sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
A Guerra dos Vermes II: Três Coroas, Uma Cabeça
O rapaz estava ofegante. Ele era aquele tipo de jovem na puberdade, gordinho, estranho e determinado a perder a virgindade.
Morgana sabia que seu visual era no mínimo estranho, seu novo corte de cabelo causava mais estranhamento do que admiração e para ela isso era engraçado. No entanto seu corpo, moldado com a esfera da vida para chegar ao grau máximo de perfeição, tanto estética quanto funcionalmente continuava o mesmo. Aquele garoto não teria a chance de tocar uma beldade como ela nem em umas dez vidas.
Não seria necessário.
A praça que ficava no campus do College of Science and Engeneering da Seattle University era agradavel, como o restante da cidade, a arquitetura moderna contrastava com o clima de sabedoria, modernidade e descoberta. Carne nova, ela pensou, cada dia mais e mais suculenta para o Dragão, mas não havia motivos para corromper deliberadamente. Isso era coisa da Corruptora, Morgana seguia outra coisa.
Malcom era o nome dele. Ele se sentou ao lado dela no banco, ela sorriu e enxugou o suor da testa dele com a manga da jaqueta.
"Trouxe a pasta queridinho?"
Aquele olhar maléfico seria capaz de derreter uma geleira, o rapaz teve apenas o tempo de entregar a pasta e travar os olhos no enorme decote que a Nephnadi deixava exposto de propósito, claro.
"Muito bom meu amor, muito bom" ela lia os papeis timbrados mordiscando o lábio inferior, aquilo parecia deixar o garoto ainda mais excitado e ela lançou a ele um olhar proibitivo, seguido de um bico infantil e um olhar malicioso.
"Acho que você merece seu prêmio gatão, vem cá, deixa eu cuidar disso"
mal conseguiu falar algo, o rapaz recebeu um belo beijo, daqueles ardentes. Morgana havia prometido a ele todo o sexo que ele pudesse querer, e na mente dele, agora, ele tinha isso. Para o pobre Malcom, ele estava em seu quarto, com a beldade de cabelos vermelhos com corte estranho satisfazendo todas as suas vontades carnais, na verdade, no entanto, Ele estava deitado no banco da faculdade, exercendo atos degradantes consigo mesmo, o que renderia uma expulsão, um processo e o resto da vida de chacotas e humilhações.
Morgana já estava saindo da universidade quando ouviu as risadas.
Quando se é o que os estudiosos chamam de Arquemago, muitas coisas mundanas se tornam triviais, quase instintivas. Atravessar o trânsito caótico, parando e avançando exatamente no momento exato para não ser atropelada, sem tirar os olhos do papel que estava lendo nem mesmo um segundo e só se dar conta disso quando já estava sentada no banco do metrô era uma regalia para os poucos mestres na arte da entropia. Sorte, para ela, era uma questão ultrapassada.
"Estudos sobre As Ciências Exotéricas aliadas á Matemática, Física e Filosofia: Dr Andersen Blackside"
Morgana franziu a expressão, como se não entendesse muito daquilo tudo. Ela sabia que precisaria resolver uma equação. Tudo o que acontecera em Grey Rose se resume a uma variáveis e números. Draknar poderia ser trazido de volta, a cidade poderia ressurgir e seu poder voltaria a ser o mesmo, senão maior.
O metrô a deixou no ponto de sempre, ela lia e relia os manuscritos, mas ela era uma Barabi, sacerdotisa do Dragão Negro, Senhora do Labirinto, Besta da Luxúria, Rainha de Malfeas. Ela não entendia absolutamente nada de matemática.
Ao chegar na velha casa pobre que usava de lar, os rapazes já se aproximavam, ela beijou cada um deles, ardentemente e sorriu, entrou na sala cheia de restos de comida estragada, afagou o gato fomori que ela insistia em deixar perder todo o pelo só por diversão e se dirigiu ao porão. As peças de roupa foram ficando pela escada, e ao chegar em seu santuário, a beleza nua e cravejada de tatuagens, ideogramas e símbolos da Wyrm era estonteante. Ela se concentrou, entrou no círculo ritual, desenhado com uma espécie de gosma radioativa verde que ela pegara em um caern corrompido na Russia, o símbolo era a espiral do labirinto, misturado ao glifo para espírito ou umbra, esse círculo tinha três símbolos maiores dispostos como se fossem um triângulo equilátero, dois na vase e um no topo, cada um desses símbolos representava uma das cabeças da Hidra, a Wyrm Corruptora no topo, a Devoradora e a Besta na base. No centro, o símbolo arcano para Entropia, a verdadeira face da Wyrm que Morgana servia, aquela que poucos conhecem, o Dragão Negro, também chamado de Wyrm Priomordial, Ou Primus Wyrm.
Ela entoou cantigos e sangrou o corpo nu com sua claive, ali, em meio ao círculo, o fogo verde começou a queimar e a face de um gigantesco crinos lupino de feições deformadas começou a surgir.
Ela gritou.
"Toda a Glória seja dada ao maior dos guerreiros! Toda a Honra seja reconhecida ao maior dos Herois! Toda a sabedoria seja exaltada pois o mais sábio dos servos do Dragão está entre nós! Que o Wyrm prevaleça! Salve meu senhor e Consorte! Lord de Malfeas, Número dois!"
A face encarou Morgana com uma expressão de desconfiança.
"esqueça as inutilidades, o que você quer? como ousa me invocar dos confins de malfeas? Por um acaso a senhora de Malfeas não tem nada para fazer? Não teria a portadora da coroa de Ônix nada melhor para cuidar do que perturbar o general do Dragão? Diga o que quer mulher! não tenho tempo para suas frivolidades!"
Morgana sorriu. Um sorriso insano, um escárnio.
"Quero a Pentex."
Número Dois pareceu assustado. Ele sabia que a companhia era uma das frentes mais poderosas, senão a mais poderosa da Wyrm, sabia que seus Lords eram os executivos e presidentes da empresa e que a guerra contra os Garou só estava avançando por que a Wyrm tinha acesso ao mundo dos humanos, sua tecnologia, seus avanços. Ele riu alto.
"Você tem a cara de pau de dizer isso? De me invocar a sua presença bruxa maldita, apenas para fazer essa piada sem graça? Anda deveras confiante para se sujeitar a isso..."
Mal a fera terminou sua frase, seu corpo começou a tomar forma, os símbolos da tríade da Hidra começaram a se transmutar, um se tornou o símbolo arcano da esfera do Espírito, outro da correspondência e por fim, o da matéria. A expressão era de terror, a bruxa ousava fazer algo impensado, ela trouxe o garou dos confins de malfeas, o materializou, depois de milênios.
"Ao contrário de você, eu não me vanglorio de meu cargo. A coroa de ônix é uma ótima tijela de pipoca, você pode ver ela em algum lugar, o que me faz rainha de Malfeas seu cachorro sarnento é essa beleza aqui, em minhas mãos. Posso atravessá-la em seu rabo, e para provar sua mediocridade vou enfrentar você pelada."
A maga girou a claive, o fetiche brilhou com uma luz verde cegante. A batalha começou.
O garou, outrora general mais respeitado, antigo Rei de Malfeas e segundo a sobreviver á dança da espiral negra, estava atordoado. Por milênios ele lutou na umbra, cercado por seus maeljins, agora ele respirava o ar de gaia mais uma vez, aquilo era tóxico, e Morgana sabia disso.
Mesmo assim era uma besta magnífica. Ele despejou sobre ela uma chuva de garras, dentes e dons profanos, sua magia a protegia de muitos, mas sua carne sentiu a dor de muitos outros. Era uma batalha brutal, garra cortando e rasgando carne, lâmina queimando e partindo ossos.
As entranhas da bruxa já estavam a vista, mas a besta estava envenenada, Número Dois se prostrou esgotado, a lâmina da claive penetrou suave pela garganta e saiu do outro lado, Morgana apoiou o pé em algum lugar do corpo destriçado da besta e forçou a espada como uma alavanca. A cabeça saiu como se fosse uma rolha de champanhe. sangue por todo o lado. A esfera da vida já costurava as cicatrizes, Morgana sorria e com a cabeça de Número Dois nas mãos ela saiu do porão, vestida de vermelho dos pés a cabeça, o sangue era tanto que escondia sua nudez. Seus garotos, fomores escravos de sua luxúria a seguiram quando ela subiu no telhado da casa e cravou a cabeça do garou em uma das astes da antena.
Calmamente, Morgana desceu, tomou um banho, vestiu uma roupa bem casual e se sentou no sofá, colocou o gato no colo e começou a ver TV.
O sinal estava péssimo claro, mas ela não prestava atenção em nenhum programa. Ela apenas pensava quanto tempo levaria para ela chegar. A campainha tocou, Morgana sorriu. Ela puxou a adaga de ferro fria de debaixo da almofada do sofá e foi atender. Seria um fim de noite dos sonhos.
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É isso aé Morgana! Agora se vc também pudesse foder com mais alguns da Wyrm eu ficaria muito grato! uahauhauhauha
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