"Maga fedelha dos infernos..."
Morgana emergiu do outro lado do portal. Ela se escorou nas paredes da velha caverna, sangrando muito. Não ouvia nada e enxergava muito pouco. "Aquela fedelha deve ter usado algo mágico, não era pra demorar tanto assim essa maldita cura..." ela pensou enquanto se dirigia á jovem Miranda, encolhida na parede, incapaz de reagir ou fugir. Seus olhos eram medo, e ao mesmo tempo dúvida. Nitidamente era uma pobre mortal que não conseguia entender como, de uma hora para a outra sua vida normal havia se tornado um inferno tão grande, cheio de seres absurdos, medonhos, os quais ela só sabia que existiam nos livros e filmes de gosto duvidoso. Rainha o cacete...
Morgana podia entendê-la e quase sentia pena. Na verdade, sentia sim uma comoção, mas seu propósito era maior que qualquer coisa. Sua existência era devotada a um ser, e ela era consumida pela culpa por crimes que não eram seus. Se para conseguir sua maior vitória ela teria que sacrificar uma bela jovem de mexas verdes no cabelo, então não seria a primeira, muito menos a última. Ela já havia feito coisas bem piores.
O lugar era um buraco, cavado na rocha em algum lugar do Canadá. Era absurdamente frio e qualquer criatura, humana ou sobrenatural que tentasse se aproximar, encontraria um verdadeiro exército de fomores e dançarinos dispostos a afastar qualquer coisa ou morrer tentando.
Já se algum engraçadinho tentasse usar a mesma magia que ela usou para trazer a si e a jovem rainha de tão longe, teria uma surpresa nada agradável quando percebesse que seu destino não era exatamente o traçado, com toda aquela água do mar ao redor de si e alguns tubarões para brincar.
A mulher, outrora bela, mas agora um amontoado de carne disforme, com um buraco enorme no rosto andou na direção de Miranda. Como uma ovelha conduzida pelo cão pastor, ela entrou na cela. Simplesmente uma sala construída no fim da caverna, com algum fogo para aquecer, um colchão velho e alguma comida de fast food. Morgana fechou a grade antes invisível que cheirava a ferrugem. Miranda sentiu um calafrio. Tocar aquelas grades seria pior que morrer.
Com muito esforço e gritando de dor, a Arque maga exauriu sua quintessência para fechar o ferimento. O sangue parou de escorrer mas ela ainda não conseguia regenerar o olho esquerdo. Estava quase cega. A dor ainda incomodava, mas pelo menos era algo tolerável. Ela se desfez da armadura e caminhou para uma outra parte da caverna. Um pequeno lago de água quente a esperava e ela se deixou afundar nele, e nos pensamentos.
"Você continua um espetáculo, devo dizer" a voz vinha da beira do pequeno lago, ela perdeu a concentração e quase se afogou esperneando para voltar a superfície. Não que ela pudesse morrer afogada, mas Morrigan nunca foi boa em ignorar os aspectos fisiológicos do ser humano. Na verdade, ela adorava estar viva, respirando, quente. Embora há muito tempo não precisasse mais disso. A pessoa que havia ensinado a ela o tesão pela vida estava ali, ela não conseguia acreditar. a maga enfim conseguiu se equilibrar e boiar de pé, com um reflexo estúpido e infantil de tapar os seios com as mãos. logo ela, que usava o corpo como arma, que já lutou contra exércitos nua, como se ELE nunca a tivesse visto daquela forma..."Por que diabos dou tanta pinta?" ela pensou.
"No caso do rosto, já o vi em melhor estado...gostava mais dos cabelos negros." Dark estava magnífico. os longos cabelos ondulados, negros como a alma da Wyrm escorriam pelos ombros. O terno branco com sutis listras pretas e o inseparável óculos redondo de lentes vermelhas espelhadas.
"Mas...você..." ela gaguejava como uma galinha d'angola,Morrigan havia visto Dark ser destruído, devorado por seu próprio filho. Havia sido espancada e humilhada por aquele anjo desgraçado e poupada, segundo ele para que houvesse uma testemunha da grande vitória de Deus sobre o inferno.
"Você sabe que não sou eu. Pare de ser idiota e me escute. Há muito tempo não falo com você, mas hoje é preciso." Morgana deixou a boca abrir numa estupefação rara na Rainha de malfeas. Seu avatar...depois de incontáveis tempos, enfim, falava com ela mais uma vez. Mas por que ele assumira a forma de Dark? seu amado Mestre demônio, seu amante perfeito e único homem na face da Terra que ela chamava de senhor?
"Largue esse disfarce! Mostre-se como aquela mulher-morcego nojenta que sempre foi! Não permito que me magoe dessa forma, com esse rosto...não..." seria possível que depois de tanto tempo ela iria chorar? "NUNCA" ela pensou, estava séria outra vez.
"Por que deveria mudar? Eu disse que você sabe que não sou eu. Mas quem disse que o que você sabe é a verdade? Não disse que sou Dark, mas também não disse que não sou...agora pare com essa baboseira e me escute." O homem molhava a mão na água quente, brincando de fazer redemoinhos com o dedo. Pela Wyrm! como era charmoso! ela pensou.
"Assim não consigo me concentrar...você poderia...sabe...mudar..." ela parecia uma criança.
"BASTA!" o demônio estava de pé, a expressão severa, algo que Morrigan não gostava nele. Dark continuou.
"Por que você escolheu a Wyrm primordial Morrigan? Por que simplesmente não assumiu uma das cabeças dominantes ao invés da mais antiga e fraca? O que pretende provar? pra quem? Pra mim? eu já morri, não me importo...Para as outras cabeças? Elas vão odiar você eternamente...ou será que pretende provar isso para Gaia? para seus antigos companheiros magos? Quer provar que ainda é boazinha? sente saudades do Doutor? De Sara? Elvira? Claudja? Sabe que de menos o velho estão todos mortos?"
Morgana urrou de ódio e socou a água com muita força. O ferimento no rosto abriu novamente e sangue começou a manchar a água cristalina do lago de vermelho.
"VAI PRA PUTA QUE TE PARIU AVATAR DESGRAÇADO!!! PORRA TANTO TEMPO SEM APARECER, E QUANDO APARECE É SÓ PRA FALAR ASNEIRAS??? O QUE VOCÊ QUER? NÃO QUERO PROVAR NADA PRA NINGUÉM SEU MERDA! QUERO QUE A WYRM SE LIVRE DESSA MALDITA PRISÃO, QUERO QUE A ENTROPIA VOLTE A SEU EQUILÍBRIO! E QUE...e que..." ela não aguentava mais, levou a mão ao rosto, e enfim chorou por causa da dor. Chorou por causa das lembranças e por que queria que seu amado dark estivesse ali. "Quero que o equilíbrio volte....quero paz..."
Dark sorriu, da forma mais debochada que conseguia
"Paz? Morrigan você tem a conta de quantos garou e parentes você matou, de forma cruel e implacável em todos esses anos como Rainha de malfeas? Você acha mesmo que a Wyrm teria dado a você a coroa de onix se você não fosse a criatura mais desprezível a andar pela terra de Gaia? acha mesmo que um ser medonho como você merece PAZ?"
Morrigan se encostou na beira do lago, o corpo quase todo para fora. Era tremia de frio e pequenas crostas de gelo se formavam em seus lábios e congelava o sangue que escorria de seu rosto. As lágrimas no entanto eram quentes como brasa.
"Não...sei que não mereço. Mas a paz que busco não é para mim. Gaia precisa da Wyrm, sem ela, o equilíbrio não existirá. Pergunte aos portadores da Luz...eles entenderam isso...estão perto da verdade...o verdadeiro inimigo é..."
"A Weaver? A tecnologia? O dinheiro? Pode ser...Mas isso apaga seus crimes? Se amanhã os presas de Prata e os Dançarinos da Espiral Negra derem as mãos e dançarem uma ciranda no abismo e outra na Seita do Céu noturno e resolverem se unir para destruir a Weaver, isso mudará o fato de que você mandou mais da metade dos pais e ancestrais deles para o mundo dos mortos?" Ele riu, uma gargalhada cruel, essa sim Morgana adorava. "Eu sei por que você faz tudo isso meu amor...minha Morrigan...Nunca gostei de Morgana, nome comum, lembra Rei Arthur e sua espada faz-tudo. Gosto de Morrigan. Prometa que quando curar essa cagada toda no rosto que vai voltar a deixar o cabelo negro e longo como eu gostava?"
"Prometo..." ela sussurrou, e dois segundos depois praguejou por ter feito papel de idiota mais uma vez...não era Dark, não Era seu querido raziel que estava ali, era seu avatar, seu espírito e eu-mágico. Ela tinha que se concentrar, entender a maldita mensagem.
"E por que...então...você acha que eu faço tudo isso?" Ela agora estava em si novamente, o sorriso era sarcástico, mesmo faltando dentes.
"por que a Wyrm Primordial não pé nada mais do que a destruição primordial. Aquilo que foi criado para ser o balanço. Ser a Rainha de malfeas não é servir a Wyrm Primordial. Ela está presa em outro lugar, o feminino, o Dragão, o mal, a Entropia, a Mão Esquerda, o Lado Errado, a Escuridão, o Inferno...Você quer ser como eu...você quer ser um demônio Morrigan, uma Caída.essa "paz" que você julga buscar é na verdade orgulho. Você quer ser legitimamente um ser que nasceu para ser como você é. Não existe culpa para os demônios. E você sabe que apenas um ser conseguiu se tornar um demônio legítimo, sendo outro ser antes do processo..."
Ela parecia intrigada "Você" ela sorriu de satisfação.
"Eu não, Raziel...e você sabe como ele conseguiu..."
Morgana parecia responder a uma sabatina, bate-pronto. "Aprisionando, Derrotando e devorando Balbuzatta...bem...parte dele..."
"E quem você acha que é a Wyrm Primordial? Lúcifer? Asmodeu? ou algum outro?" ele parecia se divertir
"Não...não é nenhum deles..." ela sabia a resposta, mas não ousava pronunciar.
"Então, agora que já sabe o por que está fazendo tudo isso, vá, continue, e me traga de volta. Enquanto isso vá mudar esse cabelo, mude de nome e se prepare. Você não conseguirá nada assim tão fácil com esse seu plano da Pentex. É só o começo. Quando eu estiver de volta, ajudarei você. Quero que saiba que confio no seu poder, afinal, fui eu que te dei, não é?"
Morgana se levantou, ainda tremendo. caminhou na direção de Dark e tentou abraça-lo. Ele a empurrou e a maga caiu sentada na rocha fria, aquilo doeu mais do que o tiro que atravessara seu rosto. "Ainda não...não com esse cabelo e esse rosto...em breve..."
Dark sumiu tão rápido quanto aparecera. A maga se ergueu, a dor no rosto ainda era insuportável, mas ela sabia o que fazer. Se era seu avatar, ou se era o Senhor de Grey Rose se comunicando com ela, era difícil saber, mas ele a havia guiado para um caminho ainda mais perigoso do que o que ela estava trilhando.
Morrigan deu uma ultima olhada na prisioneira, estava dormindo, enfim, vencida pelo cansaço. Com um gesto ela se transportou para a casa velha e caindo aos pedaços na periferia de Seattle. Foi ao quarto e chamou mentalmente um de sus jovens escravos. Quando ele chegou, ela começou a acaricia-lo de forma provocante e antes que ele pudesse começar algo, cravou as mãos em forma de garras em seu peito, arrancou o coração ainda batente e o devorou, como se fosse um pedaço de bife. A quintessencia que precisava estava ali, e o rosto foi se curando, dolorosamente, até que nenhuma cicatriz estivesse presente. A Dor havia sumido. Ela pegou uma tesoura velha, alguns cremes com validade vencida e foi para o banheiro imundo e cheio de vazamentos. No espelho embaçado, ela via a esfera da vida dar forma a sua imaginação e uma torrente de cabelos negros e lisos como seda escorrerem de sua cabeça, o rosto havia mudado um pouco também, era uma nova, e ainda estupidamente bela mulher.
Miranda acordou com frio. mas logo recebeu uma confortável coberta sobre o corpo. assustada, ela apenas se calou. Era o que ordenava a bela mulher de cabelos cacheados e alaranjados, com hipnotizantes olhos azuis, vestindo um terno de homem, branco com listras pretas, com o dedo indicador á frente dos lábios, antes de desaparecer.

Era só o que faltava, Morgana entrar para o time do super-demônios.
ResponderExcluirOs garou agradecem hahahahahaah
ResponderExcluirChoram isso sim, pq depois que entra pro time dos super-demônios fica invencível!
ResponderExcluirOlhem pelo lado bom: pra ela entrar, alguém tem que sair XD
ResponderExcluirNada a declarar
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