sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
A Guerra dos Vermes VII: De Volta ao Campo de Batalha
"Arcádia está ruindo."
Astrid saiu da reunião com Lord Yorick com um grande pesar. Segundo ele, um grande exército de fomorians* estava se reunindo nos arredores da grande muralha. Era questão de tempo até avançarem. O Grande Freehold de Mystara estava fraco sem Walleria, e Mystara é a ultima defesa. Se cair, Arcádia sofrerá o grande inverno.
Ela se sentou em seu pequeno escritório, não na sala da Rainha. Aquilo definitivamente não pertencia a ela. Ser Regente era ter todas as responsabilidades do governante, e nenhum de seus recursos. Ela estava farta, foram séculos de batalhas contra a banalidade. Um dragão deveria colecionar tesouros e o que ela tinha? Uma coleção de fracassos.
Seus maiores tesouros porém eram sua filha e Asfin. Ela pensava o quão insensível e nada romântica estava sendo, ele a havia pedido em casamento após o nascimento de Silber, e ela havia prometido uma resposta em breve. Esse breve estava longo demais, ele é um homem bom, mas não esperaria para sempre. E que resposta poderia ser senão um sim?
Muitos podiam acusa-la de tentar dar um golpe para assumir de vez o trono, afinal Asfin, O Verde, era filho de Walleria, mas o Nocker havia recusado o titulo ha décadas, ele dizia que não servia para os jogos políticos, que forjar uma espada era muito melhor do que forjar um reino. Ele não poderia ter feito coisa mais sábia em toda a sua existência.
Ela o havia conhecido em uma reunião, ainda como General de Walleria. Naquele tempo as coisas eram bem mais fáceis, e Asfin era um jovem promissor. O amor dos dois foi bem improvável e ficou mais forte quando walleria deixou Arcádia para lidar com questões no mundo de Outono, seu maior erro segundo Astrid. Ambos se uniram em torno da preocupação com a Rainha inconsequente. Aquilo evoluiu e ficou marcado em suas almas. Vidas depois, finalmente se renderam ao amor, e ele foi selado com a vinda inesperada, mas muito bem recebida de Silber.
Asfin é o ultimo pilar de Walleria no Mundo outonal. Astrid tentou muitas vezes traze-lo para Arcádia, mas ele havia se compadecido de seus irmãos Kithain ha muito tempo. Ele optou por permanecer na Terra, como um changeling, como os outros dois filhos da rainha. Astrid quase ficou com ele, na verdade ela permaneceu um bom tempo entre os humanos, como uma mega empresária, mas aquilo não funcionou, e ela retornou a Mystara, colocou a casa em ordem depois de resolver uma conspiração entre dois Drows extremamente poderosos e resolveu ficar e esperar pelo dia em que ela e Asfin poderiam ficar juntos em um só lugar.
Uma batida na porta a interrompeu no exato momento no qual ia começar a escrever em seu diário. Ela ordenou e o jovem servo entrou com um envelope nas mãos. Era um Bogan bastante simpático, servo de Walleria. Ela estava começando a se acostumar com eles e eles com ela. A dragoneza sorriu e o servo se retirou. Era um recado de Emila, sua informante Eshu no mundo outonal.
"Minha senhora, o grupo de magos foi devidamente contactado e aceitou a missão de bom grado. A jovem Milena cumpriu a promessa e sua jovem cabala ruma em direção ao Shide de nome Ayreon. Se ele tem alguma pista da Rainha é algo que apenas a maga poderá dizer, mas o que pude perceber até agora é que estamos no caminho certo. Sinto os ventos do Glamour a nosso favor, e a senhora sabe, um Eshu nunca erra o caminho. Sua serva, Emila"
Enfim boas notícias. Astrid sorriu pela primeira vez em algumas semanas. Sindel, a vidente de Walleria, uma antiga e estranha Sluagh havia previsto que a Rainha teria renascido em um corpo mortal, pela ultima vez. Que seu corpo faérico possuia ainda a ultima fagulha de glamour e que, se a sorte estivesse ao seu lado, poderia ser trazida de volta. No entanto, a Sluagh previu algo que ela chamou de "A Guerra dos Vermes", o que segundo ela seria a principal ameaça a segurança de Walleria. "O Verme de muitas cabeças morderá a si mesmo várias vezes, e o corpo pesado tombará, esmagando aqueles que estiverem abaixo de si, tenha uma coroa em sua cabeça, ou não." As palavras não saiam da mente da Dragoneza.
Astrid fechou o diário, não teria tempo para aquilo. Se Milena já estava a caminho de seu destino, era hora de preparar a ajuda necessária. Enfim, depois de muito tempo, Astrid Argentum retornaria ao Mundo Outonal. A Regente poderia ter ido atrás de Walleria ela mesma, mas com tal situação em Mystara, ela só poderia se ausentar se fosse o momento crucial para resgatar a rainha. Um tempo longo fora do reino poderia botar tudo a perder e Walleria não teria mais um trono para se sentar quando voltasse. A maga de nome Millena tinha uma dívida com Astrid e era algo que os estudiosos de Arcádia ainda não sabiam explicar. Uma espécie de hibrido. Metade mago, metade Changeling. Ela havia se mostrado confiável em outra ocasião, foi a escolha perfeita para preparar o caminho para sua ação. O momento enfim, havia chegado.
Ela saiu da sala, tomou um belo banho e vestiu uma roupa simples. Sua beleza era antiga, e chamar a atenção era a ultima coisa que pretendia.
A Regente assinou um decreto dizendo que quem responderia por Mystara agora, até seu retorno seria Lord Yorick Uil, um velho Troll cuja honra era indiscutível. Senhor de um antigo reino nas terras de Mystara, ele sempre foi um dos soldados mais fieis a Walleria que Astrid havia conhecido. A ordem era simples. "Organize as defesas, tome as decisões necessárias e aguarde até o ultmimo segundo. Retornarei com a Rainha e esmagaremos os fomorians e os goblinoides de uma vez por todas". O Troll aceitou sem discutir. Mystara tinha um novo regente, e Astrid rezava a seu Deus que tivesse tomado a decisão correta.
A escadaria que levava ao topo da casa principal do grande complexo do palácio de Faerûn era gigantesca, mas ela a subiu com orgulho e esperança. Enfim ela poderia agir.
De cima era possível ver quase todo o Reino, e a fumaça que vinha da floresta que cercava toda a entrada de Arcádia, algo que por si só já seria um motivo para desistir de qualquer ataque. Mas os Fomorian estavam sedentos de vingança, e não poupariam esforços.
Astrid se concentrou, em pouco tempo ela já era um ser gigantesco, um Dragão prateado, a ultima de seu povo ainda acordada. Ela levantou voo, e acelerou. Aquela sensação era indescritível. Astrid sentia saudades do tempo em que aquela forma era natural e a humana era a estranha. Ela atravessou o Dreaming como se fosse um cometa, o Dreaming profundo, os reinos distantes, os reinos médios e por fim o Dreaming próximo. Mas alguma coisa estava errada, alguma coisa fez o gigantesco Dragão tentar parar seu voo, o que obviamente se tornou um desastre.
Astrid sobrevoava uma grande construção de árvores retorcidas. Na linha do horizonte era possível ver a chama violeta quase do tamanho do sol, era o reflexo de Grey Rose depois de sua destruição, Um Freehold Unseelie tão nefasto que ela não se atreveria a sobrevoar naquele plano.
Mas o que a fez parar vinha de outro lugar, um vale, todo prateado e metálico, cheio de aranhas padrão tecendo teias de informação. Seattle emanava uma aura perigosa para fadas. Uma energia tão ruim que fez Astrid se desconcentrar do voo. Ela bateu em uma torre de vidro, que veio abaixo, as aranhas começaram a se amontoar no gigantesco corpo do Dragão. Astrid começou a mudar de forma e conseguiu a tempo romper a barreira entre os mundos, mas o esforço foi brutal, ela se viu no mundo outonal enfim, mas ferida, já na forma humana, ela sangrava e tinha ossos quebrados. Teve que se arrastar com muita dor para a beira de um acostamento para não ser atropelada, mas o que vinha de uma velha fábrica do outro lado de um grande terreno é o que a assustava. A região era bastante deserta e haviam muitas fábricas. Parecia um polo industrial, mas a maioria dos galpões e estruturas estavam abandonados.
A Dragoneza entoou algumas preces para Bahamut, os ferimentos começaram a se fechar e os ossos voltaram dolorozamente para o lugar. Ela ianda se perguntava se Bahamut ainda podia ouvir suas preces ou se aquilo era pura magia, no fim se apegava a velha fé, mesmo sabendo que o Deus não respondia ha milênios.
A dragoneza caminhou com cuidado em direção á fábrica. O Glamour tem caminhos estranhos, mas algo tão forte para lhe levar até ali não poderia ser ignorado. Na frente da fábrica, que parecia ser de componentes eletrônicos, estava parada uma bela limousine e alguns seguranças bem vestidos guardavam a entrada. Havia uma energia banal vindo de dentro do lugar, uma mistura de banalidade e entropia. Astrid parou de súbito. Se aproximar mais seria arriscar a propria vida. Era um Dauntain**.
Um maldito Dauntain estava lá dentro. Uma fada covarde que abdicou do sonho em nome da banalidade. A vontade da Dragoneza era atravessar os portões, matar todos lá dentro e destruir esse ser desprezível aos poucos e com muita dor, mas algo a fez parar, uma voz antiga que ha muito tempo não ouvia.
"Se você assumir sua forma verdadeira aqui, Astrid, eu, você e qualquer fada ou mago em um raio de um km será aniquilado pela banalidade e pelo paradoxo, então sugiro que se acalme."
"Vasanta? então resolveu mostrar a cara seu verme?" Os punhos de Astrid estavam serrados.
"Verme? Barata seria mehor, Bubasvava, pra ser mais preciso. Como tem passado?"
Vasanta é um antigo criminoso de Arcádia. Em tempos muito antigos, ele costumava ser um agente secreto de Walleria, Um poderoso Eshu que era capaz das mais ousadas técnicas de assassinato e intriga. Tão ousadas que ele traiu Walleria e passou para o lado de Celeste quando ela tomou Mystara na idade das trevas. Não fosse a improvável ajuda de uma poderosa vampira do clan Ventrue, Walleria nunca teria retomado o trono. O eshu foi exilado, e um selo de ferro foi feito para que nunca mais pudesse pisar nos reinos de Arcádia muito antes dos portões serem definitivamente fechados. Desde aquele dia, Astrid nunca havia o visto outra vez, até agora.
"Pior que você pelo visto traidor. Celeste enviou você para fazer o serviço sujo dela? É ela quem está lá dentro? Nao sabia que ela havia descido tanto a ponto de se tornar uma Dauntain..." A expressão era de desprezo, mas o Eshu parecia não se importar. Ele era um homem belo, de traços indianos muito sutis. O sorriso era sedutor, mas escondia crueldade.
"Ah sim, nisso você tem razão, estou ótimo. Meus domínios nesta terra árida são vastos, e tenho tudo o que desejo. Mas não trabalho mais para os Blackside, se quer saber. Traidores tão vis como eu. Se lhe conforta tomei uma pequena dose amarga de meu proprio veneno." Ele caminhava ao redor de Astrid, que apenas o acompanhava com os olhos.
Ele continuou. "Sim, Celeste está aí dentrro, mas o dauntain não é ela e sim quem ela está trazendo a vida."
Astrid sentiu um arrepio de frio. Era a essência do puro inverno eterno.
"Como assim ladino? o que quer dizer? O que sabe?" O olhar era de impaciência, ela colocou a mão no peito do indiano e o empurrou contra um poste de iluminação. O eshu riu daquilo.
"Não sei. E se soubesse venderia e não daria a informação assim, de graça ora essa...Estou aqui tentando descobrir, e fui eu que trouxe você pra cá Regente. Senti sua emanação elefântica voando pelo Draming. Burra você, inconsequente. Dragões estão Extintos. EXTINTOS! hehe, TODO o Dreaming sabe que você passou por lá, você fez o glamour enlouquecer por aqui, o que provavelmente fez com que TODOS os changelings também soubessem. Tudo bem, muito tempo sem visitar a colônia penal não é? Não tem noção de como a banalidade cresceu. Mas enfim, resolvi trazer você para ver o que Celeste está aprontando. A única coisa que sei é que ha um necromante aí dentro com eles."
"Necromante...nada de bom pode sair quando uma fada se une a um necromante... eu vou entrar..." Ela começou a fazer o gesto para que sua espada fosse materializada.
"Deixe de ser nervosa mulher. Você não é mais uma Paladina. Os mortos vivos não recuam mais quando você ergue as mãos...muito menos os necromantes. Calma, veja, estão saindo." O Ladino se desvencilhou dos braços de Astrid como se fosse feito de manteiga.
Os portões se abriram. Saindo de lá, Astrid viu Celeste, imponente em um vestido dourado e ao seu Lado Yolah, emanando arrogância. Nenhum sinal de necromante, mas havia uma menina. Ela estava sentada em uma cadeira de rodas, empurrada por um dos guarda-costas de Celeste. Ela parecia o ser mais fraco e frágil do Mundo, mas dela emanava uma energia tão malígna que Astrid ficou tonta. Aquela mistura de banalidade e entropia agora estava...viva...
A menina foi posta dentro da Limousine, e antes que Astrid pudesse se dar conta, o carro já tinha partido. Vasanta havia desaparecido como de costume. Tudo era muito confuso.
A Regente precisava botar as ideias no lugar, precisava achar Milena e Ayreon, e precisava encontrar Asfin e sua filha. Ela respirou fundo, e começou o encantamento para um portal. Quando buscou por sua espada para terminar o cantrip, percebeu que sua visita ao mundo outonal seria das mais complicadas. Ela teria que começar recuperando sua espada sagrada, que aquele maldito ladino Eshu havia acabado de roubar.
*Fomorians é o termo usado para os grandes inimigos dos Thuata de Daanan, as fadas originais, a Devir traduziu os seres da Wyrm como Fomoris, onde na verdade eles são chamados de Freak Legion, o que gerou uma certa confusão.
** Dauntains são seres que um dia foram Fadas ou changelings, mas que sucumbiram á banalidade por algum motivo e escolheram segui-la, emanando destruição e caçando changelings onde estiverem.
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Essa tradução idiota da Devir é que ferra com tudo, ai depois fica colocando uns nomes esquesitos no changelling, tipo Rezingão! Aff¬¬
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