quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A Guerra dos Vermes X: Trocando de pele



"Maga fedelha dos infernos..."
Morgana emergiu do outro lado do portal. Ela se escorou nas paredes da velha caverna, sangrando muito. Não ouvia nada e enxergava muito pouco. "Aquela fedelha deve ter usado algo mágico, não era pra demorar tanto assim essa maldita cura..." ela pensou enquanto se dirigia á jovem Miranda, encolhida na parede, incapaz de reagir ou fugir. Seus olhos eram medo, e ao mesmo tempo dúvida. Nitidamente era uma pobre mortal que não conseguia entender como, de uma hora para a outra sua vida normal havia se tornado um inferno tão grande, cheio de seres absurdos, medonhos, os quais ela só sabia que existiam nos livros e filmes de gosto duvidoso. Rainha o cacete...
 Morgana podia entendê-la e quase sentia pena. Na verdade, sentia sim uma comoção, mas seu propósito era maior que qualquer coisa. Sua existência era devotada a um ser, e ela era consumida pela culpa por crimes que não eram seus. Se para conseguir sua maior vitória ela teria que sacrificar uma bela jovem de mexas verdes no cabelo, então não seria a primeira, muito menos a última. Ela já havia feito coisas bem piores.
O lugar era um buraco, cavado na rocha em algum lugar do Canadá. Era absurdamente frio e qualquer criatura, humana ou sobrenatural que tentasse se aproximar, encontraria um verdadeiro exército de fomores e dançarinos dispostos a afastar qualquer coisa ou morrer tentando. 
Já se algum engraçadinho tentasse usar a mesma magia que ela usou para trazer a si e a jovem rainha de tão longe, teria uma surpresa nada agradável quando percebesse que seu destino não era exatamente o traçado, com toda aquela água do mar ao redor de si e alguns tubarões para brincar.
A mulher, outrora bela, mas agora um amontoado de carne disforme, com um buraco enorme no rosto andou na direção de Miranda. Como uma ovelha conduzida pelo cão pastor, ela entrou na cela. Simplesmente uma sala construída no fim da caverna, com algum fogo para aquecer, um colchão velho e alguma comida de fast food. Morgana fechou a grade antes invisível que cheirava a ferrugem. Miranda sentiu um calafrio. Tocar aquelas grades seria pior que morrer.
Com muito esforço e gritando de dor, a Arque maga exauriu sua quintessência para fechar o ferimento. O sangue parou de escorrer mas ela ainda não conseguia regenerar o olho esquerdo. Estava quase cega. A dor ainda incomodava, mas pelo menos era algo tolerável. Ela se desfez da armadura e caminhou para uma outra parte da caverna. Um pequeno lago de água quente a esperava e ela se deixou afundar nele, e nos pensamentos.
"Você continua um espetáculo, devo dizer" a voz vinha da beira do pequeno lago, ela perdeu a concentração e quase se afogou esperneando para voltar a superfície. Não que ela pudesse morrer afogada, mas Morrigan nunca foi boa em ignorar os aspectos fisiológicos do ser humano. Na verdade, ela adorava estar viva, respirando, quente. Embora há muito tempo não precisasse mais disso. A pessoa que havia ensinado a ela o tesão pela vida estava ali, ela não conseguia acreditar. a maga enfim conseguiu se equilibrar e boiar de pé, com um reflexo estúpido e infantil de tapar os seios com as mãos. logo ela, que usava o corpo como arma, que já lutou contra exércitos nua, como se ELE nunca a tivesse visto daquela forma..."Por que diabos dou tanta pinta?" ela pensou.
"No caso do rosto, já o vi em melhor estado...gostava mais dos cabelos negros." Dark estava magnífico. os longos cabelos ondulados, negros como a alma da Wyrm escorriam pelos ombros. O terno branco com sutis listras pretas e o inseparável óculos redondo de lentes vermelhas espelhadas.
"Mas...você..." ela gaguejava como uma galinha d'angola,Morrigan havia visto Dark ser destruído, devorado por seu próprio filho. Havia sido espancada e humilhada por aquele anjo desgraçado e poupada, segundo ele para que houvesse uma testemunha da grande vitória de Deus sobre o inferno.
"Você sabe que não sou eu. Pare de ser idiota e me escute. Há muito tempo não falo com você, mas hoje é preciso." Morgana deixou a boca abrir numa estupefação rara na Rainha de malfeas. Seu avatar...depois de incontáveis tempos, enfim, falava com ela mais uma vez. Mas por que ele assumira a forma de Dark? seu amado Mestre demônio, seu amante perfeito e único homem na face da Terra que ela chamava de senhor?
"Largue esse disfarce! Mostre-se como aquela mulher-morcego nojenta que sempre foi! Não permito que me magoe dessa forma, com esse rosto...não..." seria possível que depois de tanto tempo ela iria chorar? "NUNCA" ela pensou, estava séria outra vez.
"Por que deveria mudar? Eu disse que você sabe que não sou eu. Mas quem disse que o que você sabe é a verdade? Não disse que sou Dark, mas também não disse que não sou...agora pare com essa baboseira e me escute." O homem molhava a mão na água quente, brincando de fazer redemoinhos com o dedo. Pela Wyrm! como era charmoso! ela pensou.
"Assim não consigo me concentrar...você poderia...sabe...mudar..." ela parecia uma criança.
"BASTA!" o demônio estava de pé, a expressão severa, algo que Morrigan não gostava nele. Dark continuou.
"Por que você escolheu a Wyrm primordial Morrigan? Por que simplesmente não assumiu uma das cabeças dominantes ao invés da mais antiga e fraca? O que pretende provar? pra quem? Pra mim? eu já morri, não me importo...Para as outras cabeças? Elas vão odiar você eternamente...ou será que pretende provar isso para Gaia? para seus antigos companheiros magos? Quer provar que ainda é boazinha? sente saudades do Doutor? De Sara? Elvira? Claudja? Sabe que de menos o velho estão todos mortos?"
Morgana urrou de ódio e socou a água com muita força. O ferimento no rosto abriu novamente e sangue começou a manchar a água cristalina do lago de vermelho.
"VAI PRA PUTA QUE TE PARIU AVATAR DESGRAÇADO!!! PORRA TANTO TEMPO SEM APARECER, E QUANDO APARECE É SÓ PRA FALAR ASNEIRAS??? O QUE VOCÊ QUER? NÃO QUERO PROVAR NADA PRA NINGUÉM SEU MERDA! QUERO QUE A WYRM SE LIVRE DESSA MALDITA PRISÃO, QUERO QUE A ENTROPIA VOLTE A SEU EQUILÍBRIO! E QUE...e que..." ela não aguentava mais, levou a mão ao rosto, e enfim chorou por causa da dor. Chorou por causa das lembranças e por que queria que seu amado dark estivesse ali. "Quero que o equilíbrio volte....quero paz..."
Dark sorriu, da forma mais debochada que conseguia
"Paz? Morrigan você tem a conta de quantos garou e parentes você matou, de forma cruel e implacável em todos esses anos como Rainha de malfeas? Você acha mesmo que a Wyrm teria dado a você a coroa de onix se você não fosse a criatura mais desprezível a andar pela terra de Gaia? acha mesmo que um ser medonho como você merece PAZ?"
Morrigan se encostou na beira do lago, o corpo quase todo para fora. Era tremia de frio e pequenas crostas de gelo se formavam em seus lábios e congelava o sangue que escorria de seu rosto. As lágrimas no entanto eram quentes como brasa.
"Não...sei que não mereço. Mas a paz que busco não é para mim. Gaia precisa da Wyrm, sem ela, o equilíbrio não existirá. Pergunte aos portadores da Luz...eles entenderam isso...estão perto da verdade...o verdadeiro inimigo é..."
"A Weaver? A tecnologia? O dinheiro? Pode ser...Mas isso apaga seus crimes? Se amanhã os presas de Prata e os Dançarinos da Espiral Negra derem as mãos e dançarem uma ciranda no abismo e outra na Seita do Céu noturno e resolverem se unir para destruir a Weaver, isso mudará o fato de que você mandou mais da metade dos pais e ancestrais deles para o mundo dos mortos?" Ele riu, uma gargalhada cruel, essa sim Morgana adorava. "Eu sei por que você faz tudo isso meu amor...minha Morrigan...Nunca gostei de Morgana, nome comum, lembra Rei Arthur e sua espada faz-tudo. Gosto de Morrigan. Prometa que quando curar essa cagada toda no rosto que vai voltar a deixar o cabelo negro e longo como eu gostava?"
"Prometo..." ela sussurrou, e dois segundos depois praguejou por ter feito papel de idiota mais uma vez...não era Dark, não Era seu querido raziel que estava ali, era seu avatar, seu espírito e eu-mágico. Ela tinha que se concentrar, entender a maldita mensagem.
"E por que...então...você acha que eu faço tudo isso?" Ela agora estava em si novamente, o sorriso era sarcástico, mesmo faltando dentes. 
"por que a Wyrm Primordial não pé nada mais do que a destruição primordial. Aquilo que foi criado para ser o balanço. Ser a Rainha de malfeas não é servir a Wyrm Primordial. Ela está presa em outro lugar, o feminino, o Dragão, o mal, a Entropia, a Mão Esquerda, o Lado Errado, a Escuridão, o Inferno...Você quer ser como eu...você quer ser um demônio Morrigan, uma Caída.essa "paz" que você julga buscar é na verdade orgulho. Você quer ser legitimamente um ser que nasceu para ser como você é. Não existe culpa para os demônios. E você sabe que apenas um ser conseguiu se tornar um demônio legítimo, sendo outro ser antes do processo..."
Ela parecia intrigada "Você" ela sorriu de satisfação.
"Eu não, Raziel...e você sabe como ele conseguiu..."
Morgana parecia responder a uma sabatina, bate-pronto. "Aprisionando, Derrotando e devorando Balbuzatta...bem...parte dele..."
"E quem você acha que é a Wyrm Primordial? Lúcifer? Asmodeu? ou algum outro?" ele parecia se divertir
"Não...não é nenhum deles..." ela sabia a resposta, mas não ousava pronunciar.
"Então, agora que já sabe o por que está fazendo tudo isso, vá, continue, e me traga de volta. Enquanto isso vá mudar esse cabelo, mude de nome e se prepare. Você não conseguirá nada assim tão fácil com esse seu plano da Pentex. É só o começo. Quando eu estiver de volta, ajudarei você. Quero que saiba que confio no seu poder, afinal, fui eu que te dei, não é?"
Morgana se levantou, ainda tremendo. caminhou na direção de Dark e tentou abraça-lo. Ele a empurrou e a maga caiu sentada na rocha fria, aquilo doeu mais do que o tiro que atravessara seu rosto. "Ainda não...não com esse cabelo e esse rosto...em breve..."
Dark sumiu tão rápido quanto aparecera. A maga se ergueu, a dor no rosto ainda era insuportável, mas ela sabia o que fazer. Se era seu avatar, ou se era o Senhor de Grey Rose se comunicando com ela, era difícil saber, mas ele a havia guiado para um caminho ainda mais perigoso do que o que ela estava trilhando.
Morrigan deu uma ultima olhada na prisioneira, estava dormindo, enfim, vencida pelo cansaço. Com um gesto ela se transportou para a casa velha e caindo aos pedaços na periferia de Seattle. Foi ao quarto e chamou mentalmente um de sus jovens escravos. Quando ele chegou, ela começou a acaricia-lo de forma provocante e antes que ele pudesse começar algo, cravou as mãos em forma de garras em seu peito, arrancou o coração ainda batente e o devorou, como se fosse um pedaço de bife. A quintessencia que precisava estava ali, e o rosto foi se curando, dolorosamente, até que nenhuma cicatriz estivesse presente. A Dor havia sumido. Ela pegou uma tesoura velha, alguns cremes com validade vencida e foi para o banheiro imundo e cheio de vazamentos. No espelho embaçado, ela via a esfera da vida dar forma a sua imaginação e uma torrente de cabelos negros e lisos como seda escorrerem de sua cabeça, o rosto havia mudado um pouco também, era uma nova, e ainda estupidamente bela mulher.
Miranda acordou com frio. mas logo recebeu uma confortável coberta sobre o corpo. assustada, ela apenas se calou. Era o que ordenava a bela mulher de cabelos cacheados e alaranjados, com hipnotizantes olhos azuis, vestindo um terno de homem, branco com listras pretas, com o dedo indicador á frente dos lábios, antes de desaparecer.

sábado, 26 de janeiro de 2013

A Guerra dos Vermes IX: Destruindo Orgulhos



Miranda acordou gritando. O medo em seus olhos era perceptível para qualquer pessoa com o mínimo de empatia. Ela não conseguia falar.
O Carro seguia pela longa estrada de terra, mas o tempo parecia fechar, a noite parecia mais escura. Miranda e Nehssa pegaram no sono, Apollo e Nathan estavam calados e sonolentos enquanto Caroline devorava um livro e parecia fora de órbita.
Talvez não tivesse sido uma boa ideia viajar á noite, mas Milena insistia que quanto mais cedo chegassem ao local onde um velho aliado os esperava, menos chances de que algo acontecesse com Miranda existiriam. Todos no carro se assustaram com o grito de Miranda e começaram a ficar apreensivos, Milena parecia saber que algo estava errado, Ayreon tinha certeza.
"O que houve Miranda? um pesadelo?" Nehssa tentava conforta-la, mas a jovem parecia horrorizada. Seja lá qual tenha sido o sonho, foi dos piores. A jovem não conseguia falar, a respiração estava ofegante, os olhos vidrados.
"Temos que fazer alguma coisa, ela parece estar tendo algum tipo de ataque ou surto, sei lá!" Nehssa tentava de todo o jeito reanimar Miranda, mas era inútil, ela estava em choque.
Sem aviso alguma coisa atingiu o furgão. Era quente e frio ao mesmo tempo. A verdadeira sensação era de um frio que queimava. Tudo começou a girar, todos começaram a gritar e a bater uns contra os outros enquanto o furgão capotava e queimava. Ayreon conseguia ouvir os sons de ossos quebrados e os gritos de pavor e dor. Alguma coisa havia perfurado sua barriga, ele não sabia mais de nada.
O furgão parou de cabeça para baixo. Ayreon estava acordado, mas a cabeça não parava de girar e a dor no addômen era lancinante. Mesmo assim o Shide se arrastou pela janela quebrada e tentou observar o que havia os atingido. Por todo o lado haviam chamas negras, chamas com um cheiro de mofo muito forte. Obviamente nada naturais. Ele viu algo caminhando lentamente em direção ao furgão em chamas. Ignorou a dor e se levantou, ainda tonto mas prestes a recuperar o equilíbrio.
Do outro lado ele viu quando Milena puxava a irmã pelos ombros. Caroline estava muito ferida e desacordada, Milena parecia bem, talvez tenha conseguido fazer algum efeito mágico que a protegeu. Pela porta de trás do furgão, Nathan empurrava o desacordado Apollo aos arremessos enquanto saia cambaleando, visivelmente perturbado. "ENTROPIA! Algum desgraçado atirou fogo entrópico na gente!"
Ayreon tinha uma vaga noção do que aquilo significava, e não era nada bom.
"Porra! a Verbena caiu!, agora fodeu!" Nathan segurava o braço queimado, parecia sentir muita dor, Apollo tossia e tentava ficar de pé. Ayreon procurou por Nehssa e Miranda mas não teve sorte, o alívio só veio quando viu a alguns metros um clarão violeta e o portal de glamour se abrir, dele saíram as duas, intactas, Nehssa era realmente talentosa.
Pouco tempo depois, o ser chegava cada vez mais perto. Era possível ver o contorno, era humanóide, mas ainda estava distante demais para definir. Ayreon sacou a espada e a fez girar braço direito acima, passando pelos ombros e nuca, até chegar ao outro ombro e descer pelo braço esquerdo, quando enfim a segurou com firmeza. O Cantrip era velho, mas ele sabia que o Glamour gostava. Se sentia mais forte toda vez que o usava, mais ágil e mais resistente. O ferimento ainda doía, mas um dom especial que os deuses Faéricos lhe deram ia cura-lo, era questão de tempo.
"Não sei quem é você mas vai se arrepender por isso! Afaste-se, ou eu arrancarei sua cabeça!" Ayreon deixou escapar a fúria, um ataque tão agressivo era demais até para sua paciência. Ele caminhou na direção da criatura e parou, traçou uma linha reta com a ponta da espada e gritou mais uma vez. "Não avance mais! eu, Lord Ayreon, da casa Liam o PROÍBO!"
A criatura continuou a avançar. Agora Ayreon podia ver com mais clareza a mulher alta, de cabelos vermelhos com corte estranho e um corpo absurdamente definido. Ela vestia algo que Ayreon só conseguia definir como armadura erótica. Um micro vestido que deixava as pernas e os ombros completamente a mostra, porém feito de metal negro-esverdeado. Era uma das mulheres mais provocantes que já vira em sua existência, mesmo as Shide mais belas pareciam inferiores. Ela sorria de forma irresistível.
Ayreon não conseguia desviar os olhos daquele corpo, aquelas curvas. Ela se aproximava, mais e mais, até que ele começou a sentir o perfume, era algo delicioso, a cada passo que ela dava em sua direção, ele a queria mais perto. Ele poderia possuí-la ali se quisesse, era um Shide poderoso. na verdade, Ayreon começou a pensar, era ele quem deveria estar no trono de Mystara, não aquela criatura antiga e ultrapassada. e se...e se ele se juntasse á aquela beldade? Juntos eles poderiam matar a fedelha, e ele a levaria para seu castelo, seu antigo castelo, e a possuiria naquela cama, sim, a que foi de seus pais. Ah como ela deve ser perfeita sem aquela armadura...será que ele conseguiria arranca-la com a espada?
Milena gritou quando a mulher ignorou a linha traçada por Ayreon, ela viu o Shide sorrir enquanto a mulher desfilava de forma provocante e vulgar, passando por ele. Ayreon era outra pessoa, aquele não era o verdadeiro, não poderia ser. 
A jovem maga se colocou á frente da Mulher e apontou para ela um grande Grimório, como se fosse uma arma.
"Pelo Selo de Hermes você não passará por mim criatura! Afaste-se, ou terei que destruí-la!"
A Mulher parou, sorriu ao olhar para o grimório. O mesmo saiu das mãos de Milena e flutuou para as da Mulher, ela foleou rapidamente as grossas páginas e o jogou para trás como se fosse lixo.
"Nada que eu não saiba..." ela disse irônica enquanto caminhava na direção de Milena
Nesse momento uma bola de fogo atingiu as costas da mulher. Ela fez um esgar de dor, as costas e os ombros nus estavam em chamas e cheiravam a carne queimada. Ela sorriu e fechou as mãos.
"Então eles tem um Djjin, é?" ela fez com que as chamas que feriam seu corpo passassem para as mãos, fez com que crescessem e se tornassem negras, apontou o dedo para Apollo, que ainda tinha as mãos cheias de fumaça e a pele vermelha e disse "Vocês tem futuro...estou impressionada. Mas ainda precisam estudar muito". 
Apollo assumiu uma postura de defesa mas a bola de fogo que em tese seria para ele voou e explodiu entre Nehssa e Miranda, que estavam do lado oposto tentando se aproximar sem serem vistas, arremessando cada uma para um lado. 
Milena gritou, fez o grimório voar de volta para sua mão com um movimento rápido e vociferou um feitiço em uma língua que apenas os Herméticos conheciam. Um círculo de quintessencia avermelhado surgiu sob os pés da Mulher e dele começaram a sair uma quantidade enorme de correntes. Elas começaram a se enrolar nos pulsos e tornozelos da inimiga e em alguns segundos ela estava firmemente presa. Porém não esboçava nenhuma emoção, apenas aquele sorriso cretino e irritante. "Correntes?! é algo meio ultrapassado não acha? Talvez deva tentar algo mais criativo, como uma jaula, serpentes ou algo do tipo, tente sempre as de energia, ou elementos, materializar correntes pode se mostrar inútil quando seu alvo pode deixar de ser sólido..."
A inimiga começou a se transformar em algo estranho, seu rosto começou a se desfigurar e em alguns segundos ela era um ser de água, negra como o piche, mas ainda sim, água. As correntes foram deixadas para trás e aquela torrente líquida se moveu, passando por baixo das pernas de Milena e se dirigindo á Miranda, que tentava se levantar, muito atordoada. Nehssa tentava se erguer, mas um osso de sua perna estava para fora, uma fratura exposta que não permitia nem que ela pensasse em se mover.
A Mulher voltou a ser ela mesma e com um rápido movimento fez com que as chamas negras espalhadas pela estrada de terra e que ainda consumiam o furgão se juntassem em um grande círculo ao redor dela e de todos os presentes. Ela se agachou, segurou o braço de Miranda, que tentou se soltar mas estava muito fraca para tanto. Milena ergueu mais uma vez o grimório e gritou mais algumas palavras. Antes da dor, veio o grito de Nathan. "NÃO!!!"
O relâmpago que saiu do livro, e que era destinado para a inimiga inexplicavelmente atingiu o espelho de um dos retrovisores do furgão e retornou explodindo em uma descarga elétrica que arremessou Milena para longe, acabando com o resto de suas forças. "Pa....paradoxo sua vagabunda..." a jovem de cabelos azuis praguejou antes de desmaiar.
A inimiga começava a invocar um efeito de correspondência, um buraco negro cheio de piche se abria no chão quando ela ouviu um estrondo e sentiu gosto de pólvora. Sua cabeça agora tinha um rombo gigantesco, que atravessava a nuca e saia pelo olho esquerdo. Dor, muita dor...
"Meu Pai sempre disse que certas coisas se resolvem apenas com uma bala..." Caroline mal parava de pé, mas a arma de calibre grosso, pintada com uma espécie de metal azul ainda fumegava, ela estava coberta do sangue da inimiga.
A Mulher sorriu, era algo medonho aquela cabeça destruída ainda com alguma expressão facial.
"Velo zolpe voxinha..." a inimiga parecia sem poder mover alguns músculos da face. Mas aquilo não a impediu de empurrar Miranda para dentro do buraco, que se fechou assim que a jovem em pânico desapareceu. A inimiga fez uma reverência sarcástica e sumiu em uma nuvem negra e mofada. Caroline disparou mais umas três vezes enquanto a inimiga escapava, mas as balas simplesmente a atravessavam.
Depois de se acalmar com muita dificuldade, a Verbena começou a verificar o estado de todos, as lágrimas corriam por seu rosto. A jovem curandeira começou a recitar seus mantras e usar seus pequenos frascos de remédio que sempre levava consigo. Acordou primeiro a irmã, que urrava de ódio. 
"MALDITA!" Milena só conseguia repetir isso enquanto chorava. Apollo se aproximou de Caroline e juntos foram até Nehssa, ele e Nathan tiveram que segura-la enquanto Caroline colocava o osso no lugar e recitava um feitiço de cura dos mais eficazes.
Alguns minutos depois estavam todos reunidos. O fogo negro havia se extinguido e o furgão era passado. Estavam sozinhos, feridos e perdidos em uma estrada no meio do nada. Mas o pior era ver a cena mais adiante.
Ayreon estava catatônico. O Herói, aquele que deveria ser o guardião da rainha, para enfim recuperar sua honra havia perdido a razão e permitido que seu lado Unseelie tomasse o controle. Agora, Milena sabia, ele estava mergulhado na mais completa culpa e ódio. Só a vingança traria o herói de volta. O Mundo girava ao redor da Meio-fada. Haviam falhado miseravelmente em sua missão. A Dragoneza ficaria furiosa.
Milena se aproximou de Ayreon, ele parecia não nota-la. A jovem o abraçou, acariciou seus cabelos e tentou secar suas lágrimas. Mas nada parecia adiantar.
Um clarão interrompeu os lamentos e os gemidos. Era uma luz magnifica, um vermelho alaranjado, uma luz que transbordava de vida e calor. Aos poucos ela foi se apagando, até se extinguir, revelando seu portador. Era um pombo. Um pombo gordo e engraçado, cinza e comum. E o pombo além de tudo, falava.
"Hey! Milena! o que está acontecendo por aqui? que cheiro de mofo é esse?!"
"Entropia Cosmo..." a voz vinha de uma figura que surgia da escuridão. Um belo homem de cabelos vermelhos e jeito jovial. A pouca idade era enganosa. Aquele era o Mestre de sua Mãe e ocasionalmente o dela. Milena correu para abraça-lo, e ali ela era uma jovem garotinha chorona novamente.
"Tulio, Graças aos espíritos é você..." Caroline sorriu aliviada, assim como todos os outros. Nehssa era ódio puro, mas compartilhou d sentimento dos magos.
"Vocês começaram a demorar, senti o cheiro de entropia mas não consegui chegar a tempo.." o Mago disse decepcionado. Ayreon enfim quebrou o silêncio.
"Não temos tempo a perder...aquele ser destruiu minha honra e levou a Rainha. Quero a cabeça dela, na ponta de minha espada nem que seja a ultima coisa que eu faça! Ela me fez parecer um idiota...e SHIDES NÃO PODEM PARECER IDIOTAS! NUNCA!"
Tulio fez um positivo com a cabeça, ainda sem entender muito o corrido. Era um homem simples e ás vezes até tímido. Em seus braços Milena havia ouvido as palavras de Lord Ayreon. Ele estava de volta, mas seu lado Seelie não.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A Guerra dos Vermes VIII: Entre o Acônito e a Prata



O andarilho aproveitou cada segundo, cada sorriso, cada olhar. Dançou com sua esposa, com sua filha e com todas as filhotes do caern. Contou piadas e velhas historias da "Wolfgang" junto a seus velhos companheiros de matilha. No fim de tudo, ainda foi para a suite reservada em um belíssimo hotel em Seattle, presente de Erika, e teve a melhor noite de amor de sua vida com sua jovem esposa. O que mais um velho lobisomem iria querer? O que faltava?
Sua esposa era uma parente corajosa e acima de tudo util. Não era uma daquelas assustadas que deviam ser protegidas o tempo todo, embora Rush tentasse faze-lo mesmo com as reclamações dela. Denise fazia a diferença. Em vários combates ela coordenou os outros parentes, e as baixas foram mínimas. Alguns anciões diziam que ela era um típico caso de parente que merecia ser um garou, e ainda foram mais ácidos, dizendo que ela mesmo sendo uma parente já havia feito mais para aquele caern do que muitos garous poderosos e orgulhosos que passaram ou trabalharam nele. Rush era puro orgulho.
A sala de reuniões estava descontraída. Rush e Denise chegaram aos risos e afagos, como um casal em lua de mel. Os outros Anciões pareciam gostar daquilo, principalmente o velho Dança-com-Espíritos, um portador da luz cego, que mesmo com seus 112 anos parecia mais jovem que Rush. Ele era conservador e aquela união parecia ser a redenção do Andarilho. 
Poucos sabiam, mas ha anos o ainda aparentemente jovem Rushmore Dalton se envolveu com uma Senhora das sombras e desse ato desonrado nasceu Alfred, um impuro. Na época Rush se defendeu apegando-se a seu augúrio. Ele sempre foi contra a marginalização dos impuros, mas a sociedade garou é rígida demais, e os Andarilhos não o adotaram, muito menos os Senhores das Sombras, inclusive sua propria mãe, o que pôs um fim ao relacionamento e fez Rush se arrepender do fundo de sua alma. Nike Veloz então o levou para o caern de Mãe Larissa e o jovem hoje bate no peito orgulhoso por ser um dos Roedores de Ossos. Rush quase se tornou um Ronim naquela época e ha quem diga que se não fossem seus feitos e o maldito que aprisiona em seu proprio peito, protegendo a sociedade garou ha tantos anos, ele seria declarado como tal. A mãe de Alfred nunca mais conseguiu renome em sua tribo e morreu em combate. Ha quem diga que foi suicídio.
Nike veloz costumava brincar dizendo que a sala de reuniões dos anciões daquele caern de Andarilhos parecia com a sala do conselho Jedi. Ninguém discordava e Dança-com-Espíritos sempre ficava irritado quando diziam que parecia ainda mais pois tinham um Yoda.
Rush beijou Denise, ela se despediu dos anciões e saiu. Rush sabia que ela e Erika iam tentar um jeito de escutar a conversa toda do lado de fora, e ele havia facilitado isso, invocando um pequeno gaffiling da barata para o celular de Erika. Uma pequena travessura, afinal, ele não seria um Ragabash decente se não refinasse suas afrontas ás leis rígidas do conselho garou. 
Estavam todos ali, em suas cadeiras. Haviam notebooks conectados á aranhas padrão capazes de levar informações a todos os caerns de Andarilhos por todo o Mundo muito mais rápido do que qualquer internet. Nike Veloz, Dança-Com-Espíritos e Agora-Grande-Pequeno-Rabo-Que-Fede já eram velhos conhecidos e irmãos, mas haviam outros membros que Rush aprendeu a respeitar e gostar como amigos. A bela Fúria Negra de voz masculina e olhar intimidador, gaia Suprema, o Presa de Prata Andrey Abramov e a sempre com pressa Dirige-Cometa, dos Andarilhos. Rush se sentou, e ficou alguns segundos em silêncio, encarando todos eles. Aos poucos os risos e burburinhos foram sessando e todos olharam para Rush ao grito de "SILÊNCIO!" de Gaia Suprema. Rush achou aquilo desnecessário e segurou o riso, conseguindo se conter. Alguns Galliard e Ragabash maldosos diziam que Gaia Suprema tinha uma queda pelo Andarilho, algo que ele evitava cogitar e ao mesmo tempo se orgulhava. Afinal, se uma Fúria Negra o achava digno de ser escolhido como macho, era no mínimo uma grande honra. mas ela nunca admitiu isso e ele muito menos alimentou o fato. Ele temia pela segurança de Denise acima de tudo.
Nike Veloz, como sempre fez as honras. "Salve Rush Dalton, Carniceiro Virtual, Ancião Ragabash dos Andarilhos do Asfalto! Esse conselho de anciões se reune aqui hoje a seu pedido, espero que seja algo muito importante pois você tem uma jovem e bela esposa esperando para terminar uma lua de mel cruelmente interrompida..." Havia um tom de escárnio típico no Theurge dos Roedores, mas Rush sabia que não havia ninguém fora de sua tribo em quem ele pudesse confiar mais do que em Nike e Rabo que Fede. 
O Ragabash dos Roedores, por sua vez, um maltratado cão vira-latas, se coçava irritantemente em sua cadeira, chegava a ser desesperador e parecia que o lupino não conseguia nem mesmo se concentrar na conversa, mas esse era seu maior truque, ser ignorado e subestimado. Muitos anciões da Wyrm tombaram diante de suas presas poderosas ao cometer esse erro.
"PORRA RABO QUE FEDE PARA DE COÇAR!" Dirige Cometas estava impaciente, o lupino a ignorou, mas falou com uma voz esganiçada, palavras na língua hominídea. "Pulgas...maldi-tas Pul-gas..."
Nike veloz riu alto " Eu avisei, você quis invadir o refugio daquele vampiro nosferatu sozinho, agora está infestado de pulgas carniçais! Só um ritual da purificação pode resolver!" ele soava ainda mais sarcástico, O lupino parou bruscamente de se coçar, olhou com uma expressão de indignação para o Theurge e disse "Você está sugerindo um banho? é isso mesmo que eu ouvi?" Nike fechou a expressão "Isso tambem serve, mas não vai mata-las, afinal, são carniçais. Você terá de esperar até eu terminar todos os rituais no pessoal que sobreviveu em Grey Rose, é muita radiação pra um caern Só!"
Todos riam, menos Rush e Dança-com-Espíritos. O velho Portador já havia prescrutado o espírito de seu antigo filhote, e sabia que algo muito ruim estava para ser dito. Rush apenas sorriu para não passar por resmungão, mas realmente não conseguia ter o bom humor habitual. O velho Portador da Luz apenas ergueu a mão em gesto de silêncio, todos pararam, na mesma hora. A voz cansada apenas proferiu algumas palavras. "Calem-se, a coisa é séria, deixem Rush falar." Rabo que Fede parou de se coçar, Nike se ajeitou na cadeira, todos agora estavam concentrados e sérios.
Rush pigarreou, se ajeitou na cadeira e começou a falar.
"Senhores Anciões do Caern da Mãe Aranha, o que tenho para informar é grave. Não vou gastar muitas palavras explicando, peço que vejam por si mesmos." Rush tirou o envelope amassado do bolso e colocou em cima da mesa, que era bem baixa e ficava ao centro onde as cadeiras estavam em círculos. Nike Veloz deu um pulo para trás, Dança-com-Espíritos se levantou, assumiu a forma glabro e uma base de kalindô, Rabo que fede desapareceu e os outros estavam sem ação.
"COMO OUSA TRAZER UM OBJETO TÃO MACULADO PARA O MEIO DOS ANCIÕES DE UM CAERN CARNICEIRO VIRTUAL??? POR ACASO PERDEU O JUÍZO RAGABASH? FINALMENTE ESTÁ CORROMPIDO?!" Dança com Espíritos urrava em fúria, o que não era normal. Isso assustou os outros anciões muito mais do que o envelope. Rush permaneceu calmo.
"Você velho mestre, sabe mais do que ninguém que não estou corrompido. Este papel está com uma emanação pois veio de seres da wyrm capazes de esmagar a nós todos se quisessem. Mas o mais perigoso está em seu conteudo, leiam, esqueçam as pequenas ofensas e prestem atenção na situação, o caso é muito sério." Rush continuou onde estava, imóvel. O Mestre Portador retornou á forma hominídea, respirou fundo e se desculpou, pegando o envelope e o abrindo, todos sabiam que apesar de físicamente cego, ele era o que tinha a melhor visão de todos ali, os espíritos emprestavam a ele seus olhos, e ele podia ver até o invisível. Ele leu em voz alta. O Documento atestava que e livre escolha, uma maioria dos acionistas da Pentex havia decidido vender suas partes á apenas uma pessoa, que agora detinha 90% das ações da mega empresa. Sendo assim, se intitulava como nova presidente e acionista majoritária, sendo o título reconhecido e aprovado por todos os envolvidos no negócio. A compradora era Morrigan Stonewall, Morgana, Rainha de Malfeas, uma das mais poderosas criaturas da Wyrm em atividade. O silêncio reinou por algum tempo, Rush o quebrou.
"Um dos nossos maiores trunfos, era o de que a Wyrm possui várias cabeças, e que todas lutavam entre si. Assim, as forças deles eram sempre divididas contra nós e contra as outras cabeças. Ainda assim estamos perdendo a guerra. imaginem agora, que esta maldita está claramente tentando unir a Wyrm em uma só cabeça? Vocês tem noção do que isso significa?"
"Uma chance" Rabo que fede falou. Era estranho ver aquele esquálido vira-latas falar com tanta firmeza. "O momento de transição é conturbado, ela pode ter comprado a Pentex e vai tentar enfiar goela a baixo dos outros líderes da Hidra sua pretensão, mas duvido que eles irão aceitar tão facilmente. Esse é o momento de atacar, enquanto estão se degladiando na política, enfiamos nossas adagas nas costas deles." Nike veloz apontou para o ancião ragabash dos roedores, como se concordasse com aquilo. Gaia suprema estalou os dedos, quase em êxtase, Andrey coçava a cabeça compulsivamente, pensativo e Dirige Cometas abrira o notebook, parecia estar digitando algo, aparentemente fazendo cálculos. Rush sorriu.
"Você pode estar certo totó, mas será que temos condições táticas para acertar esse tiro? é quase o tiro na Estrela da Morte, uma chance ou nada, ou damos um golpe pesado na Wyrm ou condenamos gaia para sempre..." Rsuh disse se inclinando na cadeira, Gaia Suprema mostrou irritação. "O que você quer dizer com condições táticas andarilho? Por um acaso duvida da capacidade dos Ahrouns de gaia?" Rush não deu importância ao desafio "Não duvido da capacidade dos Ahrouns na batalha, duvido da capacidade deles na tática."
Gaia Suprema chegou a fechar os dedos em punho, mas Dança com espiritos colocou as mãos no ombo dela, e a Fúria Negra se acalmou. Andrey lançou um olhar de repreensão a Rsuh, que apenas sorriu. " É por isso que estamos perdendo. Contem os minutos que perdemos desde o início da reunião apenas defendendo nossos augúrios e tribos como se fossem times de basquete. Enquanto isso a Wyrm caminha para a união em uma única tribo, enquanto nós temos 13. Estão tão preocupados com afrontas e ofensas que não perceberam ainda o único detalhe que pode nos salvar."
Todos olharam com um certo desprezo e ao mesmo tempo vergonha para o ancião andarilho. Era engraçado perceber que mesmo com uma aparência velha e respeitável, Rush ainda era o falastrão incauto e temerário de sempre. Um eterno anarquista, como Nike gostava de dizer.
Andrey pediu gentilmente o papel e o velho portador o entregou com um sorriso, o Presa de Prata leu por alguns segundos e sorriu de forma sarcástica. "Rush tem razão. este papel ainda não tem validade. É uma cópia, e falta a assinatura. Ela não assinou."
Rush enfin abriu um largo sorriso. "Bingo! Tudo o que temos que fazer é destruir essa criatura antes que ela assine." Ele parecia estar falando de uma receita de pudim, fácil e rápida de ser preparada, todos os anciões olhavam para ele incrédulos.
"Você tem noção do que está dizendo Rush? a idade do lobo de alguma forma já está afetando sua sanidade? É uma Nephandi, uma Arquemaga capaz de tomar caerns sozinha, e ainda possui várias matilhas de dançarinos a sua disposição. Mesmo que tenhamos coragem para pular no pitt onde ela se esconde, nunca conseguiremos apoio do Trono de Carvalho, eles estão em uma cruzada contra o Número 2. lembre-se do que aconteceu com os Uivadores Brancos por quererem agir exatamente dessa forma." Nike Veloz disse aquilo com pesar, no fundo ele sabia que era parte cautela, parte covardia. Gaia Suprema se antecipou. "Mas os Uivadores já estavam corrompidos de dentro, o suicídio coletivo foi o ultimo passo para a danação. Aprendemos com nossos erros e se um maldito precisa ser destruído e ainda existe o ultimo garou vivo para tentar, é obrigação dele faze-lo. É a existência de Gaia que está em jogo. Localizem essa Morgana e eu reuno pelo menos 10 matilhas de Fúrias Negras para caça-la." Rush parecia satisfeito.
Dirige Cometas tomou a palavra sem olhar para nenhum dos companheiros enquanto digitava no computador. "E como você pode ter certeza que o verdadeiro contrato já não foi assinado, já que esse é uma cópia?" Rush foi rápido.
"A pessoa que trouxe isso pra mim não costuma agir sem pensar, creio que contaremos com uma ajuda inesperada contra essa maga. A propria Wyrm. Quem me entregou esse papel foi Morte-Pelas-Mãos-da-Wyrm, depois de tentar matar a mim e Denise, claro, mas tenho certeza que ele fez isso pois sabe que faremos algo. Ele é fiel ao Número 2, e seu mestre deve te-lo mandado para impedir, Ele copiou esse contrato pois sabe que ainda ha alguma chance de evitar que seja assinado."
Andrey se irritou. "Está sugerindo que trabalhemos JUNTO com a Wyrm? Céus! depois dizem que a minha tribo é insana!" Rush se irritou demais com aquilo, assumiu a forma Crinos e despejou contra o Presa de Prata.
"ENTÃO VOLTE PARA O SEU REIZINHO PRESA DE PRATA, CORRA PARA OS BRAÇOS DE ALBRETCH COMO TODOS OS DA SUA TRIBO, ESPERE QUE ELE SEJA CAPAZ DE DERROTAR A WYRM SOZINHO COMO SE FOSSE O SUPERMAN OU ALGUM HEROI FANTÁSTICO, MELHOR,VOLTE E TENTE ARRANCAR A COROA DE PRATA DA CABEÇA DELE PARA QUANDO A WYRM CHEGAR, DEPOIS DE TER DESTRUIDO TODAS AS OUTRAS TRIBOS, SEJA VOCÊ SENTADO NO TRONO DE CARVALHO PARA QUE ELA POSSA MATA-LO. NÃO É ISSO QUE SUA TRIBO FAZ? VIVENDO EM UMA ETERNA IDADE MÉDIA E DISPUTANDO TRONOS E COROAS? NÃO ERA SUA TRIBO QUE DEVERIA MERGULHAR NO ABISMO SE FRACASSASSE COM O FALCÃO? ENTÃO ME DIGA, O FALCÃO VAI GOSTAR DE VER A WYRM UNIFICADA?" O Presa de Prata também assumiu a forma Crinos, urrou em Fúria e avançou contra Rush, que também se pôs á frente.
Dança com Espiritos saltou de onde estava. Com um movimento rápido, parou entre os dois crinos, moveu os dois braços ao mesmo tempo, cada um em direção a um dos brigões. O soco acertou o estômago de ambos, eles cairam ajoelhados, voltando vergonhosamente á forma hominídia e se contorcendo em tosse e dor. O portador voltou a seu lugar e começou a falar enquanto Rush e Andrey trocavam olhares de ódio.
"Esse comportamento é o que prova que a Wyrm está vencendo. Vocês são anciões poderosos, suas tribos confiam e dependem da liderança de vocês. Esse incidente não será levado para fora desta sala e eu usarei minha idade para esquecer o que vi. Agora, voltando ao assunto."
 "Rush está certo, Andrey também, Gaia, Nike, todos estamos certos. Só precisamos de meio termo, equilíbrio meus filhotes, é a chave para vencer a Wyrm. Ela mesma busca por isso desde que a Weaver a prendeu, e essa maga insana pensa que é capaz de salvar a própria Wyrm Triática. Talvez até possa, mas isso levaria a todos no processo. Temos que impedir essa venda, sim, Não ha mais tempo de impedir que algum acionista assine, pois como podem ver, as assinaturas necessárias já estão no papel. Por algum motivo Morgana ainda não assinou. Talvez esse contrato ainda deva chegar ás mãos dela. Então, precisamos trabalhar. destruir o contrato só atrasaria um pouco as coisas, temos que destruir ou pelo menos aprisionar esse ser. Rsuh, procure o Dançarino, veja o que ele pretende. Nós vamos vasculhar a Telurian atrás da tal maga, e traçaremos uma estratégia. Ela deve ser impedida."
O silêncio reinou mais uma vez, todos trocaram olhares. Rush se levantou, fez uma reverência a Dança com Espiritos e saiu da sala. Nike e Rabo que Fede o seguiram, em pouco tempo a reunião estava terminada. Denise veio correndo até o marido e o abraçou, parecia preocupada, Rush apenas a acolheu nos braços e tentou se acalmar.
"Meu amor, preciso buscar por uma pessoa, é importante, mas não creio que seja seguro para você. Ele me odeia e fará tudo para usar você contra mim. Preciso da sua confiança." Ele beijou a testa dela e se perdeu em seus belos olhos. Grave erro.
"E você vai deixar sua esposa nesse caern, em plena Lua de Mel? Se você precisa de minha confiança, eu preciso da sua. Você sabe que sei exatamente quando posso ajudar e quando estou atrapalhando. Vou com você, A Barata está comigo e além do mais, quem vai apontar a escopeta pra ele outra vez?" O beijo no pescoço fez o velho ragabash sentir as pernas desobedecerem.
"Tem certeza que você é só uma parente?" ele a beijou e seguiram para o quarto. Rush desejava perdidamente um ultimo momento de amor com a esposa, mas não podia perder tempo. A cada segundo aquele contrato se aproximava de Morgana, e o destino da nação Garou estava em jogo. Pegaram algumas roupas e equipamentos, Rush carregou a escopeta, que agora era de Denise quase que oficialmente e a entregou a esposa, buscou pela bela katana, um Fetiche que ganhara de Dança Com espíritos quando subiu ao posto de ancião e seguiram para a garagem. Eles entraram no velho jipe e seguiram para o Ferro velho onde o Dançarino sempre fez seu covil. Velhos hábitos nunca morrem, principalmente quando quem os possui parece ser imortal.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A Guerra dos Vermes VII: De Volta ao Campo de Batalha



"Arcádia está ruindo."
Astrid saiu da reunião com Lord Yorick com um grande pesar. Segundo ele, um grande exército de fomorians* estava se reunindo nos arredores da grande muralha. Era questão de tempo até avançarem. O Grande Freehold de Mystara estava fraco sem Walleria, e Mystara é a ultima defesa. Se cair, Arcádia sofrerá o grande inverno.
Ela se sentou em seu pequeno escritório, não na sala da Rainha. Aquilo definitivamente não pertencia a ela. Ser Regente era ter todas as responsabilidades do governante, e nenhum de seus recursos. Ela estava farta, foram séculos de batalhas contra a banalidade. Um dragão deveria colecionar tesouros e o que ela tinha? Uma coleção de fracassos.
Seus maiores tesouros porém eram sua filha e Asfin. Ela pensava o quão insensível e nada romântica estava sendo, ele a havia pedido em casamento após o nascimento de Silber, e ela havia prometido uma resposta em breve. Esse breve estava longo demais, ele é um homem bom, mas não esperaria para sempre. E que resposta poderia ser senão um sim?
Muitos podiam acusa-la de tentar dar um golpe para assumir de vez o trono, afinal Asfin, O Verde, era filho de Walleria, mas o Nocker havia recusado o titulo ha décadas, ele dizia que não servia para os jogos políticos, que forjar uma espada era muito melhor do que forjar um reino. Ele não poderia ter feito coisa mais sábia em toda a sua existência.
Ela o havia conhecido em uma reunião, ainda como General de Walleria. Naquele tempo as coisas eram bem mais fáceis, e Asfin era um jovem promissor. O amor dos dois foi bem improvável e ficou mais forte quando walleria deixou Arcádia para lidar com questões no mundo de Outono, seu maior erro segundo Astrid. Ambos se uniram em torno da preocupação com a Rainha inconsequente. Aquilo evoluiu e ficou marcado em suas almas. Vidas depois, finalmente se renderam ao amor, e ele foi selado com a vinda inesperada, mas muito bem recebida de Silber.
Asfin é o ultimo pilar de Walleria no Mundo outonal. Astrid tentou muitas vezes traze-lo para Arcádia, mas ele havia se compadecido de seus irmãos Kithain ha muito tempo. Ele optou por permanecer na Terra, como um changeling, como os outros dois filhos da rainha. Astrid quase ficou com ele, na verdade ela permaneceu um bom tempo entre os humanos, como uma mega empresária, mas aquilo não funcionou, e ela retornou a Mystara, colocou a casa em ordem depois de resolver uma conspiração entre dois Drows extremamente poderosos e resolveu ficar e esperar pelo dia em que ela e Asfin poderiam ficar juntos em um só lugar.
Uma batida na porta a interrompeu no exato momento no qual ia começar a escrever em seu diário. Ela ordenou e o jovem servo entrou com um envelope nas mãos. Era um Bogan bastante simpático, servo de Walleria. Ela estava começando a se acostumar com eles e eles com ela. A dragoneza sorriu e o servo se retirou. Era um recado de Emila, sua informante Eshu no mundo outonal. 
"Minha senhora, o grupo de magos foi devidamente contactado e aceitou a missão de bom grado. A jovem Milena cumpriu a promessa e sua jovem cabala ruma em direção ao Shide de nome Ayreon. Se ele tem alguma pista da Rainha é algo que apenas a maga poderá dizer, mas o que pude perceber até agora é que estamos no caminho certo. Sinto os ventos do Glamour a nosso favor, e a senhora sabe, um Eshu nunca erra o caminho. Sua serva, Emila"
Enfim boas notícias. Astrid sorriu pela primeira vez em algumas semanas. Sindel, a vidente de Walleria, uma antiga e estranha Sluagh havia previsto que a Rainha teria renascido em um corpo mortal, pela ultima vez. Que seu corpo faérico possuia ainda a ultima fagulha de glamour e que, se a sorte estivesse ao seu lado, poderia ser trazida de volta. No entanto, a Sluagh previu algo que ela chamou de "A Guerra dos Vermes", o que segundo ela seria a principal ameaça a segurança de Walleria. "O Verme de muitas cabeças morderá a si mesmo várias vezes, e o corpo pesado tombará, esmagando aqueles que estiverem abaixo de si, tenha uma coroa em sua cabeça, ou não." As palavras não saiam da mente da Dragoneza.
Astrid fechou o diário, não teria tempo para aquilo. Se Milena já estava a caminho de seu destino, era hora de preparar a ajuda necessária. Enfim, depois de muito tempo, Astrid Argentum retornaria ao Mundo Outonal. A Regente poderia ter ido atrás de Walleria ela mesma, mas com tal situação em Mystara, ela só poderia se ausentar se fosse o momento crucial para resgatar a rainha. Um tempo longo fora do reino poderia botar tudo a perder e Walleria não teria mais um trono para se sentar quando voltasse. A maga de nome Millena tinha uma dívida com Astrid e era algo que os estudiosos de Arcádia ainda não sabiam explicar. Uma espécie de hibrido. Metade mago, metade Changeling. Ela havia se mostrado confiável em outra ocasião, foi a escolha perfeita para preparar o caminho para sua ação. O momento enfim, havia chegado.
Ela saiu da sala, tomou um belo banho e vestiu uma roupa simples. Sua beleza era antiga, e chamar a atenção era a ultima coisa que pretendia.
A Regente assinou um decreto dizendo que quem responderia por Mystara agora, até seu retorno seria Lord Yorick Uil, um velho Troll cuja honra era indiscutível. Senhor de um antigo reino nas terras de Mystara, ele sempre foi um dos soldados mais fieis a Walleria que Astrid havia conhecido. A ordem era simples. "Organize as defesas, tome as decisões necessárias e aguarde até o ultmimo segundo. Retornarei com a Rainha e esmagaremos os fomorians e os goblinoides de uma vez por todas". O Troll aceitou sem discutir. Mystara tinha um novo regente, e Astrid rezava a seu Deus que tivesse tomado a decisão correta.
A escadaria que levava ao topo da casa principal do grande complexo do palácio de Faerûn era gigantesca, mas ela a subiu com orgulho e esperança. Enfim ela poderia agir. 
De cima era possível ver quase todo o Reino, e a fumaça que vinha da floresta que cercava  toda a entrada de Arcádia, algo que por si só já seria um motivo para desistir de qualquer ataque. Mas os Fomorian estavam sedentos de vingança, e não poupariam esforços.
Astrid se concentrou, em pouco tempo ela já era um ser gigantesco, um Dragão prateado, a ultima de seu povo ainda acordada. Ela levantou voo, e acelerou. Aquela sensação era indescritível. Astrid sentia saudades do tempo em que aquela forma era natural e a humana era a estranha. Ela atravessou o Dreaming como se fosse um cometa, o Dreaming profundo, os reinos distantes, os reinos médios e por fim o Dreaming próximo. Mas alguma coisa estava errada, alguma coisa fez o gigantesco Dragão tentar parar seu voo, o que obviamente se tornou um desastre.
Astrid sobrevoava uma grande construção de árvores retorcidas. Na linha do horizonte era possível ver a chama violeta quase do tamanho do sol, era o reflexo de Grey Rose depois de sua destruição, Um Freehold Unseelie tão nefasto que ela não se atreveria a sobrevoar naquele plano. 
Mas o que a fez parar vinha de outro lugar, um vale, todo prateado e metálico, cheio de aranhas padrão tecendo teias de informação. Seattle emanava uma aura perigosa para fadas. Uma energia tão ruim que fez Astrid se desconcentrar do voo. Ela bateu em uma torre de vidro, que veio abaixo, as aranhas começaram a se amontoar no gigantesco corpo do Dragão. Astrid começou a mudar de forma e conseguiu a tempo romper a barreira entre os mundos, mas o esforço foi brutal, ela se viu no mundo outonal enfim, mas ferida, já na forma humana, ela sangrava e tinha ossos quebrados. Teve que se arrastar com muita dor para a beira de um acostamento para não ser atropelada, mas o que vinha de uma velha fábrica do outro lado de um grande terreno é o que a assustava. A região era bastante deserta e haviam muitas fábricas. Parecia um polo industrial, mas a maioria dos galpões e estruturas estavam abandonados.
A Dragoneza entoou algumas preces para Bahamut, os ferimentos começaram a se fechar e os ossos voltaram dolorozamente para o lugar. Ela ianda se perguntava se Bahamut ainda podia ouvir suas preces ou se aquilo era pura magia, no fim se apegava a velha fé, mesmo sabendo que o Deus não respondia ha milênios.
A dragoneza caminhou com cuidado em direção á fábrica. O Glamour tem caminhos estranhos, mas algo tão forte para lhe levar até ali não poderia ser ignorado. Na frente da fábrica, que parecia ser de componentes eletrônicos, estava parada uma bela limousine e alguns seguranças bem vestidos guardavam a entrada. Havia uma energia banal vindo de dentro do lugar, uma mistura de banalidade e entropia. Astrid parou de súbito. Se aproximar mais seria arriscar a propria vida. Era um Dauntain**.
 Um maldito Dauntain estava lá dentro. Uma fada covarde que abdicou do sonho em nome da banalidade. A vontade da Dragoneza era atravessar os portões, matar todos lá dentro e destruir esse ser desprezível aos poucos e com muita dor, mas algo a fez parar, uma voz antiga que ha muito tempo não ouvia.
"Se você assumir sua forma verdadeira aqui, Astrid, eu, você e qualquer fada ou mago em um raio de um km será aniquilado pela banalidade e pelo paradoxo, então sugiro que se acalme."
"Vasanta? então resolveu mostrar a cara seu verme?" Os punhos de Astrid estavam serrados.
"Verme? Barata seria mehor, Bubasvava, pra ser mais preciso. Como tem passado?"
Vasanta é um antigo criminoso de Arcádia. Em tempos muito antigos, ele costumava ser um agente secreto de Walleria, Um poderoso Eshu que era capaz das mais ousadas técnicas de assassinato e intriga. Tão ousadas que ele traiu Walleria e passou para o lado de Celeste quando ela tomou Mystara na idade das trevas. Não fosse a improvável ajuda de uma poderosa vampira do clan Ventrue, Walleria nunca teria retomado o trono. O eshu foi exilado, e um selo de ferro foi feito para que nunca mais pudesse pisar nos reinos de Arcádia muito antes dos portões serem definitivamente fechados. Desde aquele dia, Astrid nunca havia o visto outra vez, até agora.
"Pior que você pelo visto traidor. Celeste enviou você para fazer o serviço sujo dela?  É ela quem está lá dentro? Nao sabia que ela havia descido tanto a ponto de se tornar uma Dauntain..." A expressão era de desprezo, mas o Eshu parecia não se importar. Ele era um homem belo, de traços indianos muito sutis. O sorriso era sedutor, mas escondia crueldade.
"Ah sim, nisso você tem razão, estou ótimo. Meus domínios nesta terra árida são vastos, e tenho tudo o que desejo. Mas não trabalho mais para os Blackside, se quer saber. Traidores tão vis como eu. Se lhe conforta tomei uma pequena dose amarga de meu proprio veneno." Ele caminhava ao redor de Astrid, que apenas o acompanhava com os olhos.
Ele continuou. "Sim, Celeste está aí dentrro, mas o dauntain não é ela e sim quem ela está trazendo a vida."
Astrid sentiu um arrepio de frio. Era a essência do puro inverno eterno.
"Como assim ladino? o que quer dizer? O que sabe?" O olhar era de impaciência, ela colocou a mão no peito do indiano e o empurrou contra um poste de iluminação. O eshu riu daquilo.
"Não sei. E se soubesse venderia e não daria a informação assim, de graça ora essa...Estou aqui tentando descobrir, e fui eu que trouxe você pra cá Regente. Senti sua emanação elefântica voando pelo Draming. Burra você, inconsequente. Dragões estão Extintos. EXTINTOS! hehe, TODO o Dreaming sabe que você passou por lá, você fez o glamour enlouquecer por aqui, o que provavelmente fez com que TODOS os changelings também soubessem. Tudo bem, muito tempo sem visitar a colônia penal não é? Não tem noção de como a banalidade cresceu. Mas enfim, resolvi trazer você para ver o que Celeste está aprontando. A única coisa que sei é que ha um necromante aí dentro com eles."
"Necromante...nada de bom pode sair quando uma fada se une a um necromante... eu vou entrar..." Ela começou a fazer o gesto para que sua espada fosse materializada.
"Deixe de ser nervosa mulher. Você não é mais uma Paladina. Os mortos vivos não recuam mais quando você ergue as mãos...muito menos os necromantes. Calma, veja, estão saindo." O Ladino se desvencilhou dos braços de Astrid como se fosse feito de manteiga.
Os portões se abriram. Saindo de lá, Astrid viu Celeste, imponente em um vestido dourado e  ao seu Lado Yolah, emanando arrogância. Nenhum sinal de necromante, mas havia uma menina. Ela estava sentada em uma cadeira de rodas, empurrada por um dos guarda-costas de Celeste. Ela parecia o ser mais fraco e frágil do Mundo, mas dela emanava uma energia tão malígna que Astrid ficou tonta. Aquela mistura de banalidade e entropia agora estava...viva...
A menina foi posta dentro da Limousine, e antes que Astrid pudesse se dar conta, o carro já tinha partido. Vasanta havia desaparecido como de costume. Tudo era muito confuso. 
A Regente precisava botar as ideias no lugar, precisava achar Milena e Ayreon, e precisava encontrar Asfin e sua filha. Ela respirou fundo, e começou o encantamento para um portal. Quando buscou por sua espada para terminar o cantrip, percebeu que sua visita ao mundo outonal seria das mais complicadas. Ela teria que começar recuperando sua espada sagrada, que aquele maldito ladino Eshu havia acabado de roubar.

*Fomorians é o termo usado para os grandes inimigos dos Thuata de Daanan, as fadas originais, a Devir traduziu os seres da Wyrm como Fomoris, onde na verdade eles são chamados de Freak Legion, o que gerou uma certa confusão.
** Dauntains são seres que um dia foram Fadas ou changelings, mas que sucumbiram á banalidade por algum motivo e escolheram segui-la, emanando destruição e caçando changelings onde estiverem.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A Guerra dos Vermes VI: Pescando Sonhos



"Quem diria? Você sente falta dele!"
Quando atendeu a porta, Morgana ficou surpresa com o tamanho do carro. O motorista com roupas impecáveis avisava que sua senhora a aguardava e que pedia encarecidamente para que não demorasse e que vestisse algo elegante. Celeste estava cada dia mais exibida. Por isso era tão fácil prever seus movimentos. Ela voltou, foi ao quarto mofado e caindo aos pedaços e foi seguida por dois de seus fomores de estimação. Um era um antigo policial que tentou investigar a casa "aparentemente abandonada" e acabou pego por  Morgana. O outro ela encontrou nas ruas, drogado, á beira da morte. Independente da verdade, Ela apenas os chamava de Nº 3 e Nº 4, pois, segundo sua piada infame, Nº 1  e Nº 2 já são números humilhantes demais para se chamar um animal doméstico.
Abriu o armário e observou as roupas intactas, a maioria provocantes, umas obscenas e outras com pano quase inexistentes. No entanto ela pretendia usar algo diferente para a ocasião. Mostrar seu  corpo era uma arma e pelo menos por enquanto ela não pretendia lutar com ninguém. Escolheu um vestido branco, de tecido leve, elegante e sexy o suficiente. Ainda assim provocaria olhares por onde quer que fosse. Se despiu, ergueu os braços e apenas relaxou enquanto os fomores a vestiam de forma impecável. Um perfume popular já seria o suficiente. Estava pronta para o passo mais importante de sua existência.
No banco de trás da Limousine, em uma espécie de cabine reservada estava Celeste Blackside, um ultraje de beleza que faria qualquer mulher comum pensar, nem que vagamente, em suicídio. usava um vestido dourado de pura seda, exalava um perfume irritantemente delicioso. Para Morgana o sexo, e a sexualidade já haviam deixado de ser importantes ha décadas, eram apenas armas, poderosas. Seu único desejo eram os do Dragão e de seu amado mestre, no entanto, até mesmo ela se sentiu provocada na presença da Shide Regente da Casa Balor. isso era engraçado. Ao lado da fada estava Yolah Blackside. Os mesmos adjetivos podiam ser usados para ele, com a diferença de ser, na maioria das vezes, do sexo masculino, Exótico em um traje quase vitoriano. Assim como Celeste pensava como homem e dormia com mulheres quando queria, Yolah podia fazer o contrário. Obviamente eram iguais, afinal eram irmãos. E amantes. Poucos sabem pois não são idênticos, formam um casalzinho bonito. seriam fofos se não fossem ordinários. Muitas foram as vezes que Morgana teve de livrar Celeste dos planos nefastos de Yolah contra ela. Por que não se matam? por que morreriam ambos na tentativa. por que continuam juntos? Esporte talvez, tédio quem sabe...
"Pare de falar disso, estou aqui em paz e quero sair daqui com ela, esqueça Dark, ele está morto." Morgana se ajeitou na mesa com uma expressão irritada que logo se tornou escárnio.
Era um restaurante luxuoso, típico de Celeste, Típico dos Shide. Ela odiava aquilo, mas ao mesmo tempo era engraçado. para ela aqueles mortais esbanjando tanto dinheiro e achando que eram poderosos por isso era tão idiota como se um pinguim se sentisse superior só por que nasceu de terno e o pombo não. 
"Eu entendo querida, sinto muito. Sei que você nutria sentimentos por ele, não a culpo, era um ser formidável, mas tudo tem um preço e a arrogância dele custou caro. Aliás, quase custou caro para todos nós." Celeste destilava veneno, sua boca estava até semi arqueada em um sorriso de crueldade.
"Custou caro sua vagabunda" Morgana pensou, mas travou a língua. "Custou para todos nós que fomos fieis e gratos a ele por todo o poder que nos ajudou a obter em todos esses anos, menos para você, que não foi até lá tentar derrotar aquele anjo desgraçado." A frase quase saiu, mas ela apenas sorriu, fincou o peixe com a ponta do grafo e apoiou os dois cotovelos na mesa, da forma mais mal educada que conseguia.
"Falando em caro, minha querida, o que você me  cobraria para  ajudar em uma empreitada suicida, mas que pode nos render um poder que você nunca, nem em seus sonhos, foi capaz de imaginar?" A Shide teria perdido a compostura, teria parecido uma idiota, talvez até tivesse se engasgado com uma espinha de peixe e morrido para o bem da humanidade, mas era uma Shide, e eles nunca parecem idiotas, nem quando querem. Yolha sorriu, falou enquanto cortava o peixe com maestria sem olhar para nenhuma das duas.
"Suspeito que se fui convidado para este jantar, minha ajuda se encontra solicitada também, estou certo?" Ele parecia desinteressado, mas Morgana sabia que por dentro estava queimando de curiosidade e excitação. Aquele peixe havia sido mais fácil de fisgar do que o que estava no prato.
"Você sabe que não negocio dessa forma Morrigan querida, ha uma série de fatores, agenda, periculosidade, lucro..."
"Matei o Número Dois, a cabeça dele está fincada na minha antena para que qualquer garou possa ver, Malfeas agora é só minha e quero mais. Quero a Pentex. Se você me ajudar dou uma cadeira para você e outra para Yolah, isso seria bônus, além do preço que você me pedirá" Morgana foi enfática e direta, estava ficando sem paciência para tomar chá com o coelho, chapeleiro ou qualquer merda de Alice que fosse. Isso a irritava nas fadas, eram adeptas do floreamento, do rococó, não sabiam negociar de forma dinâmica, Por ela teriam combinado isso sentadas no sofá fedido de sua casa, assistindo algum reality show e comendo pipoca servida na coroa de Ônix.
"Céus, temos uma maga nervosa aqui. Você precisa de sexo Morrrigan, com alguém que saiba fazer...posso apresentar um Toreador recém chegado a Seattle que conheci semana passada, ele anda com uma pessoa muito conhecida sua..." Celeste observou o semblante de Morgana ficando mais sombrio, preferiu evitar mais provocações. "Mas...vamos aos termos então..."
Celeste e Yolah se ajeitaram na cadeira quase ao mesmo tempo. Era comum que fizessem isso, eram gêmeos, mais do que natural. Morgana também se ajeitou, um sorriso novo, enfim a coisa ia sair do lugar.
"Vamos ver se eu entendi. Você matou o Garou mais poderoso da Wyrm, tomou o que era dele e agora quer tomar o que a Wyrm tem de mais poderoso. É impressão minha ou você está em uma cruzada? Poderia chamar de Guerra dos Vermes, que tal? Um nome pomposo."
Morgana apenas sorriu, no fundo ela gostou de ouvir aquilo. A Shide continuou.
"Você quer minha ajuda e de Yolah, e sei o motivo. Nosso Irmão Andreas é um dos Executivos do conselho da Pentex, com ele a seu favor, a cabeça de Número Dois fincada em uma antena e mais o seu exército de fomores, os outros conselheiros elegeriam você como presidente sem pensar duas vezes, certo?"
"Certo."
"Mas tem mais, não é?"
"Tem"
"Imaginei" Celeste relaxou na cadeira e deu mais uma garfada no peixe, a essa altura já frio e ruim, mandou o garçom levar aquela porcaria. Morgana interrompeu o funcionário e usou todo o charme para fazer com que ele se inclinasse perto de sua boca, ela pediu em seu ouvido que por gentileza arrumasse uma pquena embalagem com as sobras para que ela levasse para seu gato. Celeste e Yolah observaram tudo aquilo com impaciência. Era a vez da maga irrita-los um pouco.
"Quero unificar a Hidra. A única forma de fazer isso é tendo o controle de todas as cabeças. Já tenho a Besta de Guerra, e Sou a Primordial. A Pentex é a corruptora, só me falta a Devoradora. Essa terei que negociar com um vampiro, mas é a mais fácil."
"E por que, me perdoe a indelicadeza, você pretende tomar o controle de uma organização tão gigantesca e com tanto poder assim? Digo, fora o óbvio. Você sabe que sendo a única dona desse poder, será também o único alvo de todos os inimigos daqueles que conquistar..." Yolah perguntou enquanto servia as três taças com um maravilhoso vinho branco, pelo menos aquilo tinha valido a pena.
Morgana tentava formular algo. Ela não esperava que justo Yolah, o submisso fosse fazer um movimento perigoso no tabuleiro. Celeste escancarou o sorriso.
"É Claro!! ela busca poder para trazê-lo de volta! Pelos deuses de Arcádia ela o ama de verdade, Morgana, a Rainha de Malfeas ama perdidamente o falecido Raziel, senhor da extinta Grey Rose!" Ela parecia se afogar no próprio veneno, malditos unseelie e seu glamour sem escrúpulos, ela havia prescrutado seus sonhos, pagaria por isso um dia, mas não agora. Mesmo a fada estando completamente errada, Morgana precisava fazer com que acreditasse que estava certa.
"Algo contra? Ou você tem medo de que ele queira punir você por não ter ido ajuda-lo na noite de sua destruição?" Aquilo acertou no ego, doeu, ela sabia, mas foi merecido.
"Meninas, não vamos nos exaltar, o negócio estava ficando bom, Celeste cale essa boca venenosa e deixe Morgana terminar..." Yolah segurou o riso. Celeste segurou a fúria. Alguns minutos se passaram, silêncio. O garçom trouxe uma embalagem caprichada e Morgana colocou um bilhetinho com seu telefone no bolso dele. Um novo fomori, para servir comida ao gato quando ela se ausentasse, que ideia brilhante! Ele seria o Nº 5.
"Aceito as cadeiras, e tenho meu preço." Celeste parecia disposta a sair dali o mais rápido possível. Morgana sorriu vitoriosa, apoiou os cotovelos e mostrou o decote para Yolah para distraí-lo. Aquilo era conversa para duas aranhas fêmeas, o macho seria devorado depois por uma das duas, provavelmente Celeste."Estou esperando minha querida"
"Ha algum tempo venho caçando uma jovem. Ela nada mais é do que a reencarnação da Rainha Walléria Asfin, a ultima rainha da Arcádia Unificada. Arcádia está caindo e em breve os portões serão abertos. Quem tiver a maior pretensão ao trono será escolhido. Quero ela, e seus protetores. Quero que você me ajude a pega-los, inicialmente com vida. Um deles é um Shide da casa Liam. Quero que você me ajude a ter essa rainha em meu poder, e quero que a corrompa. Assim feito ajudarei você a conquistar a Hidra, dentro de minhas possibilidades claro. Quanto á Pentex, considere feito. Meu irmão me deve favores,ele ligará para dar o preço e as condições amanhã cedo.Mas você terá que pagar uma quantia em dinheiro astronômica, você sabe, o negócio tem que ser vantajoso para os mortais também"
Morgana quase salivava. "Muito pouco, qual é a armadilha?"
Celeste riu. "Nada que prejudique você, minha querida. É que a menina também sabe a localização de um tesouro muito antigo, entende?"
"Feito" Morgana apanhou a mão de Celeste, a pele delicada da Shide queimou por menos de um segundo, ela apenas fez um pequeno esgar de dor, ali estava o símbolo da entropia, ele desapareceu lentamente, não havia volta agora. A maga se inclinou, beijou a testa de Yolah e o mesmo aconteceu.
Rapidamente Morgana se levantou, arrumou o vestido e pegou o embrulho com o peixe. Celeste e Yolah fizeram o mesmo, pouco foi dito mas muito foi pensado. 
"Eu trarei o contrato para você quando tiver a menina, certo?" Celeste bebericava uma taça de vinho enquanto Yolah falava ao celular com Andreas, ele ria, e a conversa se estenderia.
"Justo" Morgana pediu para que parassem o carro, deu um selinho em Celeste e saiu. Ela farejava como um cão de caça e avançou em direção a um beco. Subiu até o telhado do prédio ao lado pela escada de incêndio e logo estava no topo, observando a cidade. O vestido branco sujo e um pouco rasgado. Ela observou, procurou e uma placa de Motel barato chamou sua atenção. Não era normal. pelo contrário, era magica vulgar. A entropia fazia seu trabalho mais uma vez e ela faria o dela. O Furgão branco com vidros escuros saiu em alta velocidade. Ela já tinha por onde começar. Mas antes ela passaria em casa, o gato devia estar com fome e seguir um furgão daqueles de vestido branco não era definitivamente seu estilo.

sábado, 12 de janeiro de 2013

A Guerra dos Vermes V: Missão Real




O acampamento ficava ha alguns bons minutos de Seattle. Um lugar bem escolhido, perto da rodovia mas ao mesmo tempo escondido pela escuridão e as árvores. Para um ser humano seria no mínimo perigoso, para os magos e changelings ali reunidos também, mas por motivos diferentes.
A barraca era grande e fora bem montada, era confortável. Ayreon tomava seu café enquanto ouvia uma discussão engraçada entre os dois rapazes. Um deles dizia que comer bacon logo pela manhã iria matá-los muito mais rápido, o outro desdenhava dizendo que ambos eram magos e que poderiam facilmente resolver isso com um pouco de esfera da vida. Uma terceira voz se antecipou aos dois e disse que a magia não deveria ser desperdiçada com motivos tão fúteis. A discussão acabou ali e aparentemente ninguém comeria bacon.
O grupo de jovens foi bastante gentil, dormiram em sacos do lado de fora da barraca para dar liberdade ao grupo de Ayreon, embora ele tivesse sugerido uma divisão entre  homens e mulheres. No entanto logo cedeu ao perceber que era um tanto antiquado. O resto  daquela noite foi tranquila. Miranda nunca havia dormido tão bem, nem Nehssa, muito menos ele.
O cheiro do café entrou barraca adentro. O velho cavaleiro Shide percebeu então que estava sozinho. Até mesmo Miranda havia saído.
O sol feriu seus olhos por alguns segundos, diferente do sonho onde ele parecia poder olhar diretamente para seu núcleo sem ficar cego. Estavam todos reunidos, menos o rapaz de cabelos vermelhos trançados, que fazia algum tipo de reparo no furgão. Millena, a líder de cabelos azuis e atitude firme sorriu ao vê-lo.
"Finalmente acordou Sir, seja-bem vindo. Coma alguma coisa, temos um longo caminho até nosso destino."
"destino?" Ayreon se sentou ao lado de Nehssa, ela comia um pedaço de salsicha e alguns biscoitos, ofereceu a ele um copo com um café forte, ele não desviou o olhar de Millena esperando sua resposta enquanto se sentava em uma pedra e dava uma bela golada na bebida, mesmo quente. Aquilo ajudou a terminar de acordar.
"Antes de mais nada, não sejamos rudes. Esta milord, é minha cabala, como já disse, sou Millena Vince. Aquela mais velha e de cabelos roxos é minha irmã, Caroline. O louro de tom fúnebre é o mais velho de nós, Nathan e aquele nervosinho de cabelos vermehos arrumando o motor é o Apollo. Somos conhecidos como Filhos do Caos, mas não se preocupe, é um nome carinhoso comparado ao de nossos pais. Somos filhos, eles são Artífices." Ela riu de forma sincera e relaxada e fez Ayreon sorrir, parecia que o nome dado ao grupo de jovens praticantes da antiga arte não era mesmo para se levar a sério, afinal, mais caos do que ele conhecera desde que encontrara Miranda era impossível.
"É um grande prazer conhece-los, crio que já sabem nossos nomes, mas mesmo assim, sou Ayreon esta é Nehssa Alcarin e aquela jovem de cabelos verdes é Miranda.Peço desculpas pela relutância em segui-los, na situação na qual estamos, é complicado confiar em alguém, principalmente quando faz a maçaneta da porta virar uma bela brasa e cair no chão..." Ele olhava para Apollo que pareceu nem escutar, caroline sorriu, "Ele tem alguns métodos questionáveis, mas acredite, foi o mais sutil que já vi ele fazer, em outras oportunidades ele teria explodido a porta."
Nehssa finalmente disse algo, parecia a vontade entre os jovens.
"Como nos acharam? por que nos ajudam e qual o interesse de vocês em Miranda? Se eu tiver uma resposta satisfatória para essas três perguntas, saberei que não preciso desconfiar de vocês." Ayreon achou aquilo um tanto rude até mesmo para Nehssa, mas apropriado.
"A propria Rainha nos chamou. Em meus sonhos ela me guiou exatamente para cá." Millena mordia um pedaço de pão dormido com dificuldade.
"Eu não chamei ninguém." Miranda surpreendeu a todos quebrando o silêncio
"Eu disse que a Rainha chamou, não você" Millena pareceu levemente irritada, Ayreon não levou a sério. Miranda pareceu confusa. desde o dia que foi salva de ser assassinada junto com os pais em sua casa por um bando de seres medonhos, com bocas do tamanho do próprio rosto e armas enferrujadas, Ayreon explicara tudo para ela. Ela agora já estava familiarizada com a ideia de que era um ser faérico, a reencarnação de uma poderosa  rainha chamada Walléria Asfin e que ela deveria se lembrar de quem era, pois todo um reino e sua propria vida dependiam disso. Agora essa garota folgada vem e...
"A Rainha Regente de Mystara nos chamou, Astrid Argentum, a Dragoneza. A Prateada...isso diz alguma coisa Lord Ayreon?"
Rainha regente? Seria possível que Walleria houvesse previsto sua morte e designado alguém para substituí-la? Ele estava ha tantos anos longe de Arcádia que não podia ter certeza de mais nada. A única coisa que ele sabia é que se tratando de uma Mystarian, era  a melhor coisa que poderia ter aocntecido naquele momento. Estavam com sorte. O Povo Lendário raramente interfere nos assuntos da Terra, e Astrid era literalmente aquilo pelo que a chamavam, uma Dragoneza, verdadeira. Se ela os estava ajudando, os deuses também estavam.
"Isso responde tudo e muito mais minha jovem. Pelo menos para mim. Talvez Nehssa ainda queira algumas respostas..." A Shide estava perplexa. Ayreon sorriu discretamente. Sabia que aquilo seria suficiente. Nehssa tentava esconder mas era nítido que não se tratava de uma Shide. Ayreon descobrira depois de perceber que a garota não tinha título, memso perdido, muito menos sabia usar o Sovereign. Era bela mas não tanto qaunto uma Shide em sua forma Wyrd e a semelhança com um velho conhecido de Mystara acabara de matar o enígma.
Ela era na verdade uma raríssima representante de uma velha raça lendária, um Kith esquecido ha milênios, mas ainda presente no reino de Mystara. Ela era um Elfo negro, ou Drow. Logo, se a Rainha dos Mystarian enviara aqueles magos, era mais do que suficiente para Nehssa.
"Apenas por curiosidade" a Drow se recompôs "Minha confiança já é de vocês, obrigada por nos ajudarem."
Millena se levantou, limpou a boca com um guardanapo e bateu os farelos da roupa. O barulho do motor já podia ser ouvido e Nathan começou a desarmar o acampamento com a ajuda de Caroline.
"Eu tenho sangue Faérico em minhas veias Nehssa" Millena checava a bolsa para se certificar de que seus pertences estavam em ordem, ela falava mas não olhava para Nehssa, apenas para Ayreon, e era um olhar estranho.
"Meu pai tem uma herança muito antiga de Arcádia, pelo visto ela foi passada para mim. Por isso estamos ajudando vocês. Queremos entender alguns acontecimentos e isso nos leva a nosso destino, meu sangue cheio de Glamour também explica meu interesse em Miranda certo?" Dessa vez ela deu um charmoso e simpático sorriso para Miranda e Nehssa.
"Sim, explica muita coisa" Ayreon se lembrou do poderoso Sovereign que foi capaz de prende-lo sem ação. Ele já ouvira histórias sobre magos que possuiam sangue de fada, mas nunca de um que fosse capaz de usar os poderes de uma. Ficaram até o anoitecer conversando sobre como era ser um artífice da vontade e um Kithain, contaram histórias e enfim, eram bons amigos.
O clima agora no furgão era bem mais agradável, todos se conheciam, sabiam de suas intenções e para Ayreon, formavam um grande novo grupo.
"Vamos para o santuário de um velho amigo de nossos pais, ele vai nos mandar para nosso destino principal. Vocês vão gostar dele..." Millena parecia empolgada, assim como o resto de sua cabala.
" E onde seria esse tal destino?" Nehssa perguntou
"Romenia. Terra do Conde Drácula" Caroline empostou a voz tentando dar um tom sombrio á frase. Ela só conseguiu fazer Miranda rir.
Ao passar por um trecho da estrada, o grupo ouviu um grande estalo, seguido de um vulto gigantesco zunindo por cima do furgão e aparentemente indo cair dentro do lago. Apollo podia jurar que era um carro voando. Millena não quis arriscar. Caroline acelerou o máximo que pode e todos ficaram apreensivos. Ayreon sacou a espada e a deixou a postos. 
Alguns sons e urros foram ouvidos ao longe, mas ficavam mais baixos a medida que o furgão acelerava perigosamente pela estrada. Felizmente nada os seguia. No entanto obviamente não se tratava de algo normal acontecendo lá atrás. A curiosidade de fada era grande, mas não seriam eles que se arriscariam a tentar descobrir o que era.
Ayreon estava aliviado. Ele sabia que seus inimigos não deveriam estar muito longe. Havia semanas que não sofriam nenhum ataque, mas ele sabe que Celeste Blackside não costuma desistir de suas metas. Ou algo muito maior chamou sua atenção ou ela estaria tramando algo.
O Furgão tomou um desvio bastante improvável em um ponto da estrada. Era um caminho oculto, por magia. A frente deles havia uma estrada de terra bastante longa.
"Fique tranquilo Lord Ayreon, quando chegarmos á Romenia, Miranda estará segura. Tenho certeza." O sorriso de Millena era encantador. Lord Ayreon se pegou olhando para a beleza estranha da maga. Muito jovem ele pensou...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A Guerra dos Vermes IV: Até que a Wyrm os Separe



"Eu, Nike Veloz, Theurge dos Roedores de Ossos, tenho um imenso prazer de oferecer esta união aos espíritos de Gaia, aos seres puros e honrados. Que diante dos totens e celestinos, este Garou e esta parente encontrem o amor quando a dor vier, e ela virá, pois somos guerreiros, e a guerra não começou com nossos pais, nem terminará com nossos filhos. Gaia precisa de nosso sangue, e somos felizes por oferecê-lo..."
Frio...Rush sentia o gosto pútrido da água em sua boca, tudo girando, dor, muita dor...o velho ombro. Èrika havia insistido que a ombreira fetiche não combinaria com o terno do casamento...
O carro fora arremessado como se fosse de brinquedo. Dois dançarinos? ou mais? DENISE!!!
"Denise Ariel Bertoldi, aceita em nome de Gaia, dividir a vida com este homem? estar a seu lado quando a dor da batalha se abater, a ameaça do abismo fizer sua sombra e a incerteza da guerra assombrar as noites? Aceita assumir seu papel como parente, abençoada por Gaia com o dom da vida, e sua responsabilidade como ultima esperança da frente de batalha pelo Mundo? É de sua vontade, diante de Gaia, senhora de tudo e da Barata, protetora dos Andarilhos do Asfalto que se une a este Garou?"
"Sim, amor...eu to bem...acorda..."
Não havia água o suficiente ainda dentro do carro, Denise tentava acordar seu marido desesperadamente, enfim ele a olhou, por um segundo aqueles olhos de fascínio, mas logo se deram conta da realidade.
Tudo ia bem, o carro seguia pela estrada em direção ao caern, seria uma festa enorme, mesmo que Rush tivesse sido contra por causa das mortes em Grey Rose, para ele não era ainda hora de comemorar nada, mas Denise é jovem e cheia de vida, seria injusto negar isso a ela na noite mais importante de sua vida, e afinal de contas ele era um ragabash, as regras não eram tão importantes assim. Denise estava linda, um belo vestido branco. O velho andarilho ainda não entendia como uma bela amiga de sua filha se interessaria por ele, um velho, cheio de rugas, cabelos brancos e cicatrizes. Érika diz que é o senso de humor, Rush sabe que é o destino. O carro recebeu uma pancada, rodopiou no ar e Rush só teve tempo de ouvir o grito de Denise antes do impacto.
"Robert Rushmore Dalton, é de sua vontade que aceita esta parente, que possui o sangue de sua tribo e a benção de seu totem? promete protege-la de todo o mal, livrá-la de toda a ameaça e nunca, jamais permitir que a Wyrm se aproxime dela, de seu lar e de seus filhotes? Seja ela manifesta em qualquer forma, desde fomores até..."
"DANÇARINOS FILHOS DA PUTA!"
Com o grito o velho andarilho destruiu o teto do carro ao entrar em crinos, a água entrou com rapidez e ele ouviu Denise sufocar, ele a abraçou, um abraço que valeria por mil, e subiu, com um salto, estavam vivos, mas não salvos.
Ele deixou a esposa no chão com pouca delicadeza e saltou na direção do caminhão que chegava com as luzes altas, quase o cegando. A mata ao lado parecia lembra-lo de um dia muito distante onde ele e sua matilha venceram um torneio de luta na umbra, as árvores pareciam expectadores, e ele não iria perder dessa vez. O desvio dava para uma grande pedreira, os carros passavam pela estrada, alheios ao que acontecia á beira do lago.
O Monstro acinzentado, com pelo cheio de tatuagens e algumas mexas pintadas de azul avançou contra o veículo. Fomores começaram a atirar, era prata e doía muito. Estavam realmente dispostos a mata-lo na noite de seu casamento. Claro. Seria uma noite de tranquilidade, relaxamento e alegria. Era um Garou velho e debilitado e tinha uma parente que protegeria literalmente com sua vida,. Mas eles não contavam com muitas coisas. Rush sorriu quando viu Denise acordar e mergulhar de volta na água, ele sabia quem ela era.
O Garou avançou por entre os tiros, o primeiro golpe pegou o caminhão de baixo para cima e o suficiente para a velocidade da fúria permitir que Rush o segurasse e erguesse, terminado de empurra-lo para trás. O monstro de metal tombou de cabeça para baixo, ouviram-se gritos e os tiros pararam, as rodas ainda estavam em movimento. O Andarilho olhou para o veiculo e ouviu-se um "click", todos trancados lá dentro. Um estalar dos gigantescos dedos do crinos e o tanque de combustível encontrava uma pequena chama criada do nada. A wyrm recebeu de volta vários fomores de uma só vez aquela noite, e em muitos pedaços.
Ao longe outros dois carros vinham em alta velocidade. Seus ocupantes urravam como loucos e atiravam mais prata, á frente deles, dois seres grotescos corriam como leopardos, eram dois Espirais, e um deles Rush conhecia muito bem. O velho inimigo tinha senso de humor e parou, deixando o outro avançar. Rush o esperava com tranquilidade mas os tiros incomodavam, mesmo a armadura de Luna uma hora falharia.
Neste momento uma criatura símia saltou da água, basicamente uma macaca de vestido de noiva. Denise era uma das poucas capazes de fazer isso entre os parentes. Ela portava o fetiche mais antigo e mais querido de Rush, sua velha escopeta. O barulho dos tiros eram música para os ouvidos do Andarilho enquanto ela enviava um a um os ocupantes dos carros e seus tiros irritantes para o abismo. Rush avançou contra o espiral. Ele deixou que o idiota chegasse bem perto, recebeu de graça duas garradas para anima-lo então agarrou as orelhas do inimigo e puxou sua cabeça para trás, com um movimento rápido, enfiou a mão fechada dentro das mandíbulas da fera, quase garganta abaixo, ali ele abriu a mão que continha uma esfera de metal, ele a aqueceu com um dom simples e deixou. Quando tirou a mão, a mesma atravessou cinzas  e brasa, o infeliz explodiu em chamas. Velho dom, velha tática, velha eficiência.
Enfim, Rsuh e Morte-pelas-mãos-da-wyrm estavam frente a frente. o Andarilho o matara mais de dez vezes, ele sempre volta, mais deformado e feio que nunca.
"Salve macaco de metal, parabéns pelo casamento. Essa sua noivinha é bem mais bonita que a outra e vejam só! Ainda Tem duas mãos!..."
Rush poderia usar sua fúria, avançar contra ele, arrancar seu focinho e se livrar dele mais uma vez, mas seria inútil, e Denise estava ali, mesmo sendo feroz era uma parente. Aquele Espiral havia tirado uma esposa sua uma vez, ele não permitiria que fizesse de novo.
"Este espetáculo todo foi só pra tirar onda com a minha cara desgraçado? vai me deixar passar ou vou ter que mandar você de volta pro abismo?"
O espiral apenas sorriu
"Vim trazer o presente de casamento, mas antes tive que ter certeza que você é ainda o mesmo safado que me matou da primeira vez. Você matou o filhote ali da mesma forma que me matou de primeira lembra? sabe que se fosse comigo hoje, estaria sem mão não é? A memória já está faltando velhote? seria uma pena..."
Denise se aproximou, Rush a manteve a distância, ela apontou a escopeta para o Espiral e ele pareceu surpreso pelos glifos do fectiche estarem ativos com gnose. Mais uma surpresa da parente.
"O que quer? acabe logo com isso, se não percebeu tenho um casamento pra ir..."
O espiral apenas gargalhou como uma hiena, deixou no chão um envelope amassado e desapareceu para a umbra. Rush pegou o envelope, franziu o semblante e apenas sorriu para Denise.
"Sendo assim, pelos poderes a mim conferidos, por Gaia e pelos Espíritos, declaro os dois casados! Que sejam felizes e que tenham muitos filhotes! Eu diria que você pode beijar a noiva Rush, mas acredito que ambos precisem de um bom banho e alguns toques da mãe...então, bora pra festa cambada!"
E assim foi. Muita dança, bebida, alegria. O caern dos Andarilhos estava radiante, os filhotes tinham enfim um motivo para festejar. Denise estava linda, mesmo cheia de curativos, ela sorria um sorriso sincero. Gaia o havia presenteado com o amor enfim, depois de tantos anos de lamentos, mas tudo tem seu preço. Em suas mãos o envelope continha a cópia de um contrato de compra e venda. nada mais do que a venda da Pentex, toda ela, para um único comprador. A assinatura de todos os conselheiros da Wyrm estava lá, e no espaço onde o comprador deveria assinar estava um nome que Rush não queria pronunciar, Morrigan Stonewall. Entre os Garou conhecida como Morgana, Rainha de Malfeas.
Érika veio busca-lo para a dança dos noivos. Denise o recebeu e riu ao vê-lo mancando, seria uma dança engraçada com ambos feridos, mas seria a dança mais importante de sua vida. Talvez, se tudo o que aquele papel representava se tornasse realidade, fosse a ultima.