quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A Guerra dos Vermes XIII: Vidas Intermináveis



Foram dias sombrios e estranhos na casa do Arquemago da Ordem de Hermes. Tudo estava em perfeita ordem. Muita comida, uma bela casa escondida na película entre os mundos e cheia de quintessencia a ponto de ser praticamente a prova de paradoxo, proteção e sossego. Para Tulio, aquela mansão era um Santuário, para os Filhos do Caos, um purgatório de impaciência e angustia.
O humor estava sombrio. Poucos conseguiam dormir e os que conseguiam, como no caso de Nehssa, era por puro esgotamento. Miranda estava em poder de um ser maligno há mais de três dias, e embora Tulio estivesse fazendo de tudo para encontrá-la, a cada momento ficava mais claro que estava tudo perdido. Tudo em vão. Ayreon se isolara no quarto desde o dia que chegaram, não falava com ninguém e raramente aceitava a comida servida. Caroline ajudava Tulio nos encantamentos de busca, mas mesmo seus esforços juntos não conseguiam chegar ao local onde a Rainha Walleria poderia estar. Tudo levava ao ponto famoso no oceano atlântico, conhecido como Triângulo das Bermudas, mas ali, qualquer iniciado na esfera da correspondência sabe, é uma região cega. Um truque usado para enganar perseguidores. Ela poderia estar em qualquer lugar.
Apollo e Millena não saiam da grande e diversificada biblioteca do senhor Wargner. Ele havia conseguido salvar, pelo menos, os volumes mais raros e importantes do vasto acervo do Hermetic Colliseum, antes que ele fosse devorado pelo fogo e pela radiação dos últimos dias de Grey Rose. Millena estudava sobre a Wyrm, sobre a história Faérica e sobre fogo entrópico. Apollo lia o grimório perdido de um poderoso hermético da idade das trevas, e copiava seus feitiços e palavras de poder. Todos eles capazes de mandar uma cidade ou duas pelos ares.
Além de acólitos salvos do Hermetic Colliseum e abrigados no modesto nodo particular de Tulio, a casa ainda abrigava sua esposa Aleksandra Ravaneska, uma vazia bela e poderosa conhecida como Raven, com suas roupas exóticas e seus belos olhos azuis e cabelos negros, figura importante no perigoso circuito de bares e casas noturnas de Bucareste, além do pequeno Sarastro, filho dos dois. Era um casal improvável, mas aparantemente muito feliz.
Finalmente, Tulio pediu que todos fossem chamados para um saboroso banquete, em uma mesa antiga, cheia de escrituras, símbolos místicos cravados na madeira crua e pesada. Na porta da grande sala de jantar, dois grifos de puro ouro montavam guarda, embora um tivesse apenas uma asa e outro um buraco bem no meio do peito, ainda eram imponentes e davam a sensação de que se ergueriam para defender o local de qualquer ameaça. Fariam isso no Hermetic Colliseum, mas ali eram apenas belos e pesados enfeites, colocados ali por Tulio para lhe lembrar que por mais que estivessem protegidos naquele nodo, sempre haveria algo capaz de destruí-los, assim como aconteceu com a fortaleza dos magos de Grey Rose.
Todos se sentaram. As caras estavam melhores, menos assustadas. Nehssa não exibia sorriso, mas também não demonstrava dor. Apollo parecia alheio a tudo, e reclamava das incessantes dores de cabeça. Carolinne parecia a mais tranquila, dando a impressão de indiferença, mas Tulio sabia que era uma recomendação do pai, com o qual falara na mesma noite que chegaram. Caerwin era um guerreiro dos Verbena e a mãe das garotas, Emily Vincce era o próprio fogo hermético em pessoa. Não eram meninas fracas, e tinham, assim como seus pais, um destino grandioso esperando por elas, e com ele, um talento e uma propensão inevitáveis para o desastre.
Nathan era reservado. Tulio sabia que o jovem Euthanatos era tão cheio de traumas como qualquer mago poderia ser. mas seu pai havia se superado nisso, e ele agora tentava não repetir seus erros. O Hermético conhecia cada um daqueles jovens, e conhecia sus pais, seu passado, suas dores e suas vitórias. Havia ensinado a cada um pelo menos um feitiço ou dado algum presente. No fim era como se fossem todos seus filhos. E ele não queria vê-los feridos, ou coisa pior. Quanto aos dois seres Faéricos, ele sabia pouco, mas sentia o suficiente. Nehssa não o preocupava, mas o Lord Shide exilado da casa Liam sim.
Enfim Millena surgia na entrada, sorridente pela primeira vez desde a captura de Miranda, tinha Ayreon a seu lado, com cara de poucos amigos, barbudo e desgrenhado, mas ainda sim com uma beleza sinistra que fez caroline engasgar, ruborizando de vergonha segundos depois.
"Sentem-se meus queridos, estávamos esperando apenas vocês." Tulio sorria satisfeito, não esperava que o Shide atendesse ao chamado.
Ayreon não respondeu, apenas sentou-se de forma largada enquanto Millena se sentava ao lado da irmã, que prontamente pegou em sua mão e sorriu, tentando passar uma esperança que ela mesmo não tinha, mas aprendera com o pai a fingir quase ao ponto de torna-la verdade.
Comeram, beberam, a maior parte do tempo em silêncio. Raven e o jovem Sarastro acompanharam o banquete e tentaram deixar os convidados o mais á vontade possível. A Vazia contava histórias engraçadas sobre a cabala da qual fazia parte, junto com os pais das garotas e de Nathan, assim como a mestra de Apollo. Todos riam e até mesmo Cosmo contou algumas façanhas mentirosas nas quais ele era o herói. Aquilo deslocou as fadas, Nehssa fazia menção de cochilar e Ayreon se perdia olhando um talher de prata.
Foi a deixa para que a esposa de Tulio se despedisse carinhosamente de cada iniciado e sorrisse para os seres faéricos, dando um carinhoso beijo no marido e se retirando, levando o pequeno Sarastro a contra gosto. O hermético enfim se ajeitou na cabeceira da mesa e prontamente tinha a atenção de todos.
"Tenho boas notícias...e algumas ruins também" ele tentava soar positivo, mas era honesto demais para aquilo
Millena não parecia surpresa, Ayreon finalmente prestou atenção. Tulio continuou.
"Localizamos Miranda. Ela está viva."
"Onde??" Ayreon se projetou com as mãos na mesa, como se fosse se levantar, Millena fixava os olhos no Hermético, todos pareciam apreensivos.
"Consegui contactar uma Adepto da Virtualidade, conhecido como Flashback. Ele é aprendiz do finado Juca Bala, e até onde eu sei, o Adepto mais poderoso em atividade. Ele fixou a localização dela baseado na discrição e na essência faérica da Rainha. Ela está em uma floresta remota, nos arredores do Canadá." ele não sorriu nem mostrou empolgação, embora Apollo tivesse sorrido, assim como Carolinne.
"Mas..." Millena parecia prever
"Mas..." Tulio continuou "Ainda não descobrimos um jeito de chegar até lá. Flashback disse que há um encantamento muito poderoso que rebate qualquer efeito de tele transporte para o lugar e o redireciona para algum ponto mortífero no Mundo, como um mar repleto de tubarões, a boca de um vulcão ativo ou outros lugares simpáticos" ele esboçou um riso
"E como você sabe que é realmente Miranda? que tipo de essência faérica da Rainha  é essa, que você diz possuir ?" Nehssa tinha aquele tom inquisitivo e ríspido que Ayreon repreendera há alguns dias, mas que agora adorava ouvir.
"Um pouco do sangue de um dos filhos dela, se quer mesmo saber minha jovem. É um grande amigo meu e pelo que sei está buscando por pistas da mãe. Ele  está com a pessoa que contactou vocês, a Regente de Arcádia. Na verdade estarão aqui em breve." Ele sorria de forma cordial, e parecia aliviado ao falar de reforços. Nehssa pareceu satisfeita, pelo visto sabia de quem ele estava falando.
"Uma coisa que ainda não entendo...se Astrid é tão poderosa, e tem um filho da Rainha consigo, por que diabos ela buscou por um bando de magos fedelhos para executar uma missão tão importante?" Ayreon olhava novamente para o talher de prata, nem percebera o insulto que acabava de proferir.
Apollo se levantou, as mãos começaram a sair fumaça, a pele ficando avermelhada.
"Se não fosse uma maga fedelha ter metido uma bala na cabeça daquela desgraçada, seu escroto, estaríamos todos mortos, visto que você, o senhor fodão, mais poderoso entre nós ficou pasmado como uma besta por causa dos peitos dela." Nathan forçou o jovem hermético a se sentar, Tulio nada fez, apenas observava.
Ayreon ignorou a revolta de Apollo, parecia esperar por uma resposta de Tulio, mas foi Millena quem falou.
"Lord Ayreon, entendo sua revolta. Sei que foi vitima de um comando mental poderoso e que seu lado Unseelie se manifestou, mas isso não dá o direito de ofender a mim e meus companheiros. A Rainha Regente não podia sair de Arcádia, ela tinha coisas a tratar que diziam respeito ao futuro de todas as fadas, lá ou aqui. Ela confiou em mim, em nós..."ela fez uma pausa para o fôlego que faltava devido a raiva "...para iniciar a missão. levar Miranda para um lugar seguro, para que ela pudesse vir busca-la. E confiou no senhor, como nosso guardião, embora creio que não tenha podido entrar em contato. Encontrar Miranda foi uma benção do Glamour, mas nós a perdemos, e falhamos com a Dragoneza." A jovem maga tentava esconder a frustração, mas era evidente.
Ayreon baixou a cabeça, estava ciente da indelicadeza que cometera, mas seus modos estavam longe de serem polidos como os de seu lado Seelie.
"Me perdoe se ofendi aos jovens artificies da vontade, mas a verdade é que vocês não tinham condições de escoltar a Rainha. Astrid foi inconsequente ao enviar magos inexperientes como vocês, arriscando não só suas vidas, mas a de Miranda, e pior, confiar a magos o destino da Rainha de Arcádia?...sem ofensas mais uma vez, mas vocês não estão familiarizados o suficiente com a sociedade Faérica para tomarem as decisões corretas. por que não um grupo de Guerreiros Faéricos? Definitivamente Arcádia está condenada..." 
O silencio pairou por alguns minutos. Mesmo feridos pelas palavras do Shide, a jovem cabala sabia que ele dizia, pelo menos em parte, uma grande verdade. Millena se sentia culpada, mas ao mesmo tempo confusa, pois quando recebera a missão de Astrid, uma certeza de que seriam capazes de cumpri-la arrebatava sua alma. Teria sido ela imprudente e arrogante? Ou teria ela um excesso de confiança perigoso como o de seu pai?
Nesse momento foi Nehssa que interveio.
"Ayreon, não reconheço você. Está falando como um pooka bêbado. Você acredita mesmo que um grupo de fadas outonais seria capaz de encontrar a Rainha de Arcádia? Acha mesmo que não seriam os primeiros a mata-la em nome da banalidade ou de um de seus reis de mentirinha? Faça-me o favor! Você mesmo seria capaz de cortar a garganta de Miranda em nome de algum Duque para tentar reverter de alguma forma seu exílio e de sua casa comedora de osteas!" a Jovem Droll parecia enfurecida, Ayreon estava perplexo com a ousadia da garota, e levou a mão ao cabo da espada.
"Sua Droll insolente! o que você sabe sobre as casas nobres? por um acaso possui algum título sua aranhazinha medíocre?!"
Tulio observava preocupado, mas naquele momento precisava botar ordem nas coisas, antes que o pior acontecesse.
"CHEGA!" uma onda de calor atravessou a sala, derrubou copos e garrafas, arremessou talheres e cadeiras vazias. Ayreon se conteve, cheio de vergonha por dentro, mas incapaz de demonstra-la, ao invés disso apenas sorriu e mandou um beijo provocativo para Nehssa que mostrou o dedo médio. O Mago continuou.
"Escutem...Astrid e Asfin chegarão em breve. Eles tem informações, que conseguiram com uma Vampira conhecida por ter um selo com a Rainha walleria e, consequentemente, obrigação de ajuda-la. Acredito que com isso serão capazes de bolar algum plano. No entanto, brigando e ofendendo a si mesmos só estarão acelerando o destino trágico da garota. Se recomponham..."
"Desculpe Tulio..." Millena estava envergonhada, Nehssa baixou a cabeça e não disse mais nada, Ayreon apenas colocou mais um pouco de vinho e ficou pensativo.
A noite avançava depois do banquete. Tulio se retirara, dizendo que assim que a Regente chegasse mandaria chamar a todos, o que os impediu de dormir, mesmo que conseguissem.
Ayreon foi para a biblioteca, o que fez Apollo se levantar imediatamente e deixar o lugar. Millena não se incomodou quando o Shide se sentou de frente para ela, com um olhar intrigado e um sorriso cínico.
"Você me intriga maga. Até agora não entendo como é capaz de usar ambas as artes mágicas..." ele a olhava nos olhos de forma perturbadora, mas a jovem de cabelos azuis desviava o olhar habilmente para as páginas dos pergaminhos que lia.
"Talvez se você se esforçasse para retornar a seu lado Seelie eu me sentisse mais inclinada a tentar explicar..." ela sorriu, mas não olhou para ele. Aquilo pegou o Shide de surpresa.
"Isso não vai funcionar comigo senhorita..."
"Uma pena" a garota apenas sorriu
Millena continuava com os olhos na leitura quando foi interrompida por um tapa que arremessou o livro para longe, Ayreon estava inclinado na direção dela e seus olhos eram fúria. Ele emanava uma aura magnífica de poder e autoridade, mas ao mesmo tempo de ira, violência e angustia.
"Não brinque comigo, não tente fazer um Shide parecer estúpido..."
A Maga então sacou uma espada exatamente do nada. Ela se materializou como se sempre estivesse ali. Era uma bela lâmina feita de alguma liga estranha, emanava ferro frio, mas ao mesmo tempo emanava outras energias letais. Sua empunhadura tinha um buraco para cada dedo, o que fazia com que o punho ficasse firme e fosse impossível desarmar seu portador sem arrancar-lhe os dedos. Por fim, acima do protetor haviam 4 gemas. Na verdade eram três, e um espaço vazio para a ultima. De baixo para cima, uma gema branca azulada, como uma pérola de gelo, seguida por uma pedra laranja e quente e por fim um rubi sangrento. Ayreon arregalou os olhos e se afastou.
"É isso!, isso que permite que eu faça uso das artes de Arcádia. Conhece Lord Ayreon? lembra-se de tê-la visto em alguma vida passada? Talvez quando assumiu a regência de Arcádia há mais de mil anos atrás?" Millena estava firme, a voz empostada e intimidante. A energia da espada fazia com que Ayreon se afastasse ainda mais.
Ele se lembrou. Ele visitou seu ancestral antigo e relembrou sua vida, e morte. Se lembrou de quando era o senhor de Arcádia e de como aquela espada havia tirado sua vida, fazendo com que ele só conseguisse renascer séculos depois.
"Calaelen..." ele proferiu o nome como se fosse alguém da família
"O Tormento...sim...é ela...e eu sou sua guardiã. Em algum momento do passado Lord Ayreon, nós nos conhecemos, e por algum motivo, eu, uma maga, recebi a missão de guardar esse artefato e protege-lo por todas as minhas vidas. mas algo me desviou de meu caminho. E aqui estou eu, nessa nova vida, para tentar mais uma vez..."
"Eu...me...lembro..." Ayreon se sentia mais firme, menos irritado. Seu lado Seelie estava de volta, as lembranças da Corte do verão o haviam trazido um gosto doce e ao mesmo tempo trágico. "Seu nome não é estranho agora...você era outonal...espere você foi...é..."
"Irmã de Walleria, Lord Ayreon...Lady Millena...lembra?" a jovem suava aliviada, parecia um segredo que nunca poderia revelar, mas que enfim saia de suas costas.
Ayreon cambaleou, seu mundo girava. Aquela maga era uma nobre da corte de Outono, renascera entre os magos para trazer os tempos de glória de volta? ou para salvar a irmã?
Aquilo explicava ainda mais o motivo de Astrid ter a escolhido para a missão..."Céus como fico estúpido quando meu lado unseelie toma conta..." ele pensou.
Nesse momento um acólito de vestes vermelhas e cabelos raspados  se aproximou gentilmente da mesa, Millena fez a espada desaparecer e sorriu como uma menina levada, aquilo fez Ayreon corar, havia mais alguma coisa no passado da maga que tinha a ver com ele, mas antes de perguntar o acólito interveio.
"Senhores, perdão pela intromissão, mas o Senhor Tulio os convoca para a sala de reuniões, a Regente de Arcádia e seu consorte acabaram de chegar."

4 comentários:

  1. eu mudaria a ultima parte assim " a regente de arcádia e o Putão acabaram de chegar" auhauhauhuahauhauhauh Asfin é um Putão com certeza!

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  2. HAHAHAAHAHAHAHAAHAHA eleé sujo, é um putão mesmo!

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  3. 1 palavra, 3 letras, um sentimento: L O L

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  4. Desculpe Millena, contaram a história errada pra você, na verdade, você no passado era um ganso que engolia a espada! auhauhauhauhauhau

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