quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
A Guerra dos Vermes IV: Até que a Wyrm os Separe
"Eu, Nike Veloz, Theurge dos Roedores de Ossos, tenho um imenso prazer de oferecer esta união aos espíritos de Gaia, aos seres puros e honrados. Que diante dos totens e celestinos, este Garou e esta parente encontrem o amor quando a dor vier, e ela virá, pois somos guerreiros, e a guerra não começou com nossos pais, nem terminará com nossos filhos. Gaia precisa de nosso sangue, e somos felizes por oferecê-lo..."
Frio...Rush sentia o gosto pútrido da água em sua boca, tudo girando, dor, muita dor...o velho ombro. Èrika havia insistido que a ombreira fetiche não combinaria com o terno do casamento...
O carro fora arremessado como se fosse de brinquedo. Dois dançarinos? ou mais? DENISE!!!
"Denise Ariel Bertoldi, aceita em nome de Gaia, dividir a vida com este homem? estar a seu lado quando a dor da batalha se abater, a ameaça do abismo fizer sua sombra e a incerteza da guerra assombrar as noites? Aceita assumir seu papel como parente, abençoada por Gaia com o dom da vida, e sua responsabilidade como ultima esperança da frente de batalha pelo Mundo? É de sua vontade, diante de Gaia, senhora de tudo e da Barata, protetora dos Andarilhos do Asfalto que se une a este Garou?"
"Sim, amor...eu to bem...acorda..."
Não havia água o suficiente ainda dentro do carro, Denise tentava acordar seu marido desesperadamente, enfim ele a olhou, por um segundo aqueles olhos de fascínio, mas logo se deram conta da realidade.
Tudo ia bem, o carro seguia pela estrada em direção ao caern, seria uma festa enorme, mesmo que Rush tivesse sido contra por causa das mortes em Grey Rose, para ele não era ainda hora de comemorar nada, mas Denise é jovem e cheia de vida, seria injusto negar isso a ela na noite mais importante de sua vida, e afinal de contas ele era um ragabash, as regras não eram tão importantes assim. Denise estava linda, um belo vestido branco. O velho andarilho ainda não entendia como uma bela amiga de sua filha se interessaria por ele, um velho, cheio de rugas, cabelos brancos e cicatrizes. Érika diz que é o senso de humor, Rush sabe que é o destino. O carro recebeu uma pancada, rodopiou no ar e Rush só teve tempo de ouvir o grito de Denise antes do impacto.
"Robert Rushmore Dalton, é de sua vontade que aceita esta parente, que possui o sangue de sua tribo e a benção de seu totem? promete protege-la de todo o mal, livrá-la de toda a ameaça e nunca, jamais permitir que a Wyrm se aproxime dela, de seu lar e de seus filhotes? Seja ela manifesta em qualquer forma, desde fomores até..."
"DANÇARINOS FILHOS DA PUTA!"
Com o grito o velho andarilho destruiu o teto do carro ao entrar em crinos, a água entrou com rapidez e ele ouviu Denise sufocar, ele a abraçou, um abraço que valeria por mil, e subiu, com um salto, estavam vivos, mas não salvos.
Ele deixou a esposa no chão com pouca delicadeza e saltou na direção do caminhão que chegava com as luzes altas, quase o cegando. A mata ao lado parecia lembra-lo de um dia muito distante onde ele e sua matilha venceram um torneio de luta na umbra, as árvores pareciam expectadores, e ele não iria perder dessa vez. O desvio dava para uma grande pedreira, os carros passavam pela estrada, alheios ao que acontecia á beira do lago.
O Monstro acinzentado, com pelo cheio de tatuagens e algumas mexas pintadas de azul avançou contra o veículo. Fomores começaram a atirar, era prata e doía muito. Estavam realmente dispostos a mata-lo na noite de seu casamento. Claro. Seria uma noite de tranquilidade, relaxamento e alegria. Era um Garou velho e debilitado e tinha uma parente que protegeria literalmente com sua vida,. Mas eles não contavam com muitas coisas. Rush sorriu quando viu Denise acordar e mergulhar de volta na água, ele sabia quem ela era.
O Garou avançou por entre os tiros, o primeiro golpe pegou o caminhão de baixo para cima e o suficiente para a velocidade da fúria permitir que Rush o segurasse e erguesse, terminado de empurra-lo para trás. O monstro de metal tombou de cabeça para baixo, ouviram-se gritos e os tiros pararam, as rodas ainda estavam em movimento. O Andarilho olhou para o veiculo e ouviu-se um "click", todos trancados lá dentro. Um estalar dos gigantescos dedos do crinos e o tanque de combustível encontrava uma pequena chama criada do nada. A wyrm recebeu de volta vários fomores de uma só vez aquela noite, e em muitos pedaços.
Ao longe outros dois carros vinham em alta velocidade. Seus ocupantes urravam como loucos e atiravam mais prata, á frente deles, dois seres grotescos corriam como leopardos, eram dois Espirais, e um deles Rush conhecia muito bem. O velho inimigo tinha senso de humor e parou, deixando o outro avançar. Rush o esperava com tranquilidade mas os tiros incomodavam, mesmo a armadura de Luna uma hora falharia.
Neste momento uma criatura símia saltou da água, basicamente uma macaca de vestido de noiva. Denise era uma das poucas capazes de fazer isso entre os parentes. Ela portava o fetiche mais antigo e mais querido de Rush, sua velha escopeta. O barulho dos tiros eram música para os ouvidos do Andarilho enquanto ela enviava um a um os ocupantes dos carros e seus tiros irritantes para o abismo. Rush avançou contra o espiral. Ele deixou que o idiota chegasse bem perto, recebeu de graça duas garradas para anima-lo então agarrou as orelhas do inimigo e puxou sua cabeça para trás, com um movimento rápido, enfiou a mão fechada dentro das mandíbulas da fera, quase garganta abaixo, ali ele abriu a mão que continha uma esfera de metal, ele a aqueceu com um dom simples e deixou. Quando tirou a mão, a mesma atravessou cinzas e brasa, o infeliz explodiu em chamas. Velho dom, velha tática, velha eficiência.
Enfim, Rsuh e Morte-pelas-mãos-da-wyrm estavam frente a frente. o Andarilho o matara mais de dez vezes, ele sempre volta, mais deformado e feio que nunca.
"Salve macaco de metal, parabéns pelo casamento. Essa sua noivinha é bem mais bonita que a outra e vejam só! Ainda Tem duas mãos!..."
Rush poderia usar sua fúria, avançar contra ele, arrancar seu focinho e se livrar dele mais uma vez, mas seria inútil, e Denise estava ali, mesmo sendo feroz era uma parente. Aquele Espiral havia tirado uma esposa sua uma vez, ele não permitiria que fizesse de novo.
"Este espetáculo todo foi só pra tirar onda com a minha cara desgraçado? vai me deixar passar ou vou ter que mandar você de volta pro abismo?"
O espiral apenas sorriu
"Vim trazer o presente de casamento, mas antes tive que ter certeza que você é ainda o mesmo safado que me matou da primeira vez. Você matou o filhote ali da mesma forma que me matou de primeira lembra? sabe que se fosse comigo hoje, estaria sem mão não é? A memória já está faltando velhote? seria uma pena..."
Denise se aproximou, Rush a manteve a distância, ela apontou a escopeta para o Espiral e ele pareceu surpreso pelos glifos do fectiche estarem ativos com gnose. Mais uma surpresa da parente.
"O que quer? acabe logo com isso, se não percebeu tenho um casamento pra ir..."
O espiral apenas gargalhou como uma hiena, deixou no chão um envelope amassado e desapareceu para a umbra. Rush pegou o envelope, franziu o semblante e apenas sorriu para Denise.
"Sendo assim, pelos poderes a mim conferidos, por Gaia e pelos Espíritos, declaro os dois casados! Que sejam felizes e que tenham muitos filhotes! Eu diria que você pode beijar a noiva Rush, mas acredito que ambos precisem de um bom banho e alguns toques da mãe...então, bora pra festa cambada!"
E assim foi. Muita dança, bebida, alegria. O caern dos Andarilhos estava radiante, os filhotes tinham enfim um motivo para festejar. Denise estava linda, mesmo cheia de curativos, ela sorria um sorriso sincero. Gaia o havia presenteado com o amor enfim, depois de tantos anos de lamentos, mas tudo tem seu preço. Em suas mãos o envelope continha a cópia de um contrato de compra e venda. nada mais do que a venda da Pentex, toda ela, para um único comprador. A assinatura de todos os conselheiros da Wyrm estava lá, e no espaço onde o comprador deveria assinar estava um nome que Rush não queria pronunciar, Morrigan Stonewall. Entre os Garou conhecida como Morgana, Rainha de Malfeas.
Érika veio busca-lo para a dança dos noivos. Denise o recebeu e riu ao vê-lo mancando, seria uma dança engraçada com ambos feridos, mas seria a dança mais importante de sua vida. Talvez, se tudo o que aquele papel representava se tornasse realidade, fosse a ultima.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Mto foda P!
ResponderExcluir