expressão.
Morrigan se ajeitou na cadeira, o silêncio da biblioteca fazia com que seus pensamentos parecessem ditos em voz alta. "Um mal nunca antes visto?" aquilo soava interessante. mas para a Rainha de malfeas, qualquer mal nunca antes visto deveria ter apenas dois destinos possíveis, ser destruído por ela, ou servi-la.
"Me fale mais sobre esse mal querida...estou começando a ficar, digamos, inclinada a ajuda-la, mas tudo tem seu preço, e eu não costumo investir em riscos."
"Imagine um ser que perdeu sua bondade em tempos muito mais antigos do que os demônios. Imagine um ser que abdicou da justiça para praticar o ódio, que abdicou da vida para venerar a morte? Imagine que esse ser presenciou a destruição de planos que nem o mais poderoso dos magos seria capaz de cogitar a existência..." Walleria parecia recitar um mantra.
Morrigan sentia o coração disparar. Seria esse ser a Wyrm Primordial verdadeira da qual seu amado Dark, ou seu avatar, havia falado? Talvez seu conhecimento não fosse assim tão grande e quem ela julgava ser tal criatura não passava de um vassalo da verdadeira. "Ah Dark meu amor, você não perde por esperar" a boca da maga chegava a salivar.
"E esse mal está ligado a você? é por isso que Celeste a quer?" Walleria não respondeu, ela tomou aquilo como um sim.
Morrigan observou a entrada da Biblioteca, ela podia sentir a presença de Celeste se aproximando.
"Escute, eu a ajudarei, suas horas estão contadas e você não tem outra opção, me mostre como agir, é sua ultima chance." Morrigan soava calma, mas o coração ainda estava acelerado.
Miranda mudou de postura, uma luz esverdeada emanava da jovem e em segundos a biblioteca parecia não mais existir. Uma espada longa, com um belo punho onde cada um dos dedos era encaixado, com três gemas encrustadas surgiu nas mãos da fada, ela agora possuía chifres de suas pernas eram peludas como as de um bode, os belos cabelos cacheados, verdes como a esmeralda mais brilhante e os olhos dourados. Morrigan sentia o sol do outono, o vento e o perfume das árvores. O burburinho na biblioteca era grande quando Morrigan se deu conta. Estava com a bela espada nas mãos e a jovem Miranda desmaiada sobre a mesa. Um feitiço vulgar as escondeu dos olhos curiosos mas a dentada do paradoxo se fez sentir, Morrigan sangrava pelos ouvidos, aquilo se curou lentamente enquanto ela carregava a menina para fora da Biblioteca. O encontro com Celeste foi repentino.
"Já está de saída Morrigan querida? Se não me engano estou pontualmente no horário..."
Celeste usava um vestido florido vermelho e um chapéu branco, com fitas amarelas, aquilo parecia uma veste angelical no corpo da fada, o que era do mesmo jeito com qualquer coisa que ela vestisse, até mesmo se estivesse nua. Morrigan parou por alguns segundos, reorganizou os pensamentos e sorriu.
"Nossa menina aqui usou um truque peralta na frente de toda a biblioteca...tive que sair escondida..." ela usava um tom sarcástico, mas sabia que aquilo não funcionaria com Celeste por muito tempo.
Celeste sorriu e apontou para uma grande escada, aquilo levava a um terraço, uma especie de mirante onde era possível tomar ar puro. Não haviam muitas pessoas ali e a mágica de ambas mantinham os olhares curiosos afastados. 
Chegaram á beira do mirante, Morrigan colocou a menina no chão, ainda desacordada, Celeste ficou de costas para o parapeito, o vento bagunçava seus cabelos de um tom lilás bem claro, ela olhava incrédula para a maga.
"Céus! você está LINDA amiga!" a fada acariciou a face de Morrigan, como se fosse beija-la, a maga se afastou e sorriu.
"Obrigada minha querida...nada que chegue a seus pés, mas digamos que tive alguns sonhos inspiradores..." o cinismo era visível.
"Bom, chega de perder tempo, ambas temos muito o que fazer. Aqui está o seu contrato, e os termos de compra, tudo definido. Você só precisa ir até o prédio da pentex para assinar o original." ela sorria satisfeita, mas Morrigan fechava a expressão.
"O que você quer dizer com o original?"
"Querida...uma mulher de negócios precisa ser precavida. Quem me garante que você não tentaria simplesmente roubar o contrato de minhas mãos sem me dar aquilo que foi combinado? Desculpe pela franqueza, mas nos dias de hoje não se pode confiar em ninguém, você deve me entender. Mas pelo visto você cumpriu sua palavra. O contrato está na mesa aguardando você, basta ir até lá e me passar a menina."
Morrigan sacou a espada que Miranda havia conjurado, Celeste deu dois passos para trás, inicialmente era medo, mas passou de incredulidade para um sorriso radiante.
"CALAELEN?!" ela gritou quase sem fôlego "Como...como você conseguiu isso?"
Morrigan sorriu "Consegui por méritos, mas acho que você terá que fazer uma visita ao prédio da Pentex comigo minha querida, os executivos vão ficar loucos com duas beldades como nós chegando lá ao mesmo tempo, não acha?"
"Não...você me dará a espada agora maga, e a menina também. Depois buscará seu papel e me deixará em paz. Eu, Celeste Blackside, Rainha da Corte do Inverno ordeno." Celeste brilhava com uma aura azulada, quase branca, Morrigan travou os dentes, o poder era grande demais, a espada caiu no chão e ela se via forçada a caminhar para trás. 
A Maga se concentrou e recitou um pequeno verso na língua do abismo. A telurian se rasgou atrás de Celeste e dela surgiu uma besta negra de pelos esverdeados, um dançarino da Espiral negra que saltou sobre ela, lhe rasgando o ombro em pedaços e gravando as presas no pescoço da fada. Morrigan se viu livre do comando e caminhou na direção da espada, mas a mesma voou para as mãos de Celeste que mesmo ferida mortalmente a empunhou, com um giro partiu o infeliz garou em dois pedaços e avançou na direção da maga. Morrigan se preparou para sentir sua l^mina, mas o que sentiu foi gosto de sangue, estava coberta com um sangue doce e ao mesmo tempo picante.
Miranda tinha a lâmina atravessada em seu peito, a dor era insuportavel e ela agonizava. Celeste sorria, mesmo sangrando e quase sem um dos braços. A jovem se ajoelhou, as lágrimas escorriam por seus olhos inocentes. Lágrimas de dor e tristeza, lágrima de uma menina que só havia conhecido sofrimento e horror, que não escolhera ser quem era. Lágrimas de alívio. Ela tombou inerte. 
Morrigan olhava incrédula, mesmo ela, um ser maligno por natureza sabia que aquilo havia sido um absurdo. Todo um povo estava condenado. A Rainha de Arcádia morreu. O outono acabou, O Inverno começou.
Celeste retirou a espada do corpo da jovem sem o menor cuidado, apoiando o pé direito e empurrando o corpo para trás. A lâmina cheia de sangue agora estava em suas mãos, ela parecia anestesiada de tanto prazer, o sorriso era insano. Ela apontou a espada para Morrigan em tom desafiador.
"Se ousar ir contra mim mais uma vez maga, destruirei você, destruirei sua querida Malfeas e se preciso for até seu amado demônio. Você não sabe o poder que eu tenho nas mãos agora. Não....me...desafie." Antes da resposta, a fada desapareceu em um portal de luz lilás, deixando um cheiro de neve e rosas no ar.
Morrigan ficou ali, sem saber o que fazer ou pensar, ela só conseguia olhar para o corpo da jovem Miranda, sem vida, sem futuro e sem vingança. "Bom" ela pensou "A parte da vingança eu posso dar um jeito".

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A Guerra dos Vermes XIII: Vidas Intermináveis



Foram dias sombrios e estranhos na casa do Arquemago da Ordem de Hermes. Tudo estava em perfeita ordem. Muita comida, uma bela casa escondida na película entre os mundos e cheia de quintessencia a ponto de ser praticamente a prova de paradoxo, proteção e sossego. Para Tulio, aquela mansão era um Santuário, para os Filhos do Caos, um purgatório de impaciência e angustia.
O humor estava sombrio. Poucos conseguiam dormir e os que conseguiam, como no caso de Nehssa, era por puro esgotamento. Miranda estava em poder de um ser maligno há mais de três dias, e embora Tulio estivesse fazendo de tudo para encontrá-la, a cada momento ficava mais claro que estava tudo perdido. Tudo em vão. Ayreon se isolara no quarto desde o dia que chegaram, não falava com ninguém e raramente aceitava a comida servida. Caroline ajudava Tulio nos encantamentos de busca, mas mesmo seus esforços juntos não conseguiam chegar ao local onde a Rainha Walleria poderia estar. Tudo levava ao ponto famoso no oceano atlântico, conhecido como Triângulo das Bermudas, mas ali, qualquer iniciado na esfera da correspondência sabe, é uma região cega. Um truque usado para enganar perseguidores. Ela poderia estar em qualquer lugar.
Apollo e Millena não saiam da grande e diversificada biblioteca do senhor Wargner. Ele havia conseguido salvar, pelo menos, os volumes mais raros e importantes do vasto acervo do Hermetic Colliseum, antes que ele fosse devorado pelo fogo e pela radiação dos últimos dias de Grey Rose. Millena estudava sobre a Wyrm, sobre a história Faérica e sobre fogo entrópico. Apollo lia o grimório perdido de um poderoso hermético da idade das trevas, e copiava seus feitiços e palavras de poder. Todos eles capazes de mandar uma cidade ou duas pelos ares.
Além de acólitos salvos do Hermetic Colliseum e abrigados no modesto nodo particular de Tulio, a casa ainda abrigava sua esposa Aleksandra Ravaneska, uma vazia bela e poderosa conhecida como Raven, com suas roupas exóticas e seus belos olhos azuis e cabelos negros, figura importante no perigoso circuito de bares e casas noturnas de Bucareste, além do pequeno Sarastro, filho dos dois. Era um casal improvável, mas aparantemente muito feliz.
Finalmente, Tulio pediu que todos fossem chamados para um saboroso banquete, em uma mesa antiga, cheia de escrituras, símbolos místicos cravados na madeira crua e pesada. Na porta da grande sala de jantar, dois grifos de puro ouro montavam guarda, embora um tivesse apenas uma asa e outro um buraco bem no meio do peito, ainda eram imponentes e davam a sensação de que se ergueriam para defender o local de qualquer ameaça. Fariam isso no Hermetic Colliseum, mas ali eram apenas belos e pesados enfeites, colocados ali por Tulio para lhe lembrar que por mais que estivessem protegidos naquele nodo, sempre haveria algo capaz de destruí-los, assim como aconteceu com a fortaleza dos magos de Grey Rose.
Todos se sentaram. As caras estavam melhores, menos assustadas. Nehssa não exibia sorriso, mas também não demonstrava dor. Apollo parecia alheio a tudo, e reclamava das incessantes dores de cabeça. Carolinne parecia a mais tranquila, dando a impressão de indiferença, mas Tulio sabia que era uma recomendação do pai, com o qual falara na mesma noite que chegaram. Caerwin era um guerreiro dos Verbena e a mãe das garotas, Emily Vincce era o próprio fogo hermético em pessoa. Não eram meninas fracas, e tinham, assim como seus pais, um destino grandioso esperando por elas, e com ele, um talento e uma propensão inevitáveis para o desastre.
Nathan era reservado. Tulio sabia que o jovem Euthanatos era tão cheio de traumas como qualquer mago poderia ser. mas seu pai havia se superado nisso, e ele agora tentava não repetir seus erros. O Hermético conhecia cada um daqueles jovens, e conhecia sus pais, seu passado, suas dores e suas vitórias. Havia ensinado a cada um pelo menos um feitiço ou dado algum presente. No fim era como se fossem todos seus filhos. E ele não queria vê-los feridos, ou coisa pior. Quanto aos dois seres Faéricos, ele sabia pouco, mas sentia o suficiente. Nehssa não o preocupava, mas o Lord Shide exilado da casa Liam sim.
Enfim Millena surgia na entrada, sorridente pela primeira vez desde a captura de Miranda, tinha Ayreon a seu lado, com cara de poucos amigos, barbudo e desgrenhado, mas ainda sim com uma beleza sinistra que fez caroline engasgar, ruborizando de vergonha segundos depois.
"Sentem-se meus queridos, estávamos esperando apenas vocês." Tulio sorria satisfeito, não esperava que o Shide atendesse ao chamado.
Ayreon não respondeu, apenas sentou-se de forma largada enquanto Millena se sentava ao lado da irmã, que prontamente pegou em sua mão e sorriu, tentando passar uma esperança que ela mesmo não tinha, mas aprendera com o pai a fingir quase ao ponto de torna-la verdade.
Comeram, beberam, a maior parte do tempo em silêncio. Raven e o jovem Sarastro acompanharam o banquete e tentaram deixar os convidados o mais á vontade possível. A Vazia contava histórias engraçadas sobre a cabala da qual fazia parte, junto com os pais das garotas e de Nathan, assim como a mestra de Apollo. Todos riam e até mesmo Cosmo contou algumas façanhas mentirosas nas quais ele era o herói. Aquilo deslocou as fadas, Nehssa fazia menção de cochilar e Ayreon se perdia olhando um talher de prata.
Foi a deixa para que a esposa de Tulio se despedisse carinhosamente de cada iniciado e sorrisse para os seres faéricos, dando um carinhoso beijo no marido e se retirando, levando o pequeno Sarastro a contra gosto. O hermético enfim se ajeitou na cabeceira da mesa e prontamente tinha a atenção de todos.
"Tenho boas notícias...e algumas ruins também" ele tentava soar positivo, mas era honesto demais para aquilo
Millena não parecia surpresa, Ayreon finalmente prestou atenção. Tulio continuou.
"Localizamos Miranda. Ela está viva."
"Onde??" Ayreon se projetou com as mãos na mesa, como se fosse se levantar, Millena fixava os olhos no Hermético, todos pareciam apreensivos.
"Consegui contactar uma Adepto da Virtualidade, conhecido como Flashback. Ele é aprendiz do finado Juca Bala, e até onde eu sei, o Adepto mais poderoso em atividade. Ele fixou a localização dela baseado na discrição e na essência faérica da Rainha. Ela está em uma floresta remota, nos arredores do Canadá." ele não sorriu nem mostrou empolgação, embora Apollo tivesse sorrido, assim como Carolinne.
"Mas..." Millena parecia prever
"Mas..." Tulio continuou "Ainda não descobrimos um jeito de chegar até lá. Flashback disse que há um encantamento muito poderoso que rebate qualquer efeito de tele transporte para o lugar e o redireciona para algum ponto mortífero no Mundo, como um mar repleto de tubarões, a boca de um vulcão ativo ou outros lugares simpáticos" ele esboçou um riso
"E como você sabe que é realmente Miranda? que tipo de essência faérica da Rainha  é essa, que você diz possuir ?" Nehssa tinha aquele tom inquisitivo e ríspido que Ayreon repreendera há alguns dias, mas que agora adorava ouvir.
"Um pouco do sangue de um dos filhos dela, se quer mesmo saber minha jovem. É um grande amigo meu e pelo que sei está buscando por pistas da mãe. Ele  está com a pessoa que contactou vocês, a Regente de Arcádia. Na verdade estarão aqui em breve." Ele sorria de forma cordial, e parecia aliviado ao falar de reforços. Nehssa pareceu satisfeita, pelo visto sabia de quem ele estava falando.
"Uma coisa que ainda não entendo...se Astrid é tão poderosa, e tem um filho da Rainha consigo, por que diabos ela buscou por um bando de magos fedelhos para executar uma missão tão importante?" Ayreon olhava novamente para o talher de prata, nem percebera o insulto que acabava de proferir.
Apollo se levantou, as mãos começaram a sair fumaça, a pele ficando avermelhada.
"Se não fosse uma maga fedelha ter metido uma bala na cabeça daquela desgraçada, seu escroto, estaríamos todos mortos, visto que você, o senhor fodão, mais poderoso entre nós ficou pasmado como uma besta por causa dos peitos dela." Nathan forçou o jovem hermético a se sentar, Tulio nada fez, apenas observava.
Ayreon ignorou a revolta de Apollo, parecia esperar por uma resposta de Tulio, mas foi Millena quem falou.
"Lord Ayreon, entendo sua revolta. Sei que foi vitima de um comando mental poderoso e que seu lado Unseelie se manifestou, mas isso não dá o direito de ofender a mim e meus companheiros. A Rainha Regente não podia sair de Arcádia, ela tinha coisas a tratar que diziam respeito ao futuro de todas as fadas, lá ou aqui. Ela confiou em mim, em nós..."ela fez uma pausa para o fôlego que faltava devido a raiva "...para iniciar a missão. levar Miranda para um lugar seguro, para que ela pudesse vir busca-la. E confiou no senhor, como nosso guardião, embora creio que não tenha podido entrar em contato. Encontrar Miranda foi uma benção do Glamour, mas nós a perdemos, e falhamos com a Dragoneza." A jovem maga tentava esconder a frustração, mas era evidente.
Ayreon baixou a cabeça, estava ciente da indelicadeza que cometera, mas seus modos estavam longe de serem polidos como os de seu lado Seelie.
"Me perdoe se ofendi aos jovens artificies da vontade, mas a verdade é que vocês não tinham condições de escoltar a Rainha. Astrid foi inconsequente ao enviar magos inexperientes como vocês, arriscando não só suas vidas, mas a de Miranda, e pior, confiar a magos o destino da Rainha de Arcádia?...sem ofensas mais uma vez, mas vocês não estão familiarizados o suficiente com a sociedade Faérica para tomarem as decisões corretas. por que não um grupo de Guerreiros Faéricos? Definitivamente Arcádia está condenada..." 
O silencio pairou por alguns minutos. Mesmo feridos pelas palavras do Shide, a jovem cabala sabia que ele dizia, pelo menos em parte, uma grande verdade. Millena se sentia culpada, mas ao mesmo tempo confusa, pois quando recebera a missão de Astrid, uma certeza de que seriam capazes de cumpri-la arrebatava sua alma. Teria sido ela imprudente e arrogante? Ou teria ela um excesso de confiança perigoso como o de seu pai?
Nesse momento foi Nehssa que interveio.
"Ayreon, não reconheço você. Está falando como um pooka bêbado. Você acredita mesmo que um grupo de fadas outonais seria capaz de encontrar a Rainha de Arcádia? Acha mesmo que não seriam os primeiros a mata-la em nome da banalidade ou de um de seus reis de mentirinha? Faça-me o favor! Você mesmo seria capaz de cortar a garganta de Miranda em nome de algum Duque para tentar reverter de alguma forma seu exílio e de sua casa comedora de osteas!" a Jovem Droll parecia enfurecida, Ayreon estava perplexo com a ousadia da garota, e levou a mão ao cabo da espada.
"Sua Droll insolente! o que você sabe sobre as casas nobres? por um acaso possui algum título sua aranhazinha medíocre?!"
Tulio observava preocupado, mas naquele momento precisava botar ordem nas coisas, antes que o pior acontecesse.
"CHEGA!" uma onda de calor atravessou a sala, derrubou copos e garrafas, arremessou talheres e cadeiras vazias. Ayreon se conteve, cheio de vergonha por dentro, mas incapaz de demonstra-la, ao invés disso apenas sorriu e mandou um beijo provocativo para Nehssa que mostrou o dedo médio. O Mago continuou.
"Escutem...Astrid e Asfin chegarão em breve. Eles tem informações, que conseguiram com uma Vampira conhecida por ter um selo com a Rainha walleria e, consequentemente, obrigação de ajuda-la. Acredito que com isso serão capazes de bolar algum plano. No entanto, brigando e ofendendo a si mesmos só estarão acelerando o destino trágico da garota. Se recomponham..."
"Desculpe Tulio..." Millena estava envergonhada, Nehssa baixou a cabeça e não disse mais nada, Ayreon apenas colocou mais um pouco de vinho e ficou pensativo.
A noite avançava depois do banquete. Tulio se retirara, dizendo que assim que a Regente chegasse mandaria chamar a todos, o que os impediu de dormir, mesmo que conseguissem.
Ayreon foi para a biblioteca, o que fez Apollo se levantar imediatamente e deixar o lugar. Millena não se incomodou quando o Shide se sentou de frente para ela, com um olhar intrigado e um sorriso cínico.
"Você me intriga maga. Até agora não entendo como é capaz de usar ambas as artes mágicas..." ele a olhava nos olhos de forma perturbadora, mas a jovem de cabelos azuis desviava o olhar habilmente para as páginas dos pergaminhos que lia.
"Talvez se você se esforçasse para retornar a seu lado Seelie eu me sentisse mais inclinada a tentar explicar..." ela sorriu, mas não olhou para ele. Aquilo pegou o Shide de surpresa.
"Isso não vai funcionar comigo senhorita..."
"Uma pena" a garota apenas sorriu
Millena continuava com os olhos na leitura quando foi interrompida por um tapa que arremessou o livro para longe, Ayreon estava inclinado na direção dela e seus olhos eram fúria. Ele emanava uma aura magnífica de poder e autoridade, mas ao mesmo tempo de ira, violência e angustia.
"Não brinque comigo, não tente fazer um Shide parecer estúpido..."
A Maga então sacou uma espada exatamente do nada. Ela se materializou como se sempre estivesse ali. Era uma bela lâmina feita de alguma liga estranha, emanava ferro frio, mas ao mesmo tempo emanava outras energias letais. Sua empunhadura tinha um buraco para cada dedo, o que fazia com que o punho ficasse firme e fosse impossível desarmar seu portador sem arrancar-lhe os dedos. Por fim, acima do protetor haviam 4 gemas. Na verdade eram três, e um espaço vazio para a ultima. De baixo para cima, uma gema branca azulada, como uma pérola de gelo, seguida por uma pedra laranja e quente e por fim um rubi sangrento. Ayreon arregalou os olhos e se afastou.
"É isso!, isso que permite que eu faça uso das artes de Arcádia. Conhece Lord Ayreon? lembra-se de tê-la visto em alguma vida passada? Talvez quando assumiu a regência de Arcádia há mais de mil anos atrás?" Millena estava firme, a voz empostada e intimidante. A energia da espada fazia com que Ayreon se afastasse ainda mais.
Ele se lembrou. Ele visitou seu ancestral antigo e relembrou sua vida, e morte. Se lembrou de quando era o senhor de Arcádia e de como aquela espada havia tirado sua vida, fazendo com que ele só conseguisse renascer séculos depois.
"Calaelen..." ele proferiu o nome como se fosse alguém da família
"O Tormento...sim...é ela...e eu sou sua guardiã. Em algum momento do passado Lord Ayreon, nós nos conhecemos, e por algum motivo, eu, uma maga, recebi a missão de guardar esse artefato e protege-lo por todas as minhas vidas. mas algo me desviou de meu caminho. E aqui estou eu, nessa nova vida, para tentar mais uma vez..."
"Eu...me...lembro..." Ayreon se sentia mais firme, menos irritado. Seu lado Seelie estava de volta, as lembranças da Corte do verão o haviam trazido um gosto doce e ao mesmo tempo trágico. "Seu nome não é estranho agora...você era outonal...espere você foi...é..."
"Irmã de Walleria, Lord Ayreon...Lady Millena...lembra?" a jovem suava aliviada, parecia um segredo que nunca poderia revelar, mas que enfim saia de suas costas.
Ayreon cambaleou, seu mundo girava. Aquela maga era uma nobre da corte de Outono, renascera entre os magos para trazer os tempos de glória de volta? ou para salvar a irmã?
Aquilo explicava ainda mais o motivo de Astrid ter a escolhido para a missão..."Céus como fico estúpido quando meu lado unseelie toma conta..." ele pensou.
Nesse momento um acólito de vestes vermelhas e cabelos raspados  se aproximou gentilmente da mesa, Millena fez a espada desaparecer e sorriu como uma menina levada, aquilo fez Ayreon corar, havia mais alguma coisa no passado da maga que tinha a ver com ele, mas antes de perguntar o acólito interveio.
"Senhores, perdão pela intromissão, mas o Senhor Tulio os convoca para a sala de reuniões, a Regente de Arcádia e seu consorte acabaram de chegar."

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A Guerra dos Vermes XII: O Inimigo do Meu Inimigo Deve ser Pior que Ele



Ha muitos anos, Seattle foi o campo de atuação do Carniceiro Virtual, mais conhecido como Rush Dalton. O nome de tribo lhe foi dado por seu velho Mestre, o portador Dança com Espíritos devido á habilidade notória do Andarilho em caçar e destruir as mais odiosas crias da Wyrm, os Vampiros. Com o passar do tempo, Rush foi deixando de lado essa "predileção" e passou a caçar todos os seres da Wyrm, mas sempre que algum sangue-suga cruza seu caminho, Rush sempre o manda de volta para o abismo com um sorriso no rosto. Não era, no entanto o caso agora.
o Galpão era grande e cheirava a lixo e ferrugem. Pilhas de metal retorcido formavam um labirinto e no fundo da construção havia um elevado, onde um trono de lixo e entulhos servia de descanso para um Dançarino da Espiral Negra. O que Rush não podia imaginar é que Morte pelas Mãos da Wyrm não seria sua preocupação, e sim uma figura familiar, mas há muito tempo ausente." Esse é o problema com os cainitas." O Andarilho pensou "Você os derrota, e eles desaparecem por quase sua vida inteira, então, quando você está velho e decadente, eles surgem do inferno para se vingar de algo que você nem se lembra mais. Mas ele sim."
Rush tentava manter a calma enquanto via sua filha nas garras do maldito, ele havia feito a jovem Ahoun dos Andarilhos correr em sua direção, mesmo com todos os gritos e apelos do pai. Sua mente havia sido tomada pelo poder da criatura e agora ele a tinha em seu poder. O braço ao redor do pescoço dela e uma garra afiada em posição na jugular da Garou. Mesmo sendo uma guerreira de gaia, a jovem não conseguiria sobreviver a um ferimento desses. As garras dos vampiros tem algum componente imundo que dificulta a regeneração, ele sabia disso mais do que ninguém.Erika havia insistido muito para acompanhar o pai e Denise, Rush aceitou pois seria acima de tudo mais um Garou e sabia que sua filha já era um Fostern. Ele só não sabia que encontraria um ser capaz de dominar sua mente de forma tão fácil.
O nome era Anastaz Benedeck, um Tzmisce, Arcebispo do Sabá e senhor de uma vampira bela e sedutora, a qual rush fez atravessar uma unidade de munição explosiva pela cabeça. Na época o velho jurou vingança. Hoje, parece que ele estava perto de consegui-la.
"O destino foi generoso comigo não acha Carniceiro Virtual? Nome interessante, me parece um título de filme dos anos 90, ou seria dos 80? Bem odeio mesmo todos os filmes modernos, preferia aqueles sem som...Mas voltando ao destino...ficamos assim? Você destrói uma filha minha, eu destruo uma sua? Acho justo...e você?" 
O vampiro cheirou os cabelos de Erika, que parecia sem reação. A magia a deixava estática, olhos arregalados. Aquilo dava calafrios a Rush que eram quase impossíveis de resistir, ma suma forma crinos na hora errada naquele momento poderia significar a morte de sua filha.
Denise apontava a escopeta para o vampiro, mas Rush podia sentir que ela estava perdendo a paciência. Além de uma garou, Erika era sua melhor amiga, e a parente tinha coragem o suficiente para morrer por ela, o que Rush não suportaria.
"Largue ela e me enfrente com honra. É a mim que você quer, sua vingança é contra mim." O Andarilho tentava manter a calma.
"Honra? Achou honrado atirar com uma bala com explosivo suficiente para derrubar um tanque através da cabeça do ser que eu mais amava em minha miserável existência? Me lembro de ter visto você rir quando a cabeça dela explodiu e seu corpo começou a se tornar pó, na minha frente, acha engraçado destruir o sentimento de um vampiro? Talvez eu ache engraçado destruir os de um lupino hã?  O que vocês lupinos acham que são? onde está aquilo que vocês se baseiam para essas ideologias? Se acham menos monstruosos do que nós? por que? Devo perguntar aos fantasmas do Impergium?"
 O cainita parecia realmente irritado, seus olhos eram fixos e Rush sabia que ele estava falando sério, se não agisse rápido, seria o fim de Erika.
"Eu era um filhote. Naquela época, eu caçava a Wyrm, e perguntava depois. Certos valores morais hoje me são mais claros, mas eu apenas fiz meu dever. Erika nunca matou um inocente, ao contrário de sua prole..." 
Rush percebeu a cagada tarde demais, maldita língua de ragabash, mais rápida que seu próprio cérebro. O vampiro fechou a expressão, Erika sofreu com aquilo e sua primeira gota de sangue escorreu pescoço abaixo, manchando a camiseta branca.
 "Então é uma questão de julgamento. Minha prole matou inocentes, sua filha não. Você destruiu minha prole por ser culpada, então, por lógica eu não posso matar a sua. ponto para você. Não a matarei. Talvez eu prefira algo mais divertido, para que ela tenha a mesma sede de minha filha, mate inocentes e então, você, o vingador de Gaia, tenha que matá-la. Ah sim...claro, se ela sobreviver ao processo..." O sorriso era psicótico, as presas estavam armadas e ele as cravou no ombro de Erika, que continuou não expressando nenhuma reação. 
Denise gritou e não atirou por muito pouco, uma voz grave veio do trono de lixo. "PARE! ou eu terei que para-lo, Anastaz..."
Rush já estava em crinos, a fúria estava quase vindo á tona mas ele conseguiu forçar sua vontade e permanecer consciente. O Dançarino que lhe tirara a primeira esposa, e que tentara matar a ele e os seus durante décadas, acabava de salvar a vida de sua filha.
"Nosso intuito aqui não é derramar sangue desnecessariamente, não nos ajudará me nada torturar o Andarilho, por mais que ele mereça, e atrair a fúria de seu caern só atrasaria nossa missão. Aguarde, O Dragão nos concede a vingança, sempre, não é Rush? Michele é a prova....morta disso...estou certo?" O Vampiro soltou Erika no chão com muito ódio, o som do corpo inerte da filha estabacando no chão foi uma das piores coisas que Rush já havia ouvido em sua vida.
 Denise correu até ela, a pegou nos braços, já assumindo a forma Glabro que Rush costumava chamar de "a macaca mais bela que já tinha visto". Sua filha estava, pelo menos agora, á salvo. Ele se forçou mais uma vez a se acalmar, pediu força e paciência á barata, e como sempre, ela atendeu. Anastaz olhava Rush com desprezo, e a promessa de vingança agora brilhava nos olhos dos dois. O Dançarino da Espiral Negra continuou seu discurso.
"Rush, você atendeu a nosso...chamado...então imagino que está disposto a uma trégua em causa de um inimigo comum..."
"Depende." Rush não tirava os olhos do vampiro.
"De que?" O dançarino parecia sério.
"O que me garante que no momento em que o enfrentamento ocorra, você e seu amigo comedor de terra não mudarão de lado e nos atacarão pelas costas?" 
"Nada." Anastaz interveio "Mas garanto que Morgana matará a você, seu caern, e depois virá atrás de Morte pelas mãos da Wyrm, que comanda a cabeça da Besta da Guerra e de mim, senhor do Corruptor de Almas. vocês lupinos acreditam que uma criatura deve ser maligna e necessariamente estúpida. Que não somos capazes de assumir quando não podemos lidar sozinhos com uma situação. Ou vocês educam seus filhotes com filmes da Disney, ou são arrogantes mesmo..."
Rush ignorou a provocação. Havia tido um belo exemplo daquilo ao que o vampiro se referia ainda na reunião com os anciões no caern de horas mais cedo. Ele resolveu dar uma chance aos monstros, afinal, se quisessem matar a ele e suas garotas, já o teriam tentado.
" E o que tem em mente?" o andarilho relaxou a postura, mas continuou na forma crinos.
"Aquilo que parece ser consenso." o dançarino continuou "Impedir que Morgana receba a Pentex de mão beijada, de preferência matando a desgraçada, o que terei prazer em fazer com minhas próprias mãos." ele demonstrava um ódio exagerado, alguma coisa o havia deixado mais irritado do que o normal e Rush sabia disso.
"Você parece ter um motivo especial para odiá-la..." o ragabash usava um tom de descaso, mas foi o suficiente para provocar o guerreiro da Wyrm.
"Acho que você e seus amantes de aranhas não entenderam ainda com quem estão lidando. Morgana matou Número Dois, e exibiu sua cabeça para provar. Ela agora é a rainha única de Malfeas e controla tudo aquilo que era de poder de número dois. Me controlaria também, se eu não tivesse me rebelado." ele falava aquilo com ódio. No fundo era bom para Rush vê-lo daquela forma, mas ele escondeu bem o sorriso que quase escapou. No entanto, saber que sua inimiga em comum era poderosa a ponto de matar o Garou da Wyrm mais poderoso que se tem noticia, não era lá muito agradável.
"E como daremos conta de um ser com esse poder? Mesmo com todos os nossos recursos, ainda somos poucos. Duvido que terei apoio de meu povo, sei que alguns me seguirão, mas não posso contar com ajuda enquanto agir com vocês. Eles tentarão destruir a Maga sozinhos." ele tentava passar sinceridade.
"Você não precisa agir conosco Lupino. na verdade, seu senso de honra, glória e todas essas baboseiras que vocês prezam só nos atrapalharia." O Tizimisce foi enfático. "Temos apenas que coordenar a ação. Parte dela fica conosco, a outra com você e seus ursinhos carinhosos. É muito provável que magos e fadas também queiram a cabeça dela. Só temos que esperar para dar o golpe na hora certa."
Rush não pôde evitar baixar uma orelha e levantar a outra como um cão em dúvida.
"Magos e Fadas?"
O Dançarino completou. "Ontem, depois que tentei matar você e sua esposinha gostosa naquela estrada, senti a aproximação de Morgana. Ela perseguia alguma coisa. Segui seu rastro e assisti de camarote quando ela deu uma surra em um grupo de magos fedelhos e umas duas fadas.Enquanto você seguia para seu casamento nossa inimiga fazia mais uma conquista e avançava em seu plano. Ela levou um pipoco na cabeça e fugiu com uma menina estranha. Depois eu vi um mago aparantemente mais forte aparecer e uma fada muito puta da vida jurando vingança contra nossa amiga, foi quando resolvi sair."
"E eles não viram você?" Rush pareceu desconfiado.
"E você me viu na festa do seu casamento? quem dá presente ganha bolo" o sorriso era de escárnio, uma provocação que Rush fez, mais uma vez, força para engolir.  Denise fez uma expressão de nojo e perplexidade enquanto terminava de limpar o ferimento no ombro de Erika.
Ele poderia estar brincando, mas seria doentio da parte daquele Espiral estar lá o tempo todo, observando a felicidade do casal, seu poder era imenso, e talvez as defesas do caern não o tivessem detectado. porém poderia ter sido apenas uma piada para irrita-lo. Aqueles seres da Wyrm estavam brincando com sua cara e prontos para destruí-lo, mas ele não podia deixar de correr o risco.
"Ok, pra mim chega de conversa, antes que algo pior aconteça aqui. Eu concordo com os termos. Vamos dividir logo as tarefas e se não precisarmos nos encontrar antes de lutar contra a maga seria ainda melhor. Tentarei usar alguns contatos para achar esses magos e essas fadas, se eles estão atrás dela, podem atrapalhar se resolverem agir por conta própria. quanto mais gente coordenada melhor." Rush estava mais calmo, mas a forma crinos permanecia. Ele se apoiava em um dos joelhos para conversar com os seres da Wyrm ainda a uma altura superior.
"Eu já infiltrei alguns dançarinos entre as tropas dela. Eles sabotarão suas forças e nos darão menos gente para enfrentar. Ela costuma invocar até cinco matilhas quando está em apuros, talvez sobrem no máximo três dessa vez." O Dançarino falava com convicção.
O Tizimisce olhava com uma expressão de tédio.
"Um dos membros da diretoria da pentex é um cainita que me deve um grande favor. Ele já assinou o tal contrato mas me disse que quem está articulando toda a transação é um Dançarino de nome Andreas Blackside. Segundo esse cainita, o Dançarino só entregará o contrato quando Morgana pagar o preço que ele exigiu, e parece que ela precisa cumprir alguma missão antes também. Eu irei ter uma conversa com ele, o levarei para conhecer um dos refúgios do Sabá aqui em Seattle, na verdade levarei o refugio para conhece-lo. Não creio que conseguirei destruí-lo, mas poderei atrasa-lo. E isso atrasará Morgana."
Rush ponderou, demorou um pouco buscando por furos e armadilhas, mas por fim se deu  conta que a Propria missão como um todo era como uma armadilha de caçador com a boca cheia de dentes de metal, pronta para pega-los.
"Então, quando tiverem feito a parte de vocês, me avisem. Eu mandarei as forças do Caern e de quem mais eu conseguir juntar para um ataque direto. Basta vocês dizerem onde deve ser a batalha."
Ele andou para trás, agarrou Denise e Erika pela cintura e quando os dois seres da Wyrm fizeram um positivo com a cabeça, ele saltou para fora do ferro velho. Em poucos segundos pousava em seu jipe, já na forma hominidea e dirigindo para longe daquele inferno.
Denise estava calada. Erika ainda dormia no banco de trás.
"O que você acha minha querida?" Rush perguntou sem olhar para ela.
"Acho que você tem algo diferente em mente. Conheço quando você blefa. Não é atoa que não ganha de mim no poker." Ela sorria esperando a resposta.
"É, e nunca ganharei pelo visto..." aquilo era a confirmação do que ela havia dito, embora Denise ainda não tivesse entendido o que ele pretendia. Aquilo a deixava curiosa e exitada, mas ela deixaria que ele revelasse no momento certo.
O Andarilho ligou o viva voz do carro e discou para um velho amigo. Ninguém atendeu. Ele xingou e manobrou o jipe quase não conseguindo terminar uma curva, aquilo fez Denise rir. "Pra onde estamos indo?"
"Pra Poderosa mansão dos Cultuadores da Realidade Irreal" Rush parecia gostar do nome. "Falar com um velho amigo...acho que ele cochilou na frente do computador outra vez."
O Andarilho tinha esperanças. Se algum mago poderia saber do ocorrido e dar a ele informações de como chegar aos magos e fadas atacados por Morgana, esse mago seria Juca Bala.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A Guerra dos Vermes XI: O Dragão e seus Tesouros



"VOCÊ...É....LOUCA!!!"
Alguns dias haviam se passado desde o ultimo encontro entre a Regente de Mystara e o Eshu Ladino. Era noite na Turquia, e o frio do deserto deixava a situação ainda mais interessante. Depois de muito procurar, enfim a Dragoneza encontrara a pequena fortaleza de Vasanta, guardada por criminosos bem vestidos e cheia de prostitutas e seres de honra duvidosa. Todos fugiram aos berros de pavor quando o colossal dragão prateado surgiu no céu, atravessando concreto e metal, com um homem de jaqueta de couro e cabelos verdes se agarrando a seu pescoço.
A mansão estava destruída. Vasanta observava cada objeto, cada metal precioso, cada jóia de sua imensa coleção, todos empilhados formando um cone que chegava quase até o teto. Em sua garganta a ponta de uma espada de fio esverdeado e o belíssimo homem que a portava, com uma expressão hostil, cabelos verdes de tom escuro no rosto e um sorriso sarcástico. "Essa é a sua espada amor?"
Astrid apenas fez um menear positivo com sua gigantesca cabeça. O corpo dracônico ocupava quase todo o salão de festas da mansão onde Vasanta estava acuado. Suas asas haviam quebrado os vitrais luxuosos das janelas e os espinhos e protberâncias ósseas de sua calda haviam rachado e demolido boa parte do hall de entrada. A voz da Dragoneza parecia um trovão e ela fez questão de não ajusta-la em um tom mais baixo.
"ERA uma bela casa Vasanta. Uma casa indigna, porém de um traidor como você. O que tinha em mente, roubando a vingadora sagrada de um ser como eu? Achou mesmo que eu tentaria negociar com você? Que você conseguiria extorquir alguma vantagem em troca dela? Um perdão do exílio talvez? Você já foi mais esperto, Eshu..." As enormes narinas soltavam um vapor gelado, Vasanta sabia o que aquilo poderia significar vindo de um Dragão, Asfin, o verde sabia do que sua agora noiva, era capaz, e sorria ainda mais satisfeito.
"Vamos ser razoáveis Astrid, ok, eu preguei uma peça em você...não pude evitar, mas você não precisa me matar, já destruiu minha mansão e pilhou meu tesouro...seja piedosa, hã? o que Bahamut diria?" Ele tentava soar convincente, no entanto, havia falhado miseravelmente no argumento. Astrid encolheu os olhos, a fumaça começava a sair das narinas e Asfin previu o que aconteceria em breve.
"Amor...calma...não vale a pena desperdiçar uma baforada com esse verme...além do mais, isso afetaria muito as redondezas e algum inocente poderia pagar com a vida...que tal assumir aquela forma que eu adoro? Acho que o ladrão já entendeu o recado..."
Astrid deu um ultimo olhar de ódio, a expressão da forma Dracônica fez Vasanta se encolher como uma criança amedrontada, e gritar por piedade quando ela começou a falar.
"SE, alguma vez, um dia, eu suspeitar, ou Se alguém vier me dizer, mesmo que seja um pooka mentiroso, ou eu tiver um sonho e nele eu achar que escutei, você proferir, com essa boca imunda e amaldiçoada de traidor, o SAGRADO E IMACULADO NOME DO PODEROSO SENHOR BAHAMUT, eu voltarei, e arrancarei cada parte do seu corpo com meus dentes, mas não deixarei você morrer, reconstruirei seu corpo, e farei de novo, e se por um acaso você morrer no processo, eu trarei você de volta, e começarei tudo mais uma vez. Entendido?" A ultima frase já havia sido dita pelos delicados lábios da forma humana, de beleza hipnotizante, mas cuja expressão de ódio era igualmente intimidante. O Eshu tremia, o rosto encharcado de lágrimas. Não parecia nem de longe o perigoso senhor do crime, líder da maior organização criminosa entre os seres sobrenaturais, controladora das máfias e facções por todo o Mundo, Os Baratas, Bubasvava ou para os mais antigos, os Sanjayans.
Asfin retirou a espada do pescoço do Eshu e entregou solenemente a sua portadora de direito. Ela sorriu carinhosamente para o noivo enquanto colocava a lâmina sagrada na bainha escondida no enorme, porém galante sobretudo prateado, feito do próprio couro de dragão. Ela deu um leve beijo nos lábios do Nocker e se agachou de forma relaxada, quase infantil, ajeitando os cabelos molhados de suor do Eshu enquanto falava com voz doce e aveludada.
"Agora que estamos entendidos, ladino, quero informações. Quero que me conte melhor sobre aquela cena na fábrica. Você tem informações, eu sei. Quero saber o que Celeste pretende, quem era aquela criança e o que um necromante tem a ver com tudo isso, na verdade, quem é esse necromante, pra começar?"
Vasanta tentava recuperar a dignidade, se ajeitou erguendo as costas ainda na parede, se sentou de forma descente e ajeitou os cabelos negros.
"...O que sei sobre Celeste é que ela e Yolah estão buscando por uma menina, e há boatos de que ela é a reencarnação de algum nobre muito poderoso de Arcádia, mas isso apenas a senhora pode confirmar...certo? Será que era ela quem eles estavam levando?" O sorriso era de escárnio, era óbvio que ele sabia de quem se tratava, mas ela deixaria aquilo passar. A dragoneza estreitou os olhos mais uma vez. "E o necromante? você enrolou e não disse o que sabe sobre ele, minha paciência, como você já deve ter notado, não é muito grande..."
"Ah sim...que cabeça a minha. O Necromante é na verdade um Fantasma, uma alma penada, irmão de sangue dela e de Yolah, Um Blackside. Ele se materializou e fez algum trabalho sujo para eles. Quando eu os servia, tive o desprazer de encontrar tal criatura umas duas ou três vezes. Dizem que ele foi um grande general grego e comanda hordas de espectros em Estígia. Um ser medonho...com toda a certeza..." Vasanta assumira uma expressão mais séria, dificilmente mentiria sobre aquilo.
Astrid se levantou, parecia preocupada, era visível que alguma coisa estava fugindo de seu controle e que a Rainha Walleria estava em grandes apuros. Mas ela vira nitidamente a menina que os Blackside levavam naquele carro, e não era Walleria, com a graça de Bahamut. Ela continuou o interrogatório.
"Você parecia bastante esclarecido quando disse que o Dauntain era aquilo que estavam trazendo lá dentro. Acho que você deveria buscar um pouco mais fundo em sua memória e me dizer algo a respeito..."
Vasanta sorriu. "Não é preciso ser um grande conhecedor para saber o que estava acontecendo ali minha cara. Quem já lidou com os Blackside e com o Lord Demoníaco ao qual eles serviam, sabe do que eles são capazes. o tempo que a senhora ficou em Arcádia nublou sua percepção, é natural, mas aqui, onde a banalidade impera, é fácil determinar quando alguma coisa maior que um simples Dauntain está por perto. Aquilo não era pura banalidade...era algo pior, era uma banalidade entrópica, um paradoxo sombrio...aquela criança, era um Fomorian minha querida dragoneza, sim, os eternos inimigos dos Thuata de Daanan, nossos ancestrais mais distantes e poderosos. Um deles foi trazido, e agora cresce livre entre os changelings e logo começará a matar. Claro, me baseio em meus conhecimentos e minha intuição, que raramente me falha, mas me atiraria em um poço de ferro frio se não for o que estou pensando."
Astrid tinha os olhos perdidos, se aquilo fosse verdade o inverno Eterno estava mais próximo do que ela imaginava. A dragoneza se perdeu em um turbilhão de pensamentos, as profecias dos sluagh diziam sobre o retorno dos fomorian, mas ela havia ignorado. Todos estavam ignorando, era algo ruim demais para acreditar, e esse era o erro dos reis de outono, e dela, talvez tenha sido o erro fatal de Walleria. Ela virou as costas e caminhou até a pilha de tesouros no canto da sala, que ruía. "Macro, Micro, nada tenho mas com tudo fico" Ela guardou uma moeda de ouro no bolso do sobretudo, as palavras fizeram o glamour sorrir e a pilha de riquezas desapareceu como se nunca tivesse existido, Vasanta gritou de desespero, Asfin sorriu enquanto seguia a noiva de perto...
"Sugiro que saia daqui meu caro. Acredito que sua mansão são suportará os danos na estrutura por muito tempo...uma dica de Nocker, se adianta alguma coisa." O homem de cabelos verdes deixava a mansão de mãos dadas com a bela dragoneza, enquanto o Eshu praguejava e jurava vingança. 
Um rápido cantrip e viajaram até Seattle, estavam dentro da oficina do Nocker e ali em meio a espadas, armaduras e uma fornalha apagada, se entregaram a um profundo, ansioso e ardente beijo que quase evoluiu para algo mais quente. Mas a Regente não podia se dar ao luxo. Já havia conseguido pelo menos dizer sim ao homem de sua vida, e o casamento enfim seria realizado. Mas nada disso seria possível se Arcádia fosse destruída, selando o destino dos dois para sempre. Ela se aninhou nos braços fortes do Nocker, um dos mais respeitados e conceituados ferreiros do reino de outono e provavelmente de Arcádia. Ele beijou os cabelos prateados dela.
"Sua filha está com saudades...você deveria vê-la...não acha?" O tom não era de cobrança, mas deixava a Dragoneza triste como se fosse.
"Acha que não quero vê-la? Minha alma anseia por isso meu amor, mas não há tempo..." Ela saiu do abraço do Nocker visivelmente relutante, alguma coisa a incomodava e o velho Nocker sabia que não era nada relacionado a ele.
"Ela vai entender...mais uma vez...mas há algo a incomodando, mais do que toda essa história sobre Fomorians...o que foi Astrid? Que peso é esse em seus ombros?" Asfin massageava as costas da Dragoneza que poderia ficar ali eternamente tamanho era o prazer e o alívio que sentia com a carícia.
"Alguma coisa saiu de Mystara Asfin, alguma coisa que não deveria ter saído...seja quem for esse maldito fantasma, conseguiu trazer algo morto de Arcádia, algo morto ou aprisionado, ou talvez os dois..." Ela pegou uma dão mãos do Nocker, calejadas pelo martelo, as beijou e passou no próprio rosto
"A Fomorian? acha que ela veio de Mystara?" Ele a abraçou com firmeza e encostou o rosto no dela.
"Não tenho certeza, mas você sabe que os Msytarian e os Thuata são raças diferentes. Se esse Fomorian, for um Mystarian, as coisas podem ser muito, muito piores do que já se mostram...preciso agir Asfin, venha comigo, me ajude amor, estou sem ânimo..." Ela parecia querer chorar, mas era orgulhosa demais pra isso. Asfin apenas beijou seus cabelos novamente e sorriu "E desde quando eu deixei de acompanhar você?! Ah sim, quando você não deixava? verdade..." A Dragoneza enfim riu, deu um tapa no braço do noivo e se entregaram mais uma vez a um beijo apaixonado, aquilo ficou mais forte e quando se deu por conta,a Dragoneza  já estava no quarto da casa nos, andares superiores da oficina. Precisava daquilo, seu corpo se revigorava com cada carícia e enfim, depois de tanto tempo sem os prazeres da carne, adormeceu, em paz, algo que era raro nos últimos meses.
A madrugada avançava e Astrid já estava desperta, mas ficar ali ao lado de Asfin era algo que ela queria aproveitar mais um pouco. Não sabia quando poderia saciar seu corpo com  o Nocker outra vez, ela se aninhou ao lado dele e tentou adormecer mais uma vez.
Mas o que era bom duraria pouco, uma voz baixa começou a ecoar em sua cabeça, ficando mais alta, mais nítida, até receber a mensagem. Era Emila, sua Eshu informante, a mensagem era quase telegrafada, devido á distância, mas era o suficiente para provocar pânico na Regente de Mystara.
"Desastre, magos atacados, Rainha Capturada." 
Astrid gritou, Asfin acordou com um pulo, sua noiva chorava de ódio. estava tudo perdido? Enfim os inimigos haviam conseguido o que queriam? Não, não poderia acabar daquela forma. Astrid se levantou e começou a andar de um lado para o outro. Emila havia dado a localização de onde os magos estavam reunidos com o tal Lord Ayreon. Era o único lugar para ir. Ela não desistiria assim tão fácil.Não depois de tanto tempo.
"Vista-se amor...temos uma maga para encontrar e uma Rainha para resgatar...se Bahamut assim permitir..." O casal se vestiu, mais do que roupas, também seus tesouros e armaduras forjados ao limite da perfeição pelo Nocker. Preferiram não se transportar para o lugar onde Emila havia indicado, muitos magos, muta confusão, o paradoxo impregnado pela forma dracônica poderia afetá-los ainda mais. Era perto, usariam transporte convencional enfim.
A velha Pick Up do nocker, obviamente cheia de melhorias e modificações estava partindo quando Astrid pediu para o noivo parar. Do outro lado da rua estava um carro estranho, Asfin rapidamente reconheceu como um Zastava 10, um modelo croata. Mas não era o carro exótico que atraia o olhar da Dragoneza e sim seus ocupantes. Ela abriu a porta e seguiu na direção do veículo sob os protestos do noivo.
A porta do Zastava prateado se abriu e dela surgiu uma bela mulher de porte alto, cabelos loiros e um ar jovial, mas que trazia o peso dos séculos nas costas. Roupas das mais finas grifes e um perfume exótico que não conseguia esconder o cheiro que Astrid, a paladina de bahamut mais conhecia em toda a sua existência. o odor de um Morto-vivo. A jovem preferiu não arriscar e foi logo ao assunto.
"Meu nome é Aletha di Notre Ville, Lady Astrid, é uma honra conhece-la. Meus interesses são estritamente comerciais, mas creio que algumas informações que meus espiões obtiveram podem ser de utilidade para a senhora e seu povo. Na verdade, o histórico de nossos negócios com a Rainha Walleria é muito antigo, estou aqui em nome de minha Senhora para honrar o selo de Ouro."
Astrid sabia que era verdade. na idade das trevas uma poderosa Ventrue salvou Walleria da destruição. A Rainha criou um selo de Ouro faérico de colaboração entre as duas e seus descendentes. Embora a Dragoneza tivesse vontade de esmagar a vampira com um só golpe, ela não poderia ir contra um selo de ouro. Era difícil de engolir, mas talvez Walleria estivesse dando a eles o caminho para sua própria salvação.
A vampira entrou no carro e seguiu na frente, guiando o caminho. Astrid e Asfin a seguiram muito a contra-gosto. Aquela madrugada seria longa, e talvez o dia fosse ainda maior.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A Guerra dos Vermes X: Trocando de pele



"Maga fedelha dos infernos..."
Morgana emergiu do outro lado do portal. Ela se escorou nas paredes da velha caverna, sangrando muito. Não ouvia nada e enxergava muito pouco. "Aquela fedelha deve ter usado algo mágico, não era pra demorar tanto assim essa maldita cura..." ela pensou enquanto se dirigia á jovem Miranda, encolhida na parede, incapaz de reagir ou fugir. Seus olhos eram medo, e ao mesmo tempo dúvida. Nitidamente era uma pobre mortal que não conseguia entender como, de uma hora para a outra sua vida normal havia se tornado um inferno tão grande, cheio de seres absurdos, medonhos, os quais ela só sabia que existiam nos livros e filmes de gosto duvidoso. Rainha o cacete...
 Morgana podia entendê-la e quase sentia pena. Na verdade, sentia sim uma comoção, mas seu propósito era maior que qualquer coisa. Sua existência era devotada a um ser, e ela era consumida pela culpa por crimes que não eram seus. Se para conseguir sua maior vitória ela teria que sacrificar uma bela jovem de mexas verdes no cabelo, então não seria a primeira, muito menos a última. Ela já havia feito coisas bem piores.
O lugar era um buraco, cavado na rocha em algum lugar do Canadá. Era absurdamente frio e qualquer criatura, humana ou sobrenatural que tentasse se aproximar, encontraria um verdadeiro exército de fomores e dançarinos dispostos a afastar qualquer coisa ou morrer tentando. 
Já se algum engraçadinho tentasse usar a mesma magia que ela usou para trazer a si e a jovem rainha de tão longe, teria uma surpresa nada agradável quando percebesse que seu destino não era exatamente o traçado, com toda aquela água do mar ao redor de si e alguns tubarões para brincar.
A mulher, outrora bela, mas agora um amontoado de carne disforme, com um buraco enorme no rosto andou na direção de Miranda. Como uma ovelha conduzida pelo cão pastor, ela entrou na cela. Simplesmente uma sala construída no fim da caverna, com algum fogo para aquecer, um colchão velho e alguma comida de fast food. Morgana fechou a grade antes invisível que cheirava a ferrugem. Miranda sentiu um calafrio. Tocar aquelas grades seria pior que morrer.
Com muito esforço e gritando de dor, a Arque maga exauriu sua quintessência para fechar o ferimento. O sangue parou de escorrer mas ela ainda não conseguia regenerar o olho esquerdo. Estava quase cega. A dor ainda incomodava, mas pelo menos era algo tolerável. Ela se desfez da armadura e caminhou para uma outra parte da caverna. Um pequeno lago de água quente a esperava e ela se deixou afundar nele, e nos pensamentos.
"Você continua um espetáculo, devo dizer" a voz vinha da beira do pequeno lago, ela perdeu a concentração e quase se afogou esperneando para voltar a superfície. Não que ela pudesse morrer afogada, mas Morrigan nunca foi boa em ignorar os aspectos fisiológicos do ser humano. Na verdade, ela adorava estar viva, respirando, quente. Embora há muito tempo não precisasse mais disso. A pessoa que havia ensinado a ela o tesão pela vida estava ali, ela não conseguia acreditar. a maga enfim conseguiu se equilibrar e boiar de pé, com um reflexo estúpido e infantil de tapar os seios com as mãos. logo ela, que usava o corpo como arma, que já lutou contra exércitos nua, como se ELE nunca a tivesse visto daquela forma..."Por que diabos dou tanta pinta?" ela pensou.
"No caso do rosto, já o vi em melhor estado...gostava mais dos cabelos negros." Dark estava magnífico. os longos cabelos ondulados, negros como a alma da Wyrm escorriam pelos ombros. O terno branco com sutis listras pretas e o inseparável óculos redondo de lentes vermelhas espelhadas.
"Mas...você..." ela gaguejava como uma galinha d'angola,Morrigan havia visto Dark ser destruído, devorado por seu próprio filho. Havia sido espancada e humilhada por aquele anjo desgraçado e poupada, segundo ele para que houvesse uma testemunha da grande vitória de Deus sobre o inferno.
"Você sabe que não sou eu. Pare de ser idiota e me escute. Há muito tempo não falo com você, mas hoje é preciso." Morgana deixou a boca abrir numa estupefação rara na Rainha de malfeas. Seu avatar...depois de incontáveis tempos, enfim, falava com ela mais uma vez. Mas por que ele assumira a forma de Dark? seu amado Mestre demônio, seu amante perfeito e único homem na face da Terra que ela chamava de senhor?
"Largue esse disfarce! Mostre-se como aquela mulher-morcego nojenta que sempre foi! Não permito que me magoe dessa forma, com esse rosto...não..." seria possível que depois de tanto tempo ela iria chorar? "NUNCA" ela pensou, estava séria outra vez.
"Por que deveria mudar? Eu disse que você sabe que não sou eu. Mas quem disse que o que você sabe é a verdade? Não disse que sou Dark, mas também não disse que não sou...agora pare com essa baboseira e me escute." O homem molhava a mão na água quente, brincando de fazer redemoinhos com o dedo. Pela Wyrm! como era charmoso! ela pensou.
"Assim não consigo me concentrar...você poderia...sabe...mudar..." ela parecia uma criança.
"BASTA!" o demônio estava de pé, a expressão severa, algo que Morrigan não gostava nele. Dark continuou.
"Por que você escolheu a Wyrm primordial Morrigan? Por que simplesmente não assumiu uma das cabeças dominantes ao invés da mais antiga e fraca? O que pretende provar? pra quem? Pra mim? eu já morri, não me importo...Para as outras cabeças? Elas vão odiar você eternamente...ou será que pretende provar isso para Gaia? para seus antigos companheiros magos? Quer provar que ainda é boazinha? sente saudades do Doutor? De Sara? Elvira? Claudja? Sabe que de menos o velho estão todos mortos?"
Morgana urrou de ódio e socou a água com muita força. O ferimento no rosto abriu novamente e sangue começou a manchar a água cristalina do lago de vermelho.
"VAI PRA PUTA QUE TE PARIU AVATAR DESGRAÇADO!!! PORRA TANTO TEMPO SEM APARECER, E QUANDO APARECE É SÓ PRA FALAR ASNEIRAS??? O QUE VOCÊ QUER? NÃO QUERO PROVAR NADA PRA NINGUÉM SEU MERDA! QUERO QUE A WYRM SE LIVRE DESSA MALDITA PRISÃO, QUERO QUE A ENTROPIA VOLTE A SEU EQUILÍBRIO! E QUE...e que..." ela não aguentava mais, levou a mão ao rosto, e enfim chorou por causa da dor. Chorou por causa das lembranças e por que queria que seu amado dark estivesse ali. "Quero que o equilíbrio volte....quero paz..."
Dark sorriu, da forma mais debochada que conseguia
"Paz? Morrigan você tem a conta de quantos garou e parentes você matou, de forma cruel e implacável em todos esses anos como Rainha de malfeas? Você acha mesmo que a Wyrm teria dado a você a coroa de onix se você não fosse a criatura mais desprezível a andar pela terra de Gaia? acha mesmo que um ser medonho como você merece PAZ?"
Morrigan se encostou na beira do lago, o corpo quase todo para fora. Era tremia de frio e pequenas crostas de gelo se formavam em seus lábios e congelava o sangue que escorria de seu rosto. As lágrimas no entanto eram quentes como brasa.
"Não...sei que não mereço. Mas a paz que busco não é para mim. Gaia precisa da Wyrm, sem ela, o equilíbrio não existirá. Pergunte aos portadores da Luz...eles entenderam isso...estão perto da verdade...o verdadeiro inimigo é..."
"A Weaver? A tecnologia? O dinheiro? Pode ser...Mas isso apaga seus crimes? Se amanhã os presas de Prata e os Dançarinos da Espiral Negra derem as mãos e dançarem uma ciranda no abismo e outra na Seita do Céu noturno e resolverem se unir para destruir a Weaver, isso mudará o fato de que você mandou mais da metade dos pais e ancestrais deles para o mundo dos mortos?" Ele riu, uma gargalhada cruel, essa sim Morgana adorava. "Eu sei por que você faz tudo isso meu amor...minha Morrigan...Nunca gostei de Morgana, nome comum, lembra Rei Arthur e sua espada faz-tudo. Gosto de Morrigan. Prometa que quando curar essa cagada toda no rosto que vai voltar a deixar o cabelo negro e longo como eu gostava?"
"Prometo..." ela sussurrou, e dois segundos depois praguejou por ter feito papel de idiota mais uma vez...não era Dark, não Era seu querido raziel que estava ali, era seu avatar, seu espírito e eu-mágico. Ela tinha que se concentrar, entender a maldita mensagem.
"E por que...então...você acha que eu faço tudo isso?" Ela agora estava em si novamente, o sorriso era sarcástico, mesmo faltando dentes. 
"por que a Wyrm Primordial não pé nada mais do que a destruição primordial. Aquilo que foi criado para ser o balanço. Ser a Rainha de malfeas não é servir a Wyrm Primordial. Ela está presa em outro lugar, o feminino, o Dragão, o mal, a Entropia, a Mão Esquerda, o Lado Errado, a Escuridão, o Inferno...Você quer ser como eu...você quer ser um demônio Morrigan, uma Caída.essa "paz" que você julga buscar é na verdade orgulho. Você quer ser legitimamente um ser que nasceu para ser como você é. Não existe culpa para os demônios. E você sabe que apenas um ser conseguiu se tornar um demônio legítimo, sendo outro ser antes do processo..."
Ela parecia intrigada "Você" ela sorriu de satisfação.
"Eu não, Raziel...e você sabe como ele conseguiu..."
Morgana parecia responder a uma sabatina, bate-pronto. "Aprisionando, Derrotando e devorando Balbuzatta...bem...parte dele..."
"E quem você acha que é a Wyrm Primordial? Lúcifer? Asmodeu? ou algum outro?" ele parecia se divertir
"Não...não é nenhum deles..." ela sabia a resposta, mas não ousava pronunciar.
"Então, agora que já sabe o por que está fazendo tudo isso, vá, continue, e me traga de volta. Enquanto isso vá mudar esse cabelo, mude de nome e se prepare. Você não conseguirá nada assim tão fácil com esse seu plano da Pentex. É só o começo. Quando eu estiver de volta, ajudarei você. Quero que saiba que confio no seu poder, afinal, fui eu que te dei, não é?"
Morgana se levantou, ainda tremendo. caminhou na direção de Dark e tentou abraça-lo. Ele a empurrou e a maga caiu sentada na rocha fria, aquilo doeu mais do que o tiro que atravessara seu rosto. "Ainda não...não com esse cabelo e esse rosto...em breve..."
Dark sumiu tão rápido quanto aparecera. A maga se ergueu, a dor no rosto ainda era insuportável, mas ela sabia o que fazer. Se era seu avatar, ou se era o Senhor de Grey Rose se comunicando com ela, era difícil saber, mas ele a havia guiado para um caminho ainda mais perigoso do que o que ela estava trilhando.
Morrigan deu uma ultima olhada na prisioneira, estava dormindo, enfim, vencida pelo cansaço. Com um gesto ela se transportou para a casa velha e caindo aos pedaços na periferia de Seattle. Foi ao quarto e chamou mentalmente um de sus jovens escravos. Quando ele chegou, ela começou a acaricia-lo de forma provocante e antes que ele pudesse começar algo, cravou as mãos em forma de garras em seu peito, arrancou o coração ainda batente e o devorou, como se fosse um pedaço de bife. A quintessencia que precisava estava ali, e o rosto foi se curando, dolorosamente, até que nenhuma cicatriz estivesse presente. A Dor havia sumido. Ela pegou uma tesoura velha, alguns cremes com validade vencida e foi para o banheiro imundo e cheio de vazamentos. No espelho embaçado, ela via a esfera da vida dar forma a sua imaginação e uma torrente de cabelos negros e lisos como seda escorrerem de sua cabeça, o rosto havia mudado um pouco também, era uma nova, e ainda estupidamente bela mulher.
Miranda acordou com frio. mas logo recebeu uma confortável coberta sobre o corpo. assustada, ela apenas se calou. Era o que ordenava a bela mulher de cabelos cacheados e alaranjados, com hipnotizantes olhos azuis, vestindo um terno de homem, branco com listras pretas, com o dedo indicador á frente dos lábios, antes de desaparecer.