segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A Guerra dos Vermes XI: O Dragão e seus Tesouros



"VOCÊ...É....LOUCA!!!"
Alguns dias haviam se passado desde o ultimo encontro entre a Regente de Mystara e o Eshu Ladino. Era noite na Turquia, e o frio do deserto deixava a situação ainda mais interessante. Depois de muito procurar, enfim a Dragoneza encontrara a pequena fortaleza de Vasanta, guardada por criminosos bem vestidos e cheia de prostitutas e seres de honra duvidosa. Todos fugiram aos berros de pavor quando o colossal dragão prateado surgiu no céu, atravessando concreto e metal, com um homem de jaqueta de couro e cabelos verdes se agarrando a seu pescoço.
A mansão estava destruída. Vasanta observava cada objeto, cada metal precioso, cada jóia de sua imensa coleção, todos empilhados formando um cone que chegava quase até o teto. Em sua garganta a ponta de uma espada de fio esverdeado e o belíssimo homem que a portava, com uma expressão hostil, cabelos verdes de tom escuro no rosto e um sorriso sarcástico. "Essa é a sua espada amor?"
Astrid apenas fez um menear positivo com sua gigantesca cabeça. O corpo dracônico ocupava quase todo o salão de festas da mansão onde Vasanta estava acuado. Suas asas haviam quebrado os vitrais luxuosos das janelas e os espinhos e protberâncias ósseas de sua calda haviam rachado e demolido boa parte do hall de entrada. A voz da Dragoneza parecia um trovão e ela fez questão de não ajusta-la em um tom mais baixo.
"ERA uma bela casa Vasanta. Uma casa indigna, porém de um traidor como você. O que tinha em mente, roubando a vingadora sagrada de um ser como eu? Achou mesmo que eu tentaria negociar com você? Que você conseguiria extorquir alguma vantagem em troca dela? Um perdão do exílio talvez? Você já foi mais esperto, Eshu..." As enormes narinas soltavam um vapor gelado, Vasanta sabia o que aquilo poderia significar vindo de um Dragão, Asfin, o verde sabia do que sua agora noiva, era capaz, e sorria ainda mais satisfeito.
"Vamos ser razoáveis Astrid, ok, eu preguei uma peça em você...não pude evitar, mas você não precisa me matar, já destruiu minha mansão e pilhou meu tesouro...seja piedosa, hã? o que Bahamut diria?" Ele tentava soar convincente, no entanto, havia falhado miseravelmente no argumento. Astrid encolheu os olhos, a fumaça começava a sair das narinas e Asfin previu o que aconteceria em breve.
"Amor...calma...não vale a pena desperdiçar uma baforada com esse verme...além do mais, isso afetaria muito as redondezas e algum inocente poderia pagar com a vida...que tal assumir aquela forma que eu adoro? Acho que o ladrão já entendeu o recado..."
Astrid deu um ultimo olhar de ódio, a expressão da forma Dracônica fez Vasanta se encolher como uma criança amedrontada, e gritar por piedade quando ela começou a falar.
"SE, alguma vez, um dia, eu suspeitar, ou Se alguém vier me dizer, mesmo que seja um pooka mentiroso, ou eu tiver um sonho e nele eu achar que escutei, você proferir, com essa boca imunda e amaldiçoada de traidor, o SAGRADO E IMACULADO NOME DO PODEROSO SENHOR BAHAMUT, eu voltarei, e arrancarei cada parte do seu corpo com meus dentes, mas não deixarei você morrer, reconstruirei seu corpo, e farei de novo, e se por um acaso você morrer no processo, eu trarei você de volta, e começarei tudo mais uma vez. Entendido?" A ultima frase já havia sido dita pelos delicados lábios da forma humana, de beleza hipnotizante, mas cuja expressão de ódio era igualmente intimidante. O Eshu tremia, o rosto encharcado de lágrimas. Não parecia nem de longe o perigoso senhor do crime, líder da maior organização criminosa entre os seres sobrenaturais, controladora das máfias e facções por todo o Mundo, Os Baratas, Bubasvava ou para os mais antigos, os Sanjayans.
Asfin retirou a espada do pescoço do Eshu e entregou solenemente a sua portadora de direito. Ela sorriu carinhosamente para o noivo enquanto colocava a lâmina sagrada na bainha escondida no enorme, porém galante sobretudo prateado, feito do próprio couro de dragão. Ela deu um leve beijo nos lábios do Nocker e se agachou de forma relaxada, quase infantil, ajeitando os cabelos molhados de suor do Eshu enquanto falava com voz doce e aveludada.
"Agora que estamos entendidos, ladino, quero informações. Quero que me conte melhor sobre aquela cena na fábrica. Você tem informações, eu sei. Quero saber o que Celeste pretende, quem era aquela criança e o que um necromante tem a ver com tudo isso, na verdade, quem é esse necromante, pra começar?"
Vasanta tentava recuperar a dignidade, se ajeitou erguendo as costas ainda na parede, se sentou de forma descente e ajeitou os cabelos negros.
"...O que sei sobre Celeste é que ela e Yolah estão buscando por uma menina, e há boatos de que ela é a reencarnação de algum nobre muito poderoso de Arcádia, mas isso apenas a senhora pode confirmar...certo? Será que era ela quem eles estavam levando?" O sorriso era de escárnio, era óbvio que ele sabia de quem se tratava, mas ela deixaria aquilo passar. A dragoneza estreitou os olhos mais uma vez. "E o necromante? você enrolou e não disse o que sabe sobre ele, minha paciência, como você já deve ter notado, não é muito grande..."
"Ah sim...que cabeça a minha. O Necromante é na verdade um Fantasma, uma alma penada, irmão de sangue dela e de Yolah, Um Blackside. Ele se materializou e fez algum trabalho sujo para eles. Quando eu os servia, tive o desprazer de encontrar tal criatura umas duas ou três vezes. Dizem que ele foi um grande general grego e comanda hordas de espectros em Estígia. Um ser medonho...com toda a certeza..." Vasanta assumira uma expressão mais séria, dificilmente mentiria sobre aquilo.
Astrid se levantou, parecia preocupada, era visível que alguma coisa estava fugindo de seu controle e que a Rainha Walleria estava em grandes apuros. Mas ela vira nitidamente a menina que os Blackside levavam naquele carro, e não era Walleria, com a graça de Bahamut. Ela continuou o interrogatório.
"Você parecia bastante esclarecido quando disse que o Dauntain era aquilo que estavam trazendo lá dentro. Acho que você deveria buscar um pouco mais fundo em sua memória e me dizer algo a respeito..."
Vasanta sorriu. "Não é preciso ser um grande conhecedor para saber o que estava acontecendo ali minha cara. Quem já lidou com os Blackside e com o Lord Demoníaco ao qual eles serviam, sabe do que eles são capazes. o tempo que a senhora ficou em Arcádia nublou sua percepção, é natural, mas aqui, onde a banalidade impera, é fácil determinar quando alguma coisa maior que um simples Dauntain está por perto. Aquilo não era pura banalidade...era algo pior, era uma banalidade entrópica, um paradoxo sombrio...aquela criança, era um Fomorian minha querida dragoneza, sim, os eternos inimigos dos Thuata de Daanan, nossos ancestrais mais distantes e poderosos. Um deles foi trazido, e agora cresce livre entre os changelings e logo começará a matar. Claro, me baseio em meus conhecimentos e minha intuição, que raramente me falha, mas me atiraria em um poço de ferro frio se não for o que estou pensando."
Astrid tinha os olhos perdidos, se aquilo fosse verdade o inverno Eterno estava mais próximo do que ela imaginava. A dragoneza se perdeu em um turbilhão de pensamentos, as profecias dos sluagh diziam sobre o retorno dos fomorian, mas ela havia ignorado. Todos estavam ignorando, era algo ruim demais para acreditar, e esse era o erro dos reis de outono, e dela, talvez tenha sido o erro fatal de Walleria. Ela virou as costas e caminhou até a pilha de tesouros no canto da sala, que ruía. "Macro, Micro, nada tenho mas com tudo fico" Ela guardou uma moeda de ouro no bolso do sobretudo, as palavras fizeram o glamour sorrir e a pilha de riquezas desapareceu como se nunca tivesse existido, Vasanta gritou de desespero, Asfin sorriu enquanto seguia a noiva de perto...
"Sugiro que saia daqui meu caro. Acredito que sua mansão são suportará os danos na estrutura por muito tempo...uma dica de Nocker, se adianta alguma coisa." O homem de cabelos verdes deixava a mansão de mãos dadas com a bela dragoneza, enquanto o Eshu praguejava e jurava vingança. 
Um rápido cantrip e viajaram até Seattle, estavam dentro da oficina do Nocker e ali em meio a espadas, armaduras e uma fornalha apagada, se entregaram a um profundo, ansioso e ardente beijo que quase evoluiu para algo mais quente. Mas a Regente não podia se dar ao luxo. Já havia conseguido pelo menos dizer sim ao homem de sua vida, e o casamento enfim seria realizado. Mas nada disso seria possível se Arcádia fosse destruída, selando o destino dos dois para sempre. Ela se aninhou nos braços fortes do Nocker, um dos mais respeitados e conceituados ferreiros do reino de outono e provavelmente de Arcádia. Ele beijou os cabelos prateados dela.
"Sua filha está com saudades...você deveria vê-la...não acha?" O tom não era de cobrança, mas deixava a Dragoneza triste como se fosse.
"Acha que não quero vê-la? Minha alma anseia por isso meu amor, mas não há tempo..." Ela saiu do abraço do Nocker visivelmente relutante, alguma coisa a incomodava e o velho Nocker sabia que não era nada relacionado a ele.
"Ela vai entender...mais uma vez...mas há algo a incomodando, mais do que toda essa história sobre Fomorians...o que foi Astrid? Que peso é esse em seus ombros?" Asfin massageava as costas da Dragoneza que poderia ficar ali eternamente tamanho era o prazer e o alívio que sentia com a carícia.
"Alguma coisa saiu de Mystara Asfin, alguma coisa que não deveria ter saído...seja quem for esse maldito fantasma, conseguiu trazer algo morto de Arcádia, algo morto ou aprisionado, ou talvez os dois..." Ela pegou uma dão mãos do Nocker, calejadas pelo martelo, as beijou e passou no próprio rosto
"A Fomorian? acha que ela veio de Mystara?" Ele a abraçou com firmeza e encostou o rosto no dela.
"Não tenho certeza, mas você sabe que os Msytarian e os Thuata são raças diferentes. Se esse Fomorian, for um Mystarian, as coisas podem ser muito, muito piores do que já se mostram...preciso agir Asfin, venha comigo, me ajude amor, estou sem ânimo..." Ela parecia querer chorar, mas era orgulhosa demais pra isso. Asfin apenas beijou seus cabelos novamente e sorriu "E desde quando eu deixei de acompanhar você?! Ah sim, quando você não deixava? verdade..." A Dragoneza enfim riu, deu um tapa no braço do noivo e se entregaram mais uma vez a um beijo apaixonado, aquilo ficou mais forte e quando se deu por conta,a Dragoneza  já estava no quarto da casa nos, andares superiores da oficina. Precisava daquilo, seu corpo se revigorava com cada carícia e enfim, depois de tanto tempo sem os prazeres da carne, adormeceu, em paz, algo que era raro nos últimos meses.
A madrugada avançava e Astrid já estava desperta, mas ficar ali ao lado de Asfin era algo que ela queria aproveitar mais um pouco. Não sabia quando poderia saciar seu corpo com  o Nocker outra vez, ela se aninhou ao lado dele e tentou adormecer mais uma vez.
Mas o que era bom duraria pouco, uma voz baixa começou a ecoar em sua cabeça, ficando mais alta, mais nítida, até receber a mensagem. Era Emila, sua Eshu informante, a mensagem era quase telegrafada, devido á distância, mas era o suficiente para provocar pânico na Regente de Mystara.
"Desastre, magos atacados, Rainha Capturada." 
Astrid gritou, Asfin acordou com um pulo, sua noiva chorava de ódio. estava tudo perdido? Enfim os inimigos haviam conseguido o que queriam? Não, não poderia acabar daquela forma. Astrid se levantou e começou a andar de um lado para o outro. Emila havia dado a localização de onde os magos estavam reunidos com o tal Lord Ayreon. Era o único lugar para ir. Ela não desistiria assim tão fácil.Não depois de tanto tempo.
"Vista-se amor...temos uma maga para encontrar e uma Rainha para resgatar...se Bahamut assim permitir..." O casal se vestiu, mais do que roupas, também seus tesouros e armaduras forjados ao limite da perfeição pelo Nocker. Preferiram não se transportar para o lugar onde Emila havia indicado, muitos magos, muta confusão, o paradoxo impregnado pela forma dracônica poderia afetá-los ainda mais. Era perto, usariam transporte convencional enfim.
A velha Pick Up do nocker, obviamente cheia de melhorias e modificações estava partindo quando Astrid pediu para o noivo parar. Do outro lado da rua estava um carro estranho, Asfin rapidamente reconheceu como um Zastava 10, um modelo croata. Mas não era o carro exótico que atraia o olhar da Dragoneza e sim seus ocupantes. Ela abriu a porta e seguiu na direção do veículo sob os protestos do noivo.
A porta do Zastava prateado se abriu e dela surgiu uma bela mulher de porte alto, cabelos loiros e um ar jovial, mas que trazia o peso dos séculos nas costas. Roupas das mais finas grifes e um perfume exótico que não conseguia esconder o cheiro que Astrid, a paladina de bahamut mais conhecia em toda a sua existência. o odor de um Morto-vivo. A jovem preferiu não arriscar e foi logo ao assunto.
"Meu nome é Aletha di Notre Ville, Lady Astrid, é uma honra conhece-la. Meus interesses são estritamente comerciais, mas creio que algumas informações que meus espiões obtiveram podem ser de utilidade para a senhora e seu povo. Na verdade, o histórico de nossos negócios com a Rainha Walleria é muito antigo, estou aqui em nome de minha Senhora para honrar o selo de Ouro."
Astrid sabia que era verdade. na idade das trevas uma poderosa Ventrue salvou Walleria da destruição. A Rainha criou um selo de Ouro faérico de colaboração entre as duas e seus descendentes. Embora a Dragoneza tivesse vontade de esmagar a vampira com um só golpe, ela não poderia ir contra um selo de ouro. Era difícil de engolir, mas talvez Walleria estivesse dando a eles o caminho para sua própria salvação.
A vampira entrou no carro e seguiu na frente, guiando o caminho. Astrid e Asfin a seguiram muito a contra-gosto. Aquela madrugada seria longa, e talvez o dia fosse ainda maior.

2 comentários:

  1. Servir como montaria? Aaaaaa Astrid, se Primus te ve hoje em dia!

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  2. Detalhe, eu não disse que ele veio montado e sim se agarrando no pescoço dela hahaahahahaahahahaha

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